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Olhar Olímpico

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Com decisão de ter público, Tóquio-2020 ganha cara de Olimpíada

Estádio Olímpico de Tóquio - Japan Sport Council
Estádio Olímpico de Tóquio Imagem: Japan Sport Council
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

21/06/2021 11h46

Faltando exatamente um mês para a primeira competição dos Jogos Olímpicos de Tóquio, a comissão que organiza a competição anunciou hoje (21) que vai permitir público no torneio. Desde que limitado a 50% da capacidade da arena e que o total de pessoas em um mesmo evento não supere 10 mil pessoas, um teto que só deve afetar partidas de futebol, beisebol e softbol, além do golfe. Já havia sido estipulado que estrangeiros estavam vetados.

A decisão dos governos do Japão e de Tóquio e dos comitês organizador, olímpico (COI) e paraolímpico (IPC) vale, por enquanto, somente para a Olimpíada, não para a Paraolimpíada, cuja regra será discutida mais para frente. Mas ela pode ser revista a qualquer momento, dependendo do avanço ou do recrudescimento da pandemia no Japão e, especificamente, na região de Tóquio.

Ao aceitar a demanda dos organizadores e permitir a presença de público nos Jogos, o governo japonês permitirá que Tóquio-2020 tenha mais cara de Olimpíada, ainda que continue proibida a entrada de visitantes estrangeiros. Só moradores do Japão poderão sentar nas arquibancadas.

A presença ou não de público era a maior das incertezas em uma Olimpíada marcada por dúvidas. Testar contra a covid a cada um ou três dias, contato quase nulo entre imprensa e atletas, restrições na Vila Olímpica, tudo isso são tensões da chamada "cozinha" da Olimpíada, que não chegam aos olhos da audiência global, que só vê o que está à frente da cortina. E que, agora se sabe, verá uma competição com torcida, como costuma ser.

Para os atletas a nova postura dos japoneses também deve fazer diferença. Não que vá ser possível correr para a arquibancada pegar uma bandeira do seu país, abraçar um corpo conhecido que atravessou o mundo para vê-lo competir. Mas ao menos haverá alguém para aplaudi-lo, para incentivá-lo, até para se decepcionar. E isso faz toda a diferença.

A decisão, no fim, é acertada. Eventos esportivos do mundo todo estão começando a reduzir seus prejuízos da temporada passada aceitando público em locais em que a pandemia está sob controle. Vide a NBA, a Fórmula 1, o circuito mundial de tênis... Por que só a Olimpíada precisava dar o exemplo, acontecer sem público, e causar um prejuízo ainda maior para os organizadores?

É verdade que o Japão está atrasado na vacinação, mas o país sede da Olimpíada fez a lição de casa e tem a pandemia sob controle. O país chegou a mais de 6 mil casos diários de covid e, hoje, caiu para menos de 1,5 mil. É justo que os japoneses sejam premiados com a possibilidade de assistir in loco a uma Olimpíada.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL