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Olhar Olímpico

REPORTAGEM

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Candidato a medalha, 4x100m será puxado por nadador de 20 anos em Tóquio

Pedro Spajari, André Calvelo, Breno Correia e Marcelo Cheirighini - Satiro Sodré/CBDA
Pedro Spajari, André Calvelo, Breno Correia e Marcelo Cheirighini Imagem: Satiro Sodré/CBDA
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

22/04/2021 19h30

O jovem André Calvelo, de apenas 20 anos, fez as melhores apresentações da seletiva olímpica brasileira da natação até aqui e se classificou para os Jogos de Tóquio com o melhor tempo nos 100m livre. O nadador da Unisanta, que viu seu técnico da vida toda, Márcio Latuf, deixar o clube há pouco mais de dois meses, venceu a prova mais aguardada da seletiva com 48s15, depois de fazer, pela manhã, nas eliminatórias, o tempo de 48s09, assumindo o sexto lugar do ranking histórico da prova mais forte do país.

Dos quatro que já nadaram melhor que ele em algum momento da história, três estavam na seletiva. Gabriel Santos, que chegou a ser tetracampeão brasileiro entre 2017 e 2018 e era forte candidato a pelo menos pegar um lugar no revezamento, parou ainda nas eliminatórias, em nono, com 49s22.

Na final, os jovens se destacaram. Além de Calvelo, quem também vai nadar o 100m livre é Pedro Spajari, de 23 anos, que bateu em segundo, com 48s31. Breno Correia, de 21, terminou em terceiro. Marcelo Chierighini, que é o segundo do ranking histórico brasileiro, com os 47s68 que ele fez no Maria Lenk de 2019, não fez uma boa seletiva hoje e terminou em quarto, com 48s83. Os três são do Pinheiros.

Pelos critérios da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), se o quinto colocado nadasse abaixo do índice A da Federação Internacional, este também seria convocado para ser reserva na Olimpíada. Mas só os dois primeiros alcançaram esse índice, que é 48s57. Por isso, Felipe Souza, também da Unisanta, não será convocado.

Bruno Fratus deve completar esse time em Tóquio. Ele, que mora nos Estados Unidos, foi liberado de vir ao Brasil para nadar a seletiva, em meio à pandemia, e fez uma tomada de tempo em uma competição na Califórnia, alcançando o índice lá. Agora ele aguarda a prova dos 50m livre amanhã (23) no Rio para saber se terá uma vaga em Tóquio — a tendência é que tenha. Uma vez no time olímpico, ele poderá ser escalado para o revezamento. Essa decisão será dos técnicos, já no Japão.

Também hoje, nos 200m peito, a surpresa ficou por conta do insucesso de Caio Pumputis, que tinha tudo para fazer índice olímpico. Ele até venceu, mas com 2min11s81, longe do tempo necessário: 2min10s35. O garoto de 22 anos ainda tentará a vaga nos 200m medley, amanhã, em prova na qual ele também é favorito. Se conquistar o índice, pode nadar os 200m peito também em Tóquio.

Nas provas femininas, destaque para o 1.500m livre, na qual três atletas fizeram índice. Beatriz Dizotti, de apenas 20 anos, vai a Tóquio, mas a segunda vaga está em aberto. A segunda colocada da prova foi Ana Marcela Cunha, que vai abrir mão para se dedicar às maratonas aquáticas. Viviane Jungblut, que teve covid recentemente, faz tomada de tempo dia 12 e tem boas chances de se classificar. Betina Lorscheitter, que terminou em terceiro, aguarda e torce para Vivi não fazer tempo melhor que o dela. Fechando o dia, o revezamento 4x200m foi bem na tomada de tempo e espera o ranking mundial.