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REPORTAGEM

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Ana Marcela se qualifica para Tóquio também na piscina, mas abre mão

Ana Marcela Cunha com placa da vaga olímpica - Divulgação/CBDA
Ana Marcela Cunha com placa da vaga olímpica Imagem: Divulgação/CBDA
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

22/04/2021 19h03

Já classificada para os Jogos Olímpicos de Tóquio nas águas abertas, Ana Marcela Cunha fez história nesta hoje (22) ao se qualificar para a Olimpíada também na piscina, depois de fazer índice nos 1.500m livre. Em uma prova histórica, três brasileiras alcançaram a marca mínima necessária em uma só prova, com destaque para Beatriz Dizotti, de apenas 20 anos, que venceu com direito a recorde nacional na distância. Ana Marcela, porém, depois avisou que não nadará a prova em Tóquio, para focar na maratona aquática.

Beatriz está assegurada em Tóquio, para sua primeira Olimpíada, mas a segunda vaga, por enquanto de Ana Marcela, fica aberta. Na entrevista após a prova, ela explicou que daqui a três semanas vai entregar a outra nadadora a placa entregue a ela pela CBDA pela classificação olímpica.

É que a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) abriu exceção para que atletas que pegaram covid recentemente, depois do dia 17 de março, poderem fazer uma tomada de tempo mais adiante, no dia 12 de junho. E, especificamente nas provas de fundo femininas existe grande chance de Viviane Jungblut, que era recordista brasileira até hoje, também alcançar o índice.

Assim, Betina Lorscheitter, que terminou em terceiro, também com índice, fica aguardando a prova de Vivi daqui um mês e meio. Se a gaúcha nadar melhor do que 16min27s73, então a segunda vaga brasileira na prova será de Vivi. Se não, Betina será a classificada. Mas o grande destaque da prova que abriu a etapa de hoje da seletiva olímpica foi a jovem Beatriz Dizotti, que puxou o ritmo e estabeleceu novo recorde nacional: 16min22s07.

Ana Marcela Cunha nadou boa parte da prova em terceiro, mas acabou ultrapassando Betina na reta final e melhorou em 11 segundos a melhor marca da carreira. Ela vai abrir mão de nadar na piscina em Tóquio porque, na Olimpíada, as competições de natação serão antes das de águas abertas.

Também hoje foi decidido o revezamento 4x100m livre masculino, que é forte candidato a medalha em Tóquio. O time será formado por André Calvelo (que venceu os 100m livre), Pedro Spajari (também nadará os 100m na Olimpíada), Breno Correia e Marcelo Chirighini. Nos 200m peito, Caio Pumputis falhou na tentativa de índice.

Revezamento fica perto da vaga

Se nenhuma brasileira havia se classificado para a Olimpíada na natação até esse quarto dia de seletiva, hoje saíram as duas vagas nos 1.500m e o revezamento 4x200m se aproximou bastante da classificação ao fazer a marca de 8min00s92 em uma tomada de tempo. O time foi formado por Larissa Oliveira, Danielle Roncatto, Aline Rodrigues e Nathalia Almeida.

Pelos critérios internacionais, vão a Tóquio os 12 primeiros colocados do Mundial de 2019 nos revezamentos e as quatro melhores marcas do ranking mundial, exceto essas 12, no que é conhecido como repescagem. Com o tempo de hoje, o Brasil assume o segundo lugar nessa lista, apenas atrás da Itália, que tem 7min59s68. No Mundial de 2019, para o qual a CBDA não levou os revezamentos femininos, o 12º colocado fez 8min07s. Agora o Brasil passa a secar os rivais que vão disputar o Campeonato Europeu, daqui a duas semanas. Reino Unido, França, Holanda, Suécia e Espanha são candidatos.

Mas existe uma conta bastante complexa que pode impedir essa convocação, mesmo que a vaga venha. É que a Fina impõe um limite de atletas em Tóquio que não tenham índice para provas individuais, os chamados "relay only". São duas vagas para cada revezamento classificado.

O Brasil hoje tem três revezamentos garantidos em Tóquio, todos masculinos. Murilo Sartori (4x200m), Luiz Altamir (4x200m) e Marcelo Chierighini (4x100m) vão ocupar três dessas vagas, a não ser que façam índices em outras provas. Se o 4x200m feminino se classificar, o Brasil passa a ter oito credenciais "relay only", e aí entrariam as quatro que nadaram hoje: Larissa, Danielle, Aline e Nathalia.

Mas se outro revezamento feminino, o 4x100m medley, por exemplo, conquistar a vaga olímpica, aí o Brasil teria dez vagas e 11 atletas para levar para só nadar revezamento. Doze se nenhum homem fizer índice nos 100m borboleta, prova que será disputada amanhã. Se isso acontecer, ficaria de fora o revezamento pior colocado no ranking mundial.