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REPORTAGEM

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COB confirma fim de repasses ao vôlei e diz que pagará preparação olímpica

Vista das mãos dos jogadores da Seleção Brasileira durante jogo contra a Polônia, no grupo F, da fase final da Liga Mundial de Vôlei, em Sofia; bola, vôlei, mídia indoor - Vassil Donev/Efe
Vista das mãos dos jogadores da Seleção Brasileira durante jogo contra a Polônia, no grupo F, da fase final da Liga Mundial de Vôlei, em Sofia; bola, vôlei, mídia indoor Imagem: Vassil Donev/Efe
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

14/04/2021 04h00

O Comitê Olímpico do Brasil (COB) suspendeu, há 10 dias, o repasse de recursos das Loterias para a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), entidade que deveria ser a maior beneficiada, entre as confederações olímpicas, por esse dinheiro. Pelos critérios do COB, a CBV teria direito a R$ 7,4 milhões só em 2021.

"Não houve repasse para a CBV após o vencimento do certificado dos artigos e da 18 e 18-A. Para não prejudicar os atletas, o COB dará suporte às despesas das equipes brasileiras para os Jogos Olímpicos de Tóquio, no limite do orçamento já estabelecido para a modalidade", explicou o COB, em nota. Já o Banco do Brasil, em que se pese ser um banco estatal, informou que não suspenderá os pagamentos. O contrato de patrocínio entre banco e CBV, porém, se encerra no fim do mês.

No começo do mês, a Secretaria Especial do Esporte cumpriu a promessa feita no começo do ano e não renovou o certificado de que a CBV cumpre as exigências da Lei Pelé, porque a entidade reelegeu Walter Pitombo Laranjeiras, o Toroca, para terceiro mandato à frente da confederação. O máximo permitido pela Lei Pelé é uma recondução ao cargo. Quando ele assumiu o posto, a regra já estava valendo.

Sem esse documento, a CBV não pode receber recursos públicos federais, o que inclui os valores repassados pelo COB referentes às Loterias e também valores captados via Lei de Incentivo ao Esporte, mecanismo bastante utilizado pela CBV. Outras confederações também não têm certificado, como as de basquete, desportos aquáticos e vela, todas por causa de dívidas. Quando é assim, o COB paga diretamente as despesas esportivas da modalidade, mas não repassa dinheiro para pagamento de despesas administrativas e salários de dirigentes. É o que já está acontecendo com o vôlei.

A CBV contesta a decisão da Secretaria, de não emitir o certificado, alegando que Toroca só se reelegeu uma vez, e entrou com mandado de segurança para tentar conseguir que a Justiça obrigue a expedição do documento. O processo corre em segredo de Justiça.

Se continuar cumprindo a promessa de não renovar o certificado de quem reelegeu presidente para terceiro mandato ou mais, o governo vai deixar sem dinheiro público federal confederações como as de ciclismo, ginástica, tênis de mesa, surfe e levantamento de peso. Mas isso só quando vencerem os certificados emitidos no ano passado. Isso vai acontecer em junho para a ginástica, julho para o tênis de mesa e o ciclismo, e novembro para o LPO.