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REPORTAGEM

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Doha volta atrás após boicote a autoriza atletas a jogarem de biquini

Julia Sude e Karla Borger - Divulgação/CEV
Julia Sude e Karla Borger Imagem: Divulgação/CEV
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

26/02/2021 12h16

O Qatar voltou atrás da decisão de proibir que atletas de vôlei de praia usem o tradicional biquini para disputar a etapa de Circuito Mundial de Doha, em março. A mudança de postura veio depois de uma das principais duplas femininas do mundo na atualidade, formada pelas alemãs Karla Borger e Julia Sude, anunciar um boicote à competição.

A mudança de rumos foi anunciada pela Federação Internacional de Vôlei (FIVB), após ampla repercussão da polêmica. "A FIVB acredita fortemente que o vôlei de praia feminino, como todo esporte, deve ser julgado pelo desempenho e esforço, e não pelo uniforme", disse a entidade, que até então vinha defendendo o respeito à cultura do país árabe.

"Portanto, durante a competição em Doha, caso os jogadores solicitem o uso do uniforme padrão, eles estarão livres para fazê-lo. A FIVB e a QVA (federação qatariana de vôlei) estão unidos no compromisso de sediar um evento acolhedor, seguro e inclusivo que permita aos atletas competir em o seu melhor", completa a FIVB em comunicado.

Esta será a primeira vez na história que o Qatar vai sediar uma competição importante de vôlei de praia entre mulheres. O país recebe há sete anos uma etapa do Circuito Mundial, mas até então apenas com a chave masculina, sendo uma exceção entre os principais eventos do calendário. Esse sexismo já foi diversas vezes criticado.

Agora, pela primeira vez o Qatar aceitou realizar um torneio misto, com a participação tanto de homens quanto de mulheres. Mas inicialmente impôs como exigência que as mulheres vistam calças e camisetas de manga longa por baixo do tradicional biquini — ou "sunquini", já que eles são bem mais largos que os habituais usados para tomar sol. Essas vestimentas complementares não são incomuns no circuito, mas costumam ser utilizadas, por iniciativa das atletas, para cobrir o corpo quando faz frio.

Esta é a única etapa confirmada no calendário internacional antes dos Jogos Olímpicos de Tóquio, mas a tendência é que sejam realizadas outras. No ano passado, a temporada foi suspensa logo após a final deste torneio no Qatar. Depois, ao longo do ano, só foram jogadas poucas etapas de uma estrela, que têm premiação baixa e não atraem a elite da modalidade.