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Vacinado e internado com covid, Nabil Ghorayeb diz: sem vacina seria pior

Médico Nabil Ghorayeb - Divulgação
Médico Nabil Ghorayeb Imagem: Divulgação
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

26/02/2021 04h00

Um dos mais respeitados cardiologistas do país, Nabil Ghorayeb está internado com covid em um hospital de São Paulo um mês depois de ter tomado a primeira dose da vacina Coronavac. Agora, também já foi imunizado com a segunda dose. Aos 74 anos, o especialista em medicina esportiva não precisou ser levado para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e diz que seu caso poderia ter sido mais grave sem a imunização.

"Eu tomei a primeira dose da Coronavac no dia 24 de janeiro e a segunda na semana passada. Mas, dois dias antes da segunda dose, eu já estava me sentindo esquisito, achando que era sinusite. Tomei a segunda dose e comecei a piorar. Não conseguia levantar os braços, meu apetite sumiu", contou Ghorayeb.

O blog estava em contato com o médico para uma reportagem sobre a vacinação para esportistas e Ghorayeb chegou a cancelar uma entrevista alegando que estava se sentindo mal e que imaginava ser uma reação à segunda dose da vacina. No domingo (21), estava de cama. No dia seguinte, testou positivo para covid, que ele acredita ter contraído em um descuido natural, como levar a mão à boca.

"Pela evolução, eu melhorei bastante. Eu internei sem apetite, sem vontade de fazer nada. O apetite voltou, o estômago equilibrou. Eu estava enjoado. Os exames de sangue também já normalizaram, já mostraram desinflamação pelo sangue. Só o pulmão que está 25% comprometido. Mas ainda devo ficar mais uns dias internado, por causa dos antibióticos, que têm dose mínima", ele explica.

Ghorayeb foi imunizado com a Coronavac, vacina produzida pelo Instituto Butantan e que tem 50,38% de eficácia após a aplicação das duas doses. Os dados detalhados divulgados pelo instituto apontam um índice de 78% para prevenção de casos leves de coronavírus e o de 100% para casos moderados e graves da doença.

O cardiologista acredita que ter tomado a vacina permitiu que seu caso fosse muito menos complicado do que poderia ser. "Foi ótimo ter tomado a vacina, senão eu estaria em um quadro grave. A vacina segurou bastante. Ela não evita que você pegue a doença. Ela evita que você complique. É o reforço que dá a proteção total. A primeira parte ela tem uma proteção relativa. Se eu não tivesse tomado, eu tenho a impressão que eu estaria entubado agora", afirma.

Ele afirma que, mesmo vacinado, não relaxou os cuidados preventivos contra a doença. Continuou trocando a máscara a cada duas horas, higienizando as mãos, mantendo distância sempre que possível... Mas admite que demorou a procurar o hospital e que isso foi um erro. "Não pensei que seria covid ou, se fosse, que seria uma coisa mais tranquila. Minha mulher pegou também, mas ela não precisou internar. Ela é mais nova, eu tenho 74 anos. Não adianta, para quem é mais velho sempre é mais lento e menos reativo a vacina. É normal, é assim mesmo."