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Eleição do hipismo pega fogo após Federação Paulista ser impedida de votar

Bárbara Laffranchi e Kiko Mari - Divulgação
Bárbara Laffranchi e Kiko Mari Imagem: Divulgação
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

20/01/2021 12h00

Adiada depois que a comissão eleitoral impugnou as duas chapas que concorriam, a eleição da Confederação Brasileira de Hipismo (CBH) virou uma guerra aberta. O clima, que já era pouco amigável, piorou depois que a entidade informou que a Federação Paulista (FPH), a maior do país e que concentra a enorme maioria dos principais ginetes e competições do Brasil, não vai poder votar por causa de uma dívida de R$ 2,7 mil.

Como a primeira eleição não teve concorrentes à presidente porque as duas chapas foram impugnadas por detalhes burocráticos, um novo processo eleitoral foi aberto, com votação no dia 29 de janeiro. No edital, consta que "eventuais inconsistências na documentação e na regularidade das entidades (...) deverão ser corrigidas até o dia 29 de dezembro de 2020, sob pena de vedação da participação da entidade na Assembleia Geral".

Na semana passada, a Federação Paulista passou a cobrar que a CBH informasse quais entidades estão, e quais não estão, aptas a votar. E foi surpreendida com a informação de que estava impedida, por causa de uma dívida de R$ 2,7 mil, referente à taxa de um campeonato de adestramento realizado em novembro. A FPH alega que o torneio era isento e que recebeu a cobrança durante o período de recesso de fim de ano.

A CBH rejeita essa versão e tem um e-mail, enviado para o endereço de "fale conosco" da federação, no dia 14 de dezembro, com o polêmico boleto. Em outra troca de mensagens no dia 17, pelo mesmo endereço, uma auxiliar administrativa da FPH pergunta à CBH se a federação paulista tem pendências. A confederação informa que sim, citando quatro boletos, inclusive esse de R$ 2,7 mil. A funcionária da FPH responde com o comprovante de pagamento de um dos boletos, mas não do de menor valor.

Agora, a CBH alega que, como a federação tinha uma dívida no dia limite de regularização de pendências, 29 de dezembro, ela não pode participar da eleição. "A CBH não pode dar tratamento diferenciado a seus membros ou violar a isonomia. A entidade acredita que regras existem para serem cumpridas por todos os filiados", comentou a entidade.

Já a Federação Paulista alega que havia um acordo com a CBH de que "nenhum pagamento de taxas de adestramento seria exigido no ano de 2020" (o que a confederação nega), que mesmo assim a taxa agora já foi paga e que o valor é "absolutamente irrisório" frente aos mais de R$ 3,5 milhões de contribuições com a CBH em cinco anos. "Trata-se claramente de uma manobra política baixa, buscando cercear o voto da FPH, para que poucos, de forma não democrática, e até suspeita, mantenham-se no poder", acusa a federação presidida por José Vicente Marino.

A briga não deve terminar tão cedo. No mesmo comunicado, de segunda-feira (18), Marino diz que se a comissão eleitoral mantiver sua "infame" posição, a federação vai envidar "todos os esforços" para fazer valer o direito de votar. A entidade apoia a bilionária Bárbara Laffranchi, ex-técnica olímpica de ginástica rítmica, que é a candidata da oposição. Pela situação, concorre Kiko Mari, que já foi presidente da FPH.

Ronaldo Bittencourt, que deveria ter deixado o cargo de presidente da CBH em 31 de dezembro e continuou porque não houve eleição para substituto, soltou nova nota, ontem (19), afirmando que refuta a "desculpa" da federação. "A FPH pagou outros dois boletos cujo os vencimentos era (sic) a mesma data do anterior, o que derruba a tese de que foi o recesso o motivo da inadimplência. A federação sabia dos prazos, uma vez que foi ela mesma que exigiu com urgência que a lista de votantes fosse divulgada o quanto antes."

A polêmica uniu os atletas contra o grupo que está no poder da confederação. Uma carta assinada por diversos ginetes, proprietários de cavalos e treinadores, diz que "a comunidade hípica que assina esse manifesto não pode se sentir representada por uma confederação que, até o momento, não atende os objetivos do seu próprio estatuto".

Os dois primeiros nomes da lista de assinaturas são Doda Miranda e Rodrigo Pessoas, dois maiores cavaleiros do país, que estão rompidos, mas se uniram nessa causa. O grupo pede que a comissão eleitoral não permita que a comunidade hípica de São Paulo seja vítima de "uma das maiores injustiças do hipismo nacional".

A revolta se soma às críticas à forma como a confederação suspendeu a eleição que deveria ter sido realizada no ano passado, não permitindo que fossem dados os votos, mesmo que sub-judice. O novo pleito vai acontecer com os mesmos candidatos, mas eleitores diferentes, porque diversas federações passaram por eleição interna. Além disso, o voto de São Paulo, que reúne a maior parte dos ginetes, criadores e proprietários de cavalos, vale mais do que de outras federações menores.

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