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Olhar Olímpico

Advogado que atacou Mari Ferrer é eleito para conselho na Conf. de Hipismo

Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

12/12/2020 04h00

O advogado Cláudio Gastão da Rosa Filho, que no mês passado teve um vídeo divulgado no qual ele ataca a a influencer Mari Ferrer durante o julgamento em que ela acusava o empresário André de Camargo Aranha de estupro, foi eleito para o Conselho de Administração da Confederação Brasileira de Hipismo (CBH). Presidente da Federação Catarinense, ele é aliado político de Bárbara Laffranchi, que deve se tornar a primeira mulher a presidir uma confederação olímpica que não seja a de ginástica.

A eleição da CBH aconteceu no último dia 30 de novembro, no Rio de Janeiro, menos de um mês depois de o vídeo do julgamento vir à tona e causar repercussão nacional. O site da confederação não tem a ata da eleição e, portanto, não detalha quantos votos Gastãozinho, como é conhecido, recebeu para compor o Conselho de Administração, órgão que, entre outras funções, é responsável pelo Código de Conduta Ética da entidade.

Ao Olhar Olímpico, a CBH disse que "respeita a decisão soberana de sua Assembleia Geral e dará posse normalmente a todos os membros eleitos para o seu Conselho de Administração"." Sobre o caso específico, não há nenhuma atitude no âmbito esportivo que desabone o sr. Claudio Gastão da Rosa Filho. Tampouco houve qualquer reclamação sobre ele em nosso Comitê de Ética. A CBH, como todos os seus dirigentes, defende irrestritamente a legislação vigente no país e em hipótese alguma concorda com atos de violência de qualquer espécie contra as mulheres", comentou a entidade.

Mariana Ferrer relata ter sido estuprada pelo empresário André de Camargo Aranha durante uma festa, em 2018. No vídeo publicado pelo The Intercept Brasil no começo de novembro, Gastãozinho dirige à influencer afirmações como a de que "não gostaria de ter uma filha 'no nível' dela", além de mostrar aos presentes fotos supostamente sensuais. Na gravação, ele afirma que Mariana tirou fotos em "posições ginecológicas" e "chupando o dedinho".

No vídeo, a jovem parece abalada e, mesmo assim, o advogado continua. "Não adianta vir com esse teu choro dissimulado, falso e essa lágrima de crocodilo". A jovem clamava por respeito. "Eu tô implorando por respeito, no mínimo. Nem os acusados, nem os assassinos são tratados da forma como eu tô sendo tratada. Pelo amor de Deus, gente".

O vídeo gerou enorme repercussão, a ponto de o ministro do STF Gilmar Mendes dizer que as cenas eram "estarrecedoras". "O sistema de Justiça deve ser instrumento de acolhimento, jamais de tortura e humilhação. Os órgãos de correição devem apurar a responsabilidade dos agentes envolvidos, inclusive daqueles que se omitiram", escreveu Mendes. O Senado chegou a aprovar de forma unânime um voto de repúdio contra o advogado. A seccional catarinense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SC) o notificou para prestar esclarecimentos sobre a atuação dele.

No hipismo, Gastãozinho, que está no final de seu primeiro mandato como presidente da federação catarinense, já era aliado da candidata Bárbara Laffranchi quando o vídeo veio à tona. Mas a gravação não constrangeu o grupo a manter-se próximo do advogado, que não teve concorrentes para se eleger representante do Sul do país no Conselho de Administração. A eleição presidencial acabou anulada porque as duas chapas, da oposição e da situação, foram rejeitadas pela Comissão Eleitoral. Um novo pleito vai acontecer em janeiro. Bárbara é favorita contra o empresário paulista Kiko Mari.

A modalidade está envolta em polêmica. Esta semana a Federação Internacional de Hipismo anunciou suspensão provisória para Leandro Aparecido da Silva, cavaleiro olímpico que foi gravado agredindo um pônei. A punição veio depois que o STJD da CBH entendeu que não tinha jurisdição para puni-lo, o que a fez a entidade máxima da modalidade intervir. Leandro é o treinador dos cavalos de Bárbara Laffranchi, que tirou seus cavalos da Sociedade Hípica Paulista quando o cavaleiro e treinador foi impedido de entrar no clube como punição pelas agressões.

O Olhar Olímpico procurou a assessoria de imprensa de Bárbara Laffranchi, que não respondeu ao pedido de comentários. A reportagem também tentou contato com Gastãozinho a partir do telefone pessoal do advogado, que não respondeu mensagem nem atendeu ligação. Este post será atualizado com eventuais posicionamentos dele e dela.