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Olhar Olímpico

Doda chama dirigentes de palhaços: "Chega de viajar para comer empada"

Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

01/12/2020 13h15Atualizada em 04/12/2020 19h56

O cavaleiro Doda Miranda, o mais vitorioso entre aqueles que praticam hipismo no Brasil e atualmente organizador de provas, fez post comparando os dirigentes da Confederação Brasileira de Hipismo a palhaços. No Instagram, ele cobrou que os cartolas trabalhem e os acusou de ficarem no poder para "viajar e comer empada às nossas custas".

"Palhaçada sem fim. Articulação para ganhar tempo. Acordem! O hipismo brasileiro não é feito de 'trouxas'! Vazem daí e deixem quem quer desenvolver o esporte trabalhar! Chega de ficar no poder para viajar e comer empada às nossas custas! Queremos concursos com menos burocracias e taxas que não servem para nada! Queremos melhores premiações e o desenvolvimento da base!", postou o duas vezes medalhista olímpico (bronze em saltos por equipes em Atlanta e Sydney).

A CBH deveria eleger um novo presidente ontem (30), mas as duas chapas foram impugnadas pela comissão eleitoral, o que revoltou principalmente o grupo de oposição, do qual Doda faz parte, agora declaradamente. Esse grupo alega que tinha votos suficientes para eleger a bilionária e técnica olímpica de ginástica rítmica Barbara Laffranchi.

O atual presidente, Ronaldo Bittencourt, decidiu na véspera do limite de inscrição de chapas, retirar sua candidatura, uma vez que ele não teria chances de se reeleger. No seu lugar, como candidato da situação, foi apresentado o nome do empresário Kiko Mari, dono da Total Química.

De acordo com a oposição, Kiko correu para juntar toda a documentação a tempo, entre os dias 29 e 30 de outubro. Mas uma das certidões exigidas, da Polícia Federal, de acordo com a oposição, teria sido emitida às 17h01 do dia 30, um minuto além do limite da juntada de documentos.

Essas certidões não foram tornadas públicas pela confederação, que somente autorizou o advogado da oposição, Marcelo Franklin, a visitá-los por uma hora, proibindo-o de tirar cópia. Assim, o relato da irregularidade é dele. A oposição também reclama que o processo eleitoral como um todo não é transparente. Os primeiros membros da comissão eleitoral, supostamente descontentes, renunciaram. Presidentes de federações de oposição também reclamaram que Bittencourt passou a exigir deles que ligassem para o presidente, não para a secretária, para pedir passagens, constrangendo-os.

Em meio a toda essa polêmica, a comissão eleitoral anunciou ontem, minutos antes da eleição, a impugnação das duas chapas. A de Kiko, por que não ter apresentado toda a documentação a tempo. A de Bárbara, por não ter apresentado um certidão específica do TCU que, segundo seus advogados, não é listada no edital — outras duas certidões do TCU, porém, teriam sido juntadas. É isso que Doda chama de "manobra para ganhar tempo".

O grupo de Bárbara e Doda pediu para que a votação fosse realizada mesmo assim, para o caso de no futuro as impugnações fossem revertidas, o que foi recusado pela CBH. Também foi recusado, segundo a oposição, o registro em ata da intenção de voto das federações de oposição, que alegam ter votos suficientes para vencer.

De acordo com a confederação, não há risco de a confederação ficar acéfala, como havia noticiado o blog, porque seu estatuto prevê que, na vacância dos cargos de presidente e vice, assume o secretário-geral da assembleia.

A entidade enviou a seguinte nota ao blog:

Diante dos últimos acontecimentos, a Confederação Brasileira de Hipismo esclarece que cumpriu rigorosamente todos os processos que estavam ao seu alcance na última Assembleia Geral da entidade e que não tinha meios legais para realizar a eleição para presidente e vice-presidente por conta de decisão exclusiva da Comissão Eleitoral diante da necessidade de cumprimento de liminar emitida pela Justiça Comum.

Apesar do impedimento para a realização deste pleito, a CBH concluiu com sucesso a eleição do novo Conselho de Administração da Entidade, órgão responsável pela condução da entidade na ausência do Presidente e Vice-Presidente. O despacho da Desembargadora da 19ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, cujo conteúdo a CBH, através da Comissão Eleitoral, precisou acatar em sua totalidade, foi cumprido da maneira que nos cabia.

A entidade não ficará acéfala e não corre nenhum risco de intervenção externa. Além do novo Conselho de Administração, que cumprirá o seu papel, relembramos o artigo 45º do nosso Estatuto, que diz textualmente: "O mandato do Presidente e do Vice-Presidente durará de sua posse até a posse dos novos mandatários, eleitos pela Assembleia Geral, só cessando, porém, as suas responsabilidades após a passagem oficial do cargo ao seu substituto".

A Confederação reafirma sua tranquilidade em relação à conclusão do pleito eleitoral dentro da normalidade e da legalidade, em conformidade com os prazos determinados por nosso estatuto. O presidente Ronaldo Bittencourt Filho e a Comissão Eleitoral manterão a imparcialidade e o respeito irrestrito aos candidatos e à integridade da nossa confederação.