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Presidente do COI defende proibição para protestos políticos na Olimpíada

Thomas Bach durante entrevista coletiva do COI em Lausanne, na Suíça - Denis Balibouse/Reuters
Thomas Bach durante entrevista coletiva do COI em Lausanne, na Suíça Imagem: Denis Balibouse/Reuters
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

26/10/2020 11h47

O presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, desceu do muro e pela primeira vez indicou que pessoalmente é contra a flexibilização da regra que atualmente proíbe manifestações de cunho político nos Jogos Olímpicos. Em artigo publicado no fim de semana pelo jornal britânico The Guardian, Bach escreveu que a Olimpíada não é sobre política e que precisa se proteger para não se tornar uma "feira de manifestações".

"O poder unificador dos Jogos só pode ser desenvolvido se todos mostrarem respeito e solidariedade uns com os outros. Caso contrário, os Jogos se tornarão uma feira de manifestações de todos os tipos, dividindo ao invés de unindo o mundo", afirmou.

Na esteira do movimento Black Lives Matter, que protesta contra a injustiça racial e ganhou grande visibilidade na NBA, cresceu a pressão da opinião pública especialmente nos países ocidentais para que seja flexibilizada (ou anulada) a Regra 50 da Carta Olímpica, que proíbe qualquer forma de protesto político durante os Jogos.

Quando essa pressão ganhou forte impulso, após as manifestações pelo assassinato do homem negro George Floyd nos Estados Unidos, Bach concedeu entrevista coletiva e defendeu o diálogo com o movimento olímpico. "A Comissão de Atletas está em diálogo com os atletas de todo o mundo para explorar como os atletas podem dar seu apoio de uma forma digna. Seria injusto eu falar alguma coisa agora. A discussão foi iniciada. Vamos deixar os atletas discutirem entre eles e, depois, ver a proposta", disse o dirigente na ocasião.

Agora, com as coisas mais calmas, ele optou por enfim trazer sua opinião pessoal à discussão. "Os Jogos Olímpicos não podem evitar guerras e conflitos. Nem podem abordar todos os desafios políticos e sociais do nosso mundo. Mas eles podem dar o exemplo para um mundo onde todos respeitam as mesmas regras e uns aos outros. Eles podem nos inspirar a resolver problemas com amizade e solidariedade. Eles podem construir pontes que levem a um melhor entendimento entre as pessoas. Dessa forma, eles podem abrir a porta para a paz", ele escreveu.

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