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A um ano da Olimpíada, planos não vão além de poucos dias

Nike apresenta uniforme do atletismo brasileiro em Tóquio - Divulgação
Nike apresenta uniforme do atletismo brasileiro em Tóquio Imagem: Divulgação
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

24/07/2020 04h00

Dono da 11ª melhor marca de todos os tempos no arremesso de peso, Darlan Romani encontrou uma solução caseira para treinar durante a pandemia. Construiu, em um terreno ao lado da sua casa, uma plataforma de arremesso. A obra serviu como solução paliativa até que o Centro de Treinamento do Atletismo, também em Bragança Paulista (SP), reabrisse. Foram duas semanas treinando lá, até que uma decisão judicial mandou que o CT fosse fechado de novo no começo da semana passada. O catarinense voltou para a plataforma improvisada, para seus treinos "meia boca".

"Vamos construir um plano diferente para a Olimpíada. Foco total e torcer para que não aconteçam as intercorrências que tivemos este ano", explica ele, que vai se preparar "sem pressa" para o GP Brasil e o Troféu Brasil, por enquanto marcados para a primeira quinzena de dezembro.

Atletas que planejaram cada passo que dariam ao longo dos últimos quatro anos para, nesta sexta-feira (24), entrarem no Estádio Olímpico de Tóquio para a cerimônia de abertura dos Jogos de 2020 agora não sabem que caminho irão percorrer daqui até a nova data de Tóquio-2020, daqui a um ano, em 2021.

Em Portugal desde o último sábado, a seleção de natação sabe que até o dia 8 de agosto fica em Rio Maior, numa piscina bem iluminada, reservada aos brasileiros. Depois disso, o que vier, virá. O principal clube do país na modalidade, o Pinheiros, decidiu que vai restringir o uso das piscinas do clube aos associados. Os demais vão ter que esperar as regras definidas pela prefeitura serem afrouxadas. Depois de 20 dias em Portugal, a elite da natação brasileira pode ter que voltar a ficar trancada em casa, sem nadar.

Ainda que a pandemia pareça controlada na Europa de forma geral, nos Estados Unidos ela continua matando milhares de pessoas por dia. Maria Eduarda Sumida, que estuda na Universidade de Louisville, uma das equipes universitárias mais fortes dos EUA, não poderá treinar quando chegar ao país, depois de duas semanas de quarentena no México, porque três atletas do time foram contaminados pelo coronavírus e a piscina da universidade foi fechada.

O cenário de incerteza é democrático. Ninguém sabe como serão os próximos meses, nem o Comitê Olímpico do Brasil (COB). A regra é um dia depois do outro. No máximo, uma semana depois da outra. No tênis de mesa, havia expectativa pela realização de um torneio na República Checa, no final de agosto, mas ele foi cancelado esta semana. A Fina também cancelou as etapas do circuito de maratonas aquáticas que faltavam cancelar.

Hoje, criar expectativas para competir é abrir o coração para se frustrar. De novo. A CBDA cancelou todo o calendário da natação até setembro e a confederação de ciclismo colocou todo seu calendário nacional em suspensão até o final do ano. Mas há quem esteja otimista. A Federação Paulista de Basquete deu até a semana que vem para os clubes que quiserem participar do campeonato estadual de 2020 se inscreverem. No Rio, já existe até um desenho de tabela do Carioca de Basquete. A Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) está fechando a lista de inscritos até na Superliga B. Tudo isso sem qualquer autorização para jogos oficiais nos grandes centros — São Paulo, Rio, Minas, Paraná...

Quem tem base contínua no exterior sai na frente, neste caso. O calendário do vôlei, do basquete e do handebol na Europa parece consolidado e o número de brasileiros atuando nessas ligas só cresce. No hipismo, boa parte dos principais cavaleiros da equipe de saltos está competindo com regularidade na Europa ou nos Estados Unidos.

Se há um atenuante nisso tudo é que um ano é, no esporte, bastante tempo para atletas se prepararem. Uma temporada, em qualquer modalidade, dura menos do que isso. No atletismo, por exemplo, o usual é começar a treinar em novembro/dezembro para atingir o auge em julho/agosto, na Olimpíada. Então há alguma margem para as coisas voltarem a algo mais perecido com o velho normal.