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Kipchoge defende tênis proibido e diz que não pensa em novo recorde

Eliud Kipchoge fala com a imprensa em Berlim - Boris Streubel/Getty Images for Laureus
Eliud Kipchoge fala com a imprensa em Berlim Imagem: Boris Streubel/Getty Images for Laureus
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

17/02/2020 10h46

Eliud Kipchoge pode até não vencer o prêmio de melhor atleta do ano de 2019 no Laureus Sports Awards, o Oscar do esporte, que será entregue nesta segunda (17). Mas o queniano é o responsável pelo feito esportivo de 2019 que muito provavelmente mais será lembrado no futuro. Em 12 de outubro, em Viena (Áustria), ele se tornou o primeiro homem a correr uma maratona em um tempo abaixo de duas horas; mais precisamente 1h59min40s.

Desde então as polêmicas a respeito do feito, que nunca valeu como recorde mundial, só têm crescido. A começar pelo tênis usado pelo queniano naquele dia, um protótipo especialmente desenvolvido pela Nike para aquela tentativa de sub2 (como ficou conhecida a busca por um tempo abaixo de duas horas). Há duas semanas, a World Athletics (ex-IAAF), a federação internacional de atletismo, criou limites para a nova era de tênis tecnológicos e deixou o tênis usado por Kipchoge naquele dia fora da linha dos permitidos.

Nesta segunda, em Berlim (Alemanha), em entrevista coletiva promovida pelo Laureus, Kipchoge defendeu seu tênis. "Creio que as sapatilhas que eu usei estão corretas e isso foi comprovado em outras provas. Não vejo nenhum grande problema, nem uma razão para se concentrar nisso", afirmou, tentando fugir de polêmicas. Depois de a World Athletics delimitar as regras para os tênis tecnológicos, a Nike adaptou seu protótipo para poder ser calçado nos Jogos Olímpicos de Tóquio.

Kipchoge, que está confirmado na equipe do Quênia que vai correr a maratona em Sapporo (por causa do prometido calor, as provas de rua foram movidas de Tóquio), é o grande favorito para ganhar o bicampeonato olímpico. O queniano, afinal, tem o melhor tempo da história, obtido em um evento absolutamente controlado, no qual correu com ajuda de coelhos, de um raio laser que marcava onde ele deveria estar a cada instante, e de um clima considerado perfeito.

Ele não acredita que isso desvalorize o seu feito. "O que fiz em Viena não foi uma simulação. Fiquei duas horas correndo. É um erro dizer isso. Antes, ninguém tinha corrido uma maratona abaixo de duas horas e temos que comemorar que um humano conseguiu isso", afirmou.

Antes da Olimpíada ele ainda vai correr a maratona de Londres, em abril, naquela que está sendo considerada, desde já, a prova mais forte de todos os tempos, pelos atletas contratados (maratonistas como Kipchoge cobram cachê alto para correr) e pela presença dos tênis tecnológicos que têm derrubado marcas históricas. "Estou concentrado em Londres e espero fazer uma prova completa, mas não me concentro em marca", disse, refutando uma estratégia para um novo recorde mundial. Segundo ele, a Olimpíada só vai virar seu foco depois da aguardada prova na Inglaterra.