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Liga de Basquete Feminino encolhe e pode morrer se não renovar com a Caixa

Seleção feminina de basquete disputa o Pré-Olímpico - Divulgação CBB
Seleção feminina de basquete disputa o Pré-Olímpico Imagem: Divulgação CBB
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

14/02/2020 11h56

O basquete feminino está cada vez mais na corda bamba no Brasil. Depois de perder seus três jogos no Pré-Olímpico e ficar fora dos Jogos pela primeira vez em 32 anos, a modalidade também viu encolher o número de equipes que disputarão seu único torneio nacional, a Liga de Basquete Feminino (LBF), que terá apenas oito times na atual temporada. Já um reflexo da falta de dinheiro, diante do sério risco de a Caixa Econômica Federal não renovar seu patrocínio à competição. A competição começa no próximo dia 8, mas ainda não tem tabela divulgada.

Dos 10 times que disputaram a temporada passada da competição, dois não renovaram a inscrição: o Instituto Brazolin, de São Bernardo do Campo (SP), e o Sport de Recife, continuação do vitorioso projeto do técnico Roberto Dornelas que vestiu as cores da Uninassau, do próprio Sport e do América-PE no passado. A informação foi publicada pelo Estadão e confirmada pelo Olhar Olímpico.

Dornelas explicou ao Olhar Olímpico que só ficou sabendo no dia 17 de dezembro, em reunião da liga com os clubes interessados em jogar a competição, que a LBF não iria mais arcar com 100% dos custos de transporte, hospedagem e acomodação dos times, além das taxas de arbitragem. Em 45 dias, até 3 de fevereiro, dia limite para inscrição no torneio, ele teria que buscar R$ 250 mil extras, que não estavam no planejamento inicial. Com isso, preferiu não arriscar e não inscreveu a equipe, que foi semifinalista nos sete anos que disputou a LBF.

A mesma reclamação fez a diretoria da equipe de Catanduva, cidade no interior de São Paulo que tem tradição no basquete feminino e joga a primeira divisão estadual. Em nota no fim da semana passada, a diretoria do clube explicou que não teria como arcar com esses novos custos, na ordem de mínimo R$ 100 mil - para o time de Nordeste esse custo é maior porque ele teria que vir a São Paulo para jogar.

Os novos custos são consequência do final do contrato entre a LBF e a Caixa Econômica Federal, que vence agora em março. O acordo, assinado em 2016, injetou R$ 10 milhões na liga em quatro anos. Uma pequena parte desse dinheiro foi economizado e servirá para pagar 40% dos custos de transporte dos times nesta temporada, além de as passagens aéreas e grandes deslocamentos dos árbitros.

Como não há nenhuma garantia de que o contrato será renovado, a liga não prometeu subsidiar nada que não vai conseguir arcar. A Caixa, afinal, é sua única patrocinadora. As duas partes ainda conversam, mas não demonstram otimismo com a renovação. O valor de R$ 2,5 milhões ao ano parece acima do mercado. Recentemente a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) vendeu os naming rights das Superligas, tanto a masculina quanto a feminina, para o Banco do Brasil, por R$ 2,4 milhões.

Diferente das Superligas, que são transmitidas semanalmente pelo SporTV e pela TV Cultura, a LBF não tem nenhum acordo de transmissão pela televisão, apenas pela TV NSports, por streaming - a mesma plataforma também transmite os demais jogos da Superliga. Na temporada passada, a ESPN transmitiu a liga de basquete.

Na comparação com o ano passado, a temporada será mais enxuta, porque o número de clubes será menor. Dezesseis equipes chegaram a participar da reunião de apresentação do projeto, no fim do ano passado, mas seis delas sequer formalizaram inscrição: São Bernardo, Franca, Presidente Venceslau (todos de São Paulo), Uninassau (PE), Goiânia (GO) e Ladies (GO). Mogi das Cruzes (SP) e Bahia LND, de Salvador, não cumpriram os requisitos mínimos e tiveram a inscrição recusada.

Assim, vão participar da competição as equipes de Blumenau (SC), LSB (RJ), Sampaio Corrêa (MA), Vera Cruz Campinas (SP), Santo André (SP), Ituano (SP), Sesi Araraquara (SP) e Sorocaba (SP).

O basquete feminino não tem segunda divisão nacional, nem uma liga de desenvolvimento. Enquanto isso, no masculino, a Confederação Brasileira de Basquete (CBB) travou batalha com a Liga Nacional de Basquete (LNB), que organiza o NBB, para tirar dela os direitos sobre a segunda divisão, antes chamada Liga Ouro. Na atual temporada, 16 times jogam o NBB e outros 14 estarão no "Campeonato Brasileiro", a segunda divisão, que começa daqui a um mês.

Olhar Olímpico