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Gabriel Santos é inocentado pelo CAS e poderá nadar na Olimpíada

Gabriel Santos, nadador brasileiro - Satiro Sodré/SSPress/CBDA
Gabriel Santos, nadador brasileiro Imagem: Satiro Sodré/SSPress/CBDA
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

14/02/2020 08h37

O nadador brasileiro Gabriel Santos, que havia sido suspenso por um ano por doping pelo painel da Federação Internacional de Natação (Fina), foi inocentado na instância máxima da justiça desportiva, a Corte Arbitral do Esporte (CAS). As partes foram notificadas da decisão nesta sexta-feira (14) e logo em seguida a decisão foi publicada pelo tribunal suíço.

"O tribunal entendeu que ele não concorreu com qualquer grau de culpa, e em razão disto nenhum período de suspensão deveria ser aplicado. Saímos com a sensação de dever cumprido e de que a justiça foi feita ao Gabriel", comentou, ao Olhar Olímpico, o advogado Bichara Neto, que defendeu o nadador do Pinheiros.

De acordo com o CAS, foi aceito pelas partes que a substância proibida encontrada em exame feito por Gabriel em maio, o clostobol, entrou no seu organismo por contaminação não intencional. A defesa do nadador sustentou, como já havia feito no painel da Fina, que a substância, encontrada em pomadas para cicatrização, estava na toalha utilizada pelo atleta em um dia em que este dormiu na casa do irmão.

"O painel do CAS de forma unânime entendeu que, nas circunstâncias deste caso, nenhuma irregularidade ou negligência poderiam ser atribuídas ao atleta", explicou a corte, em nota à imprensa. Como foi inocentado, Gabriel está livre para nadar a partir de hoje. Ele está sem competi desde semanas antes do Mundial de Esportes Aquáticos do ano passado, quando foi informado do resultado analítico adverso.

Julgado pelo painel da Fina praticamente na véspera da abertura do evento, recebeu oito meses de suspensão, depois ampliados para um ano. Com isso, ele ficou de fora do Mundial, dos Jogos Pan-Americanos, e não poderia nadar a seletiva brasileira para a Olimpíada, em abril, perdendo os Jogos de Tóquio.

Talvez o menos falado dos quatro componentes do 4x100m brasileiro, Gabriel é o mais regular membro dessa equipe. Chegou de forma surpreendente à seleção na Olimpíada de 2016 e, a partir dali, ganhou seis títulos nacionais seguidos nos 100m livre.

Desde então, os demais componentes do time se alternam, mas ele e Marcelo Cheirighini não saíram de lá. Nadaram com Nicolas Oliveira e Matheus Santana no time que foi quinto na Olimpíada, com Cesar Cielo e Bruno Fratus no grupo prata no Mundial de 2017 e com Marco Ferreira Júnior e Pedro Spajari na equipe campeã do Pan-Pacífico, abrindo o revezamento nessas últimas duas competições. Sem ele, o time foi apenas sexto colocado no Mundial do ano passado. Com ele, a expectativa era brigar entre os quatro primeiros.

Gabriel testou positivo para clostobol em um exame de urina colhido em teste surpresa no dia 20 de maio. O clostobol é um esteroide anabólico andrógeno sintético presente em diversas pomadas para cicatrização. Recentemente, outro atleta da seleção de natação foi suspenso por essa substância: Henrique Rodrigues. Na ocasião, ele conseguiu comprovar que o clostobol chegou ao seu organismo porque a esposa dele havia passado por cirurgia estética e passava uma pomada que continha o clostobol. Mesmo assim, foi suspenso por 12 meses pelo tribunal brasileiro.

Olhar Olímpico