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Interdição do Parque Olímpico afeta Flamengo e seleção de basquete

Arena Carioca 2, no Parque Olímpico da Barra da Tijuca - YASUYOSHI CHIBA/AFP
Arena Carioca 2, no Parque Olímpico da Barra da Tijuca Imagem: YASUYOSHI CHIBA/AFP
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

17/01/2020 04h00

A equipe de basquete do Flamengo e a seleção feminina desta mesma modalidade estão entre os principais prejudicados pela decisão da 7ª Vara Federal do Rio de Janeiro de interditar todas as instalações construídas para os Jogos Olímpicos de 2016. A decisão, proferida na quarta (15), precisa ser executada em até 48 horas, o que significa que os ginásios precisam ser fechados até a tarde desta sexta (16).

Desde o fim da Autoridade de Governança do Legado Olímpico (AGLO), em junho, e a transferência das instalações para o Ministério da Cidadania, a pasta deixou de informar o calendário de utilização das arenas. Além disso, o governo deixou de tornar públicos os contratos de cessão dos ginásios. Assim, não é possível mensurar todo o impacto da decisão judicial. Procurada, a Secretaria Especial do Esporte também não informou se há eventos marcados para o local.

A seleção feminina de basquete, porém, é uma das impactadas. O time está treinando na Arena Carioca 1 desde o início da semana, visando o Pré-Olímpico de fevereiro. O técnico José Neto vai comandar um treino lá na manhã desta sexta e a Confederação Brasileira de Basquete (CBB) diz que já tem outros dois ginásios reservados para o treino da tarde, se a decisão não for revogada até lá. A confederação não diz quais são esses ginásios.

O Flamengo, que está no México jogando contra o Fuerza Regia pelas quartas de final da Champions League América, tem jogo contra o mesmo adversário marcado para domingo (19) à noite na Arena Carioca 1 e, se necessário, um terceiro jogo no mesmo local na terça (21). O Fla já vendeu ingressos para a primeira partida e está discutindo o que fazer. O plano B é jogar no ginásio do Tijuca Tênis Clube, bem mais acanhado. O Maracanãzinho, que não tem piso de basquete instalado, seria um plano C, apenas. Outros jogos programados para a Arena 1 são pelo NBB: no dia 28, contra a Unifacisa, e dia 3 de fevereiro, contra o Basquete Cearense.

Pela Arena Carioca 3, única administrada pela prefeitura, cerca de 280 alunos estão inscritos para utilizar a academia. Além disso, costumam fazer atividades regulares lá os times de basquete e de natação do Flamengo e outros nadadores do Marina e do Minas Tênis Clube.

Prefeitura e governo federal alegam que as arenas têm Documento de Autorização Temporária de Funcionamento (DAFT), emitido pelo Corpo de Bombeiros Militar do Rio de Janeiro, válido até março. A decisão judicial, porém, condiciona a reabertura das arenas à emissão de um Certificado de Aprovação (CA), documento definitivo. Tanto prefeitura quanto Ministério da Cidadania tentam recorrer da decisão para não precisarem fechar as arenas.

O Ministério Público Federal (MPF) pediu a proibição de eventos no chamado legado olímpico assim que acabou o Rock In Rio, em outubro. No mês seguinte, a juíza da 17ª Vara Federal despachou que não havia pressa para tomar uma decisão porque não havia nenhum evento marcado para o Parque Olímpico. Na mesma semana aconteceu ali o megashow de despedida da dupla Sandy & Junior. O MPF não contestou a decisão. Agora, tanto a Justiça quanto o MPF dizem que organizar eventos no legado gera risco de uma "tragédia".