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Por que brasileira lamenta ser promovida de bronze a prata no Pan

Vitória Rosa venceu sua semifinal dos 200 m no Pan de Lima - Pedro Pardo/ AFP
Vitória Rosa venceu sua semifinal dos 200 m no Pan de Lima Imagem: Pedro Pardo/ AFP
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

16/01/2020 16h00

Principal velocista mulher do país na atualidade, Vitória Rosa recebeu com um misto de felicidade e tristeza a notícia, dada a ela pelo Olhar Olímpico, de que será promovida de medalhista de bronze nos 100m dos Jogos Pan-Americanos de Lima para prata. O motivo da chateação é inusitado: a carioca deixará de ser a única atleta a ter uma medalha de cada cor de Lima-2019.

"Sinceramente, tô surpreendida. Tô chateada por um lado e feliz por outro. Feliz de ter subido, subir de posição, por mais para frente estar recebendo essa medalha, mas fico chateada porque até então, até ontem, eu tinha uma medalha de primeiro, uma de segundo e uma de terceiro. Agora vou ter duas de prata, uma de ouro e nenhuma de bronze. Eu tinha sido a única do Pan inteiro com uma de cada", explicou.

O resultado dos 100m no Pan será alterado porque Michelle-Lee Ahye, de Trinidad & Tobago, recebeu anteontem (14) uma suspensão de dois anos aplicada pelo tribunal disciplinar da Wold Athletics (antiga IAAF). Ela descumpriu o código mundial antidoping ao não ser encontrada no endereço indicado para três exames antidoping em um período de 12 meses, em junho de 2018, fevereiro de 2019 e abril de 2019.

Com isso, a suspensão é retroativa a 23 de abril de 2019, o que a faz perder todos os resultados obtidos desde então, inclusive a prata no Pan. Ela pode recorrer, mas, se o gancho for mantido, a prata obtida por Ahye em Lima será repassada a Vitória, que completou a prova em terceiro, a 3 centésimos da caribenha. A brasileira também ganhou a prata nos 200m (atrás só da jamaicana Shelly-Ann Fraser-Pryce, indicada como uma das seis melhores atletas do mundo em 2019 pelo Laureus) e o ouro com o revezamento 4x100m.

Devido a punições por doping, o Brasil já perdeu três medalhas do Pan de Lima: Andressa de Morais perdeu a prata no lançamento do disco (com a realocação de resultados, Fernanda Martins sobe de bronze para prata), Rafaela Silva deixou de ser ouro no judô e a equipe de velocidade no ciclismo de pista perdeu o bronze conquistado na pista. Nesses três casos, as medalhas já foram retiradas pela PanAm Sports, ainda que haja a possibilidade de as atletas recorrerem - Rafaela, por exemplo, apresentou ontem sua defesa à federação internacional de judô.

Com a confirmação da prata para Vitória, o Brasil passa a ficar com 46 medalhas de prata, contra 69 de bronze, além de 54 ouros. O país fechou o Pan na segunda colocação. No total, o país ganhou 168 medalhas.