PUBLICIDADE
Topo

Marília Ruiz

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Antes das finais: o que sobrou dos Estaduais?

Marília Ruiz

Tenho 20 anos de jornalismo esportivo: 5 Copas do Mundo, 4 Olimpíadas, muitos Brasileiros, alguns Mundiais e várias Copinhas. Neste blog seguirei fazendo isso: escrevendo sobre futebol. Sem frescura. Sem mimimi. Para versões oficiais dos clubes e atletas, recomendo procurar as assessorias de imprensa.

22/03/2022 10h03

A temporada brasileira de futebol começou há dois meses. Estamos só agora às vésperas das fases finais dos Estaduais e... E!?

Está aqui uma colunista que gosta dos Estaduais, que acredita que a extinção deles seria contribuir para a elitização ainda maior do nosso futebol (além de matar ainda mais a revelação de jogadores do interior e dos centros menos badalados), que, entretanto, não acredita que dá para tratar o Campeonato Paulista como o do DF.

Chegamos em SP ao 13º jogo. 13 jogos para termos um total de zero surpresa para os mata-matas (infelizmente a ausência do Santos não surpreendeu ninguém). 13 jogos, técnicos demitidos e futebol pouco brilhante aqui e acolá*.

Os clubes (leia-se dirigentes) se importam?

As torcidas se importam?

As federações estaduais estão chateadas com os torneios que organizam?

A CBF está preocupada com o calendário mal feito que ela propõe para agradar as "capitanias hereditárias"?

Há 15 dias do início da fase de grupos da Libertadores e do Brasileiro, a fase final do Estadual servirá para festas das torcidas. Não sou sommelier de alegria. Volto a dizer que não sou a favor do fim dos Estaduais. Acostumamo-nos a criticá-los, mas quem deveria fazer algo, senhores, nada faz.

Com todo respeito, passou da hora de tratar diferentes de forma diferente. Já se faz isso na Copa do Brasil (e nem é a melhor competição para se fazer isso). Times da Série A e B, com calendários preenchidos com 38 rodadas de Brasileiro, não deveriam ter 16 de Estadual somadas.

Façam as contas: 38 + 16 = 54. Não temos 54 semanas no ano. São 52. Sem contar as férias obrigatórias, pré-temporada e quaisquer outras competições (todos têm), esses clubes já largam sabendo que a maratona será desumana.

Não há novidade nenhuma. Mas agora falaremos dos mata-matas, das rivalidades locais e dos primeiros campões do ano.

A conversa volta igualzinha no ano que vem. Jogadores e técnicos reclamarão dos calendários e dos gramados, jornalistas criticarão a falta de competitividade no início da temporada, técnicos perderão emprego e...

*Futebol patinando não se aplica ao Palmeiras, que segue sobrando fisicamente e competitivamente