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Fábio Seixas

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Como estaria a F1 sem os erros da Ferrari?

Charles Leclerc e Max Verstappen, respectivamente primeiro e segundo colocados, no pódio do GP da Áustria -  Clive Rose/Getty Images/Red Bull
Charles Leclerc e Max Verstappen, respectivamente primeiro e segundo colocados, no pódio do GP da Áustria Imagem: Clive Rose/Getty Images/Red Bull

Colunista do UOL

12/07/2022 08h37

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Leclerc não poderia querer início de temporada melhor: hat-trick no Bahrein, com Sainz na segunda posição e Verstappen abandonando. Em Jeddah, perdeu para o holandês no mano a mano, com uma ultrapassagem a três voltas do fim. Coisas de corrida. Nova vitória em Melbourne, novo abandono do rival. Até então a Ferrari vivia um conto de fadas. O monegasco liderava o Mundial, com 71 pontos, enquanto o atual campeão era só o sétimo, com 25.

"Não faz sentido falar em disputa de título", declarou Verstappen na Austrália.

Tudo começou a virar, ironicamente, na Itália. Em Ímola, a 70 km de Maranello, o holandês obteve o máximo de pontos permitido pelo novo regulamento: 34. Leclerc errou. A dez voltas pro fim, subiu na zebra da chicane, rodou e bateu. Era terceiro, terminou em sexto.

Veio Miami. Leclerc saiu na pole, fez o que podia, mas terminou em segundo, atrás do holandês. A Red Bull teve ritmo superior, acontece.

Barcelona: Verstappen venceu mesmo com problemas no DRS e Leclerc, novamente pole, abandonou na 27ª volta com problemas no motor quando lutava pelo terceiro lugar. O campeonato finalmente virou: 110 a 104.

Em Mônaco, nova pole position de Leclerc, mas o pit wall da Ferrari fez lambança: "Box para pneus duros, box para pneus duros... continue na pista!" Poderia vencer, foi apenas quarto. No Azerbaijão, quarta pole consecutiva do monegasco e abandono quando parecia rumar para a vitória, novamente com problemas na unidade de potência.

A F1 cruzou o Atlântico de novo, foi para o Canadá. Leclerc largou em 19º, punido por trocar componentes da unidade de potência e terminou em quinto. Verstappen levou mais uma, mas Sainz poderia ter vencido se a Ferrari não tivesse errado grotescamente na escolha de seus pneus nas voltas finais.

Leclerc foi vítima de erro parecido em Silverstone. Foi deixado na pista com pneus duros no fim da prova enquanto os pilotos logo atrás, Sainz incluído, estavam de macios. Caiu de primeiro para quarto, cruzou a linha de chegada indignado e ainda teve de aguentar um dedo em riste de Binotto ao sair do carro. A ordem do dia era celebrar a vitória do espanhol.

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Mattia Binotto, chefe da Ferrari, conversa com Charles Leclerc ao fim do GP da Inglaterra
Imagem: F1TV/Reprodução

Áustria, enfim. Metade do campeonato, a 11ª das 22 etapas. Leclerc derrubou o favoritismo de Verstappen e pela primeira vez na carreira venceu um GP em que não largou da pole. Retomou a vice-liderança do Mundial. Tem agora 170 pontos, enquanto o holandês lidera com 208.

Cada um abandonou duas vezes por problemas no carro. É algo inerente ao automobilismo, sempre vai acontecer, são situações que estão nas projeções das equipes todo início de ano. E foi um empate. Deixemos isso de lado, pois.

Mas qual foi o custo dos erros da Ferrari nesta primeira parte do Mundial?

Foram 13 pontos perdidos em Mônaco, mais 13 pontos em Silverstone. E, se a escuderia não tivesse errado com Sainz no Canadá, Verstappen poderia ter sete pontos a menos.

É um exercício de lógica num esporte que frequentemente não a respeita. Mas a tabela do Mundial poderia apontar hoje 198 pontos para Verstappen e 196 para Leclerc, considerando a posição que o holandês eventualmente perderia no principado com a vitória do piloto da casa.

Apenas dois pontos. Na metade do campeonato. Poderia estar assim.

Poderia. A Ferrari não deixou.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL