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Danilo Lavieri

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Lavieri: Neymar vai mal, e Tite precisa dar espaço para Raphinha na seleção

Neymar desafia a marcação durante Colômbia x Brasil pelas Eliminatórias - Divulgação/Conmebol
Neymar desafia a marcação durante Colômbia x Brasil pelas Eliminatórias Imagem: Divulgação/Conmebol
Danilo Lavieri

Danilo Lavieri começou a carreira em 2008 e trabalha com futebol desde 2010. Já cobriu Copa, Olimpíada, escreveu a biografia do goleiro Marcos (Nunca Fui Santo) e ganhou prêmio de furo do ano da Aceesp em 2019.

Colunista do UOL

10/10/2021 19h57

Tite segue em sua busca de como melhorar o setor criativo da seleção brasileira. Hoje, ele viu um time começar bem diante da Colômbia, mas depois travar em campo e parar nas várias tentativas erradas de Neymar, que não fez uma boa partida, especialmente no 2º tempo. O placar terminou no 0 a 0, o time continua invicto e a classificação para a Copa está cada vez mais próxima. Mas as dúvidas para chegar até o Qatar permanecem justamente onde o Brasil se acostumou a não ter problemas historicamente.

O jogador do PSG, a exemplo do que fez na Copa América, jogou com liberdade do meio para frente, podendo cair pelos lados dependendo da ocasião, mas majoritariamente centralizado. É por ali que ele conseguia mais espaço, mas errou um passe atrás do outro. Quando acertou, Lucas Paquetá não foi feliz na finalização. Já na reta final, recebeu passe muito bom de Raphinha e errou o domínio com a bola batendo na sua canela.

Tirar o camisa 10 apenas das pontas é uma das estratégias do técnico para melhorar o setor ofensivo da seleção. A lógica é que ele tem qualidade para driblar adversários e achar passes para os atacantes e, quando sofrer a falta, o que acontece com frequência, ela seja marcada em situação de perigo para o adversário.

Mas hoje não deu certo. É compreensível que ele não seja substituído porque, apesar dos problemas, é o que mais tem poder de criação e técnica no time. Mesmo errando tudo durante toda a partida, pode ser em um drible dele que o jogo é resolvido. A questão é que essa não pode ser a única forma de atacar do Brasil.

Enquanto estiveram juntos, Gabigol e Gabriel Jesus fizeram pouco. Por vezes, até trombaram buscando o posicionamento ideal. Quando entrou em campo, Raphinha já conseguiu em poucos lances ser mais perigoso do que todo o ataque verde e amarelo junto nos minutos anteriores. Ele não precisa ocupar o espaço de Neymar, mas precisa ter mais chances em campo.

Já tinha sido assim na virada contra a Venezuela na última partida das Eliminatórias. Se boa parte da torcida torceu o nariz para a convocação do desconhecido ponta do Leeds United, agora começa a fazer campanha pela entrada dele com mais frequência, quem sabe contra o Uruguai na quinta-feira, às 21h30, em Manaus.

Virtualmente classificada para o Qatar, a seleção acerta ao fazer testes nesta reta final de qualificação, mas não pode demorar tanto a apresentar resultados para evitar que o time chegue sem convencer ninguém no Mundial.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL