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Danilo Lavieri

REPORTAGEM

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Com volta do público iminente, times ainda buscam grana com ticket virtual

Clubes buscam alternativas para as arquibancadas vazias como as da partida entre Fortaleza e Corinthians no Castelão - Rodrigo coca / Ag. Corinthians
Clubes buscam alternativas para as arquibancadas vazias como as da partida entre Fortaleza e Corinthians no Castelão Imagem: Rodrigo coca / Ag. Corinthians
Danilo Lavieri

Danilo Lavieri começou a carreira em 2008 e trabalha com futebol desde 2010. Já cobriu Copa, Olimpíada, escreveu a biografia do goleiro Marcos (Nunca Fui Santo) e ganhou prêmio de furo do ano da Aceesp em 2019.

Colunista do UOL

03/08/2021 21h27

Com o retorno do público aos estádios cada vez mais perto, os clubes ainda estão tentando encontrar alternativas para solucionar os impactos financeiros causadas pela falta de público durante esses 15 meses de pandemia. Vários estados sinalizam com a reabertura gradual, mas a receita com ingressos virtuais ainda persistem.

O Fortaleza vai promover a 'Invasão virtual à Maceió' a partir desta terça-feira (3). Trata-se de compra de ingressos virtuais, num movimento de apoio em busca da classificação para as quartas de final da Copa do Brasil, diante do CRB. O confronto acontece nesta quarta-feira (4), em Maceió. No duelo de ida, o Leão venceu por 2x1, jogando no Castelão.

Para participar, foram disponibilizados ingressos simbólicos no valor de R$ 5,00. A cada 500 ingressos vendidos, será sorteada uma camisa Tradição 2021.

"A torcida nos abraçou neste longo período de pandemia dentro das possibilidades dela. Fizemos uma série de ações, promoção de venda de produtos, campanha do sócio-torcedor, lives. Tem sido muito importante o apoio durante o período que estamos chamando de produzir no deserto, sem a verdadeira chama que move um time, que é a torcida dentro do nosso caldeirão", explicou o presidente Marcelo Paz.

Ao longo deste ano, outros clubes também seguiram esse modelo e fizeram promoções com ingressos virtuais, como no caso do Juventude. Para a partida deste domingo contra o Atlético-MG, por exemplo, a promoção está vigente, e a contrapartida é que o torcedor que adquirir seu ingresso concorre a uma camisa oficial, uma camiseta comemorativa, cinco cadeiras históricas e cinco tours.

"Com os ingressos virtuais, além da renda gerada, temos o engajamento da torcida mantido, o que é o mais importante para nós. Por isso, mantivemos o programa sempre com boas premiações para quem participasse, e acabamos nos aproximando num período que as ações estão menos disponíveis", explicou o o vice-presidente de marketing do Juventude, Fábio Pizzamiglio.

Na última semana, foi a vez de o Sport realizar o mesmo tipo de ação antes da partida contra o Ceará. De acordo com dados do próprio clube, as metas foram atingidas, com arrecadação superior a R$ 130 mil vendendo entradas que variavam entre R$ 15 e R$ 150.

Aproveitando a visibilidade durante o confronto diante do Corinthians, pela Copa do Brasil deste ano, o Salgueiro também anunciou a venda de ingressos virtuais. Apesar da meta ser de 2 mil ingressos, o clube conseguiu vender aproximadamente 350 bilhetes, o que representou algo em torno de R$ 4 mil, o suficiente para pagar o hotel onde o time ficou concentrado.

A alternativa recebe elogios de especialistas em marketing, que ressaltam que os clubes que estiverem melhores preparados e conseguirem buscar outras formas de receita durante a pandemia conseguirão resistir um pouco mais aos danos financeiros.

"A maioria dos clubes, dentro de suas possibilidades, tiveram que se reinventar e fazer com que o torcedor continuasse ativo, principalmente lá atrás, quando ficamos alguns meses sem jogos. Dentro de tudo isso, o digital e as redes sociais tiveram um componente valioso e fundamental durante este período, pois permitiu que esse engajamento se tornasse mais real e até afetivo em alguns momentos", explica Renê Salviano, fundador da empresa HeatMap e ex-diretor comercial, marketing e novos negócios do Cruzeiro, e há mais de 20 anos com experiência no mercado.

No começo deste ano, até mesmo a Conmebol resolveu apostar nesta tipo de evento ao realizar a venda de ingressos virtuais na final da Copa Libertadores entre Palmeiras x Santos. Na ocasião, a entidade abriu uma venda simbólica de ingressos no valor de R$ 20. Os torcedores que participaram da campanha receberam um ingresso virtual da final para guardarem como recordação, e a chance de ganhar uma camisa autografada pelos jogadores.

Bruno Maia, sócio da agência 14, diz que novos planos que envolvam interação com torcida são sempre boas saídas, mas precisam vir acompanhados de um plano mais estratégico.

"Essas ideias são excelentes, mas por trás deste tipo de ação seria bom aprofundar e entender conhecimento de onde são e quem são esses fãs, aqueles capazes de pagar por algo que não vai acontecer. Esses dados são extremamente valiosos, capazes de puxar muitas ações de engajamento e de geração de receita. É importante que os clubes tenham esses dados internamente e estejam trabalhando, tratando-os. Isso poderá gerar novas frentes de receitas planejadas no futuro", aponta.

O Internacional não vendeu ingressos, mas teve bons resultados com o plano 'Estaremos Contigo', que trouxe uma camisa exclusiva e premiou mais de cinco mil sócios que anteciparam as mensalidades durante o período sem jogos. O clube também realizou a criação da Liga Colorada, campeonato de futebol eletrônico promovido pela instituição. A ação permitiu que os participantes disputassem prêmio em quatro modalidades diferentes: no Playstation 4 ou no Xbox 360 e no Fifa 20 ou no Pro Evolution Soccer 2020.

"Foram maneiras de aproximar o torcedor do clube em um momento difícil e distante com portões fechados. Costumamos dizer que esse caminho precisava ser de mão dupla, e será assim quando o público voltar a nossa casa, promovendo engajamento e oferecendo benefícios que o façam se sentir acolhidos", explica Jorge Avancini, vice-presidente de marketing do Colorado.

Para o professor e especialista em marketing esportivo Marcelo Palaia, as agremiações precisam manter a criatividade mesmo com o retorno do público aos estádios.

"Até porque será algo gradual neste início. A maioria dos clubes aprendeu com as adversidades e tentou encontrar mecanismos de engajamento e faturamento com ações virtuais. Mas isso não só pode como deve ser mantido quando os portões forem reabertos. A geração de novos conteúdos e principalmente de ativações das marcas envolvidas precisa sempre ser tratada com prioridade, pois o mundo hoje é do digital, e a monetização em torno disso é mais um passo de crescimento de todas essas instituições. Vai ser na frente quem tiver departamentos capacitados e profissionalizados com isso", finaliza.