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Danilo Lavieri

REPORTAGEM

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Seleção brasileira consegue bater de frente com qualquer rival pelo mundo

Jogadores da seleção brasileira comemoram gol sobre a Venezuela, na abertura da Copa América - Mateus Bonomi/AGIF
Jogadores da seleção brasileira comemoram gol sobre a Venezuela, na abertura da Copa América Imagem: Mateus Bonomi/AGIF
Danilo Lavieri

Danilo Lavieri começou a carreira em 2008 e trabalha com futebol desde 2010. Já cobriu Copa, Olimpíada, escreveu a biografia do goleiro Marcos (Nunca Fui Santo) e ganhou prêmio de furo do ano da Aceesp em 2019.

Colunista do UOL

10/07/2021 04h00

A seleção brasileira pode até não encantar, pode não levantar o torcedor do sofá e até gera sentimento de antipatia, como vimos em uma onda de brasileiros declarando torcida pela Argentina na final de hoje (10). O fato é que a equipe armada por Tite consegue enfrentar qualquer adversário em condições de igualdade. E isso não é pouca coisa.

É óbvio que o time tem problemas e não é perfeito. A dificuldade para furar algumas retrancas ficou clara em partidas como a contra o Equador, mesmo que a escalação tenha sido uma alternativa. Se Neymar vive um dia pouco inspirado, a esperança é acertar uma jogada aérea e aí fazer o rival tirar o ônibus da frente da área. Há mais talento para ser apresentado como resultado de um conjunto melhor.

Mas o fato é que a seleção tem um sistema defensivo extremamente forte, que quase não sofre gol e que é melhor do que praticamente todas as seleções do mundo. Podemos até ter a França com mais poder de fogo, mas sabe quando o Brasil tomaria três gols da Suíça como aconteceu na eliminação na Eurocopa? No ciclo de Tite, a seleção não foi vazada três vezes em nenhuma ocasião. São cinco anos.

O elenco tem excelentes jogadores e que seriam titulares em 95% das equipes com facilidade em todas as posições, até mesmo nas laterais, que são os setores que a comissão mais sofre para achar alguém que ocupe os espaços deixados por Daniel Alves e Filipe Luís.

Não é fácil dominar um adversário nos dias de hoje, quando o acesso à informação e o estilo de jogo de cada atleta está detalhado em uma simples busca no Google. Esse é o trabalho de Tite e é para isso que ele precisa ser cobrado, mas, no atual estágio, o Brasil entra na Copa do Mundo como um dos favoritos de novo. E não é pela inércia de sempre apontarmos a Amarelinha no bloco da frente.

Argentinos, belgas, italianos, ingleses, franceses... Todos, quando questionados sobre os principais adversários, citam o Brasil. A questão é que a seleção tem causado antipatia por diferentes motivos e que aumentam ainda mais o nível de exigência do torcedor.

A CBF não cansa de prejudicar seu próprio produto ao destroçar os times com o calendário que não para e prejudica os candidatos ao título no Brasileirão. Aqui, o time vem sempre antes da seleção e quando a entidade age assim está praticamente pedindo para que o povo torça contra.

Até mesmo no âmbito social há reflexo. Em meio a uma crise política, com escândalos de corrupção e diversos problemas sanitários, o único que se posiciona de verdade é Richarlison. Será que a falta de empatia do jogador com o povo não faz o sentimento ser recíproco? Será que se os jogadores mostrassem mais preocupação com as vítimas de covid-19 os familiares poderiam se identificar mais com o time?

Será que é justo que a CBF venda os direitos de amistosos para uma empresa que marca amistosos em qualquer lugar do mundo menos no seu próprio país? Não adianta a seleção exigir que torçam por ela sem que eles façam no mínimo um esforço para reconquistar o seu povo.