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Danilo Lavieri

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Conmebol é negacionista ao manter Libertadores e Copa América na Colômbia

Policiais durante protestos contra o presidente da Colômbia, Ivan Duque, em Bogotá - Raul Arboleda/AFP
Policiais durante protestos contra o presidente da Colômbia, Ivan Duque, em Bogotá Imagem: Raul Arboleda/AFP
Danilo Lavieri

Danilo Lavieri começou a carreira em 2008 e trabalha com futebol desde 2010. Já cobriu Copa, Olimpíada, escreveu a biografia do goleiro Marcos (Nunca Fui Santo) e ganhou prêmio de furo do ano da Aceesp em 2019.

Colunista do UOL

13/05/2021 21h57

A Conmebol tem dado show de horror ao lidar com a continuação do futebol durante crises pelo continente. Hoje (13), a entidade protagonizou mais um espetáculo de terror com a sua principal competição entre clubes ao forçar Atlético-MG e América de Cali a entrarem em campo na Colômbia em meio a protestos que tem momentos de guerra civil por todo o país.

O jogo da Libertadores precisou ser paralisado por causa do efeito de gás lacrimogêneo que dificulta a respiração de todos em campo. Ontem, a situação há havia sido bastante parecida no duelo entre Júnior Barranquilla e River Plate, quando atletas caíam no gramado em determinados momentos por conta desses problemas.

Depois da partida, o técnico do time argentino, Marcelo Gallardo, afirmou que foi inviável se concentrar 100% no jogo por conta não só dos efeitos do gás, mas também pelo barulho de bombas que estouravam nas redondezas do estádio e assustavam todos dentro do estádio. A Sul-Americana também desafia o mesmo problema.

Uma das soluções já fez clubes viajarem de um país para o outro, como o Equador por exemplo, com menos de 48 horas de antecedência. É inviável afirmar que isso não prejudica o desempenho dos times envolvidos.

Para piorar, a Conmebol ainda mantém o planejamento de ter a Copa América na Colômbia. A um mês da estreia da competição, a entidade afirma que não há problemas de mandar todas as seleções do continente, equipes de jornalismo e seus próprios funcionários para um país em ebulição.

Só a situação pandêmica já seria o suficiente para que as competições fossem canceladas ou paralisadas de acordo com a situação de cada país. Mas os clubes e a entidade toparam cumprir um protocolo que em tese evita a disseminação do vírus. Ainda assim, a decisão é questionável. Manter os jogos por lá com tantos problemas nas ruas, no entanto, é uma loucura ainda maior. O futebol não pode ser dissociado da sociedade.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL