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Sem candidatura, Moro volta ao PR e diz que mulher pode representá-lo em SP

Abinoan Santiago

Colaboração para o UOL, em Florianópolis

14/06/2022 11h44Atualizada em 14/06/2022 13h24

O ex-juiz e ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro (União Brasil) disse hoje (14) que vai "circular" pelo Paraná para definir a sua candidatura nas eleições de outubro.

Os planos foram comunicados em pronunciamento em um hotel de Curitiba, uma semana após o TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo) invalidar a mudança do registro do domicílio eleitoral de Moro para a capital paulista. Moro lembrou, entretanto, que sua mulher, Rosângela Moro, continua com domicílio eleitoral em São Paulo e poderá "representá-lo".

No anúncio, o ex-juiz afirmou que, agora, o "objetivo primário é circular o Paraná e se reconectar com o povo paranaense" e não confirmou a qual cargo deve se candidatar. Além dele e de Rosângela Moro, participaram do evento o presidente estadual do União Brasil-PR, Felipe Francischini; o vice do diretório paulista Junior Bozella; e o pré-candidato à Presidência pelo partido, Luciano Bivar.

Há um questionamento se vou ser candidato. Mas o meu objetivo primário é circular o Paraná e me reconectar com o povo paranaense e essa decisão [da [candidatura] será tomada adiante com o União Brasil nacional e o estadual. Acima de tudo, quem vai decidir isso é a população do estado, ouvindo seus problemas. Ela que vai decidir meu destino."
Sergio Moro (União Brasil), ex-juiz e ex-ministro

Moro declarou ainda que discorda, mas respeita a decisão do TRE-SP. Por outro lado, disse estar "feliz" e "radiante" em retornar ao estado onde nasceu e ganhou projeção nacional.

"Voltei ao Paraná, apesar de discordar da decisão do TRE, mas respeito. Acatando [a decisão], estou muito feliz em voltar e construir um novo projeto político pelo União Brasil", declarou. "Foi onde eu nasci, cresci, constitui minha família, onde pude me tornar juiz federal e participar da criação de um capítulo importante da história do Brasil, que foi a Lava Jato."

Ainda sem confirmar o cargo ao qual vai concorrer em outubro, ele afirmou ter cinco pilares para discutir enquanto faz um "périplo" pelo estado: combate ao crime organizado, tornar o estado livre da corrupção, incentivo ao agronegócio, simplificação tributária, e educação e saúde de qualidade.

Rosângela continua em São Paulo

Mesmo com o retorno do ex-juiz ao Paraná, a esposa Rosângela Moro continuará em São Paulo. O ex-ministro chegou a dizer que ela vai representá-lo nas eleições paulistas —mas que a decisão sobre a candidatura será dela.

Apesar de o casal não deixar claro quais são os planos de Rosângela, outras pessoas que participaram da coletiva a chamaram de "deputada".

Minha esposa permaneceu em São Paulo e estará pronta para me representar com meus princípios e valores e os dela. É decisão dela se vai ou não seguir uma carreira política."
Sergio Moro (União Brasil), ex-juiz e ex-ministro

Questionada por jornalistas, Rosângela desconversou. "Essa resposta ainda não vou poder dar, é uma decisão ainda não tomada", afirmou, citando inclusive "questões pessoais" que devem ser consideradas nos próximos meses.

Pedido de impugnação no próprio partido

A pré-candidatura de Moro no Paraná, entretanto, enfrenta resistência. Durante a coletiva, Francischini confirmou que uma filiada ao próprio União Brasil contestou a pré-candidatura de Moro a um cargo no Paraná —já que ele havia registrado domicílio eleitoral em outro estado durante a janela partidária.

O deputado federal disse que o departamento jurídico do partido vai responder ao questionamento.

"A gente respeita, mas é uma pessoa não atuante, que entrou em 2016, antes da fusão [do DEM e do PSL, que resultou no União Brasil]. Não tem fundamento algum, a filiação de Segio Moro no Paraná não terá problema. A ficha de filiação é interna do partido, mas estamos elaborando um estudo para dar segurança jurídica de que não terá problema algum."

Quando foi questionado por um jornalista, Moro passou a palavra a Francischini. Após a fala do parlamentar, retomou o microfone e minimizou o impasse. "No fundo isso é bobagem. É tapetão para que a gente não participe. Temos que respeitar a posição da filiada, mas existe um risco zero", alegou o ex-ministro.

Contexto eleitoral para Moro no Paraná

Se decidir pelo Senado, Sergio Moro deve concorrer contra o ex-aliado Álvaro Dias (Podemos), que pode tentar a reeleição. Foi Dias quem inseriu o ex-juiz no campo político-partidário ao levá-lo para o seu partido para lançá-lo à Presidência.

"Acho prematuro qualquer juízo de valor ao senador Álvaro Dias, mas não estou decidido sobre qual cargo que vou concorrer", respondeu Moro ao ser perguntado sobre uma eventual disputa entre os dois.

Na ala bolsonarista, o pré-candidato ao Senado é o deputado federal Paulo Martins (PL), que recebe apoios do governador Ratinho Junior (PSD) e do presidente Jair Bolsonaro (PL), desafeto político do ex-ministro.

Já na disputa por uma vaga na Câmara, Sergio Moro poderá dividir votos de adeptos da Operação Lava Jato no Paraná com o seu aliado Deltan Dallagnol, ex-procurador que comandou as investigações na força-tarefa no MPF (Ministério Público Federal).
Sobre essa eventual disputa, Moro disse que "são várias vagas" e que ambos podem vencer.

"Em relação a ele, não existe disputa. Na verdade, temos respeito recíproco e defendemos as mesmas causas. São várias vagas e acredito que a população do Paraná vai reconhecer a Operação Lava Jato."

Vaivém de Sergio Moro

Sergio Moro se filiou pela primeira vez a um partido político em novembro de 2021, ao assinar a ficha do Podemos. Na ocasião, a legenda o considerava presidenciável para emplacar na chamada "terceira via", que tenta contrapor a polarização entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL).

O ex-juiz, contudo, saiu do Podemos em 31 de março, e se filiou ao União Brasil, mudando seu domicílio eleitoral de Curitiba para São Paulo. Ao entrar nas fileiras do novo partido, Moro afirmou que desistiria da pré-candidatura à Presidência, chegando a ensaiar que disputaria o Senado, pois a Câmara não estava em seus planos.

Por outro lado, nunca houve consenso dentro da legenda sobre qual cargo tentaria por São Paulo. Até para o governo o União Brasil chegou a cogitar o nome do ex-ministro do governo Bolsonaro.

Em meio ao impasse, em 20 de abril, Moro citou que poderia nem concorrer a nenhum cargo.

Após o TRE-SP barrar seu domicílio eleitoral na capital paulista, o aliado de Sergio Moro, o vice-presidente do diretório paulista do União Brasil, deputado federal Junior Bozella, defendeu que o ex-juiz deveria aceitar a decisão da Justiça e "recalcular a rota" para disputar uma vaga na Câmara pelo Paraná, podendo ser, inclusive, presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), em caso de vitória das urnas e se o partido conseguir a maior bancada da Casa.