PUBLICIDADE
Topo

União Brasil SP diz que convite a Moro foi para deputado ou senador

Moro e o vice-presidente do União Brasil em São Paulo, Júnior Bozzella - Divulgação/União Brasil
Moro e o vice-presidente do União Brasil em São Paulo, Júnior Bozzella
Imagem: Divulgação/União Brasil

Carla Araújo e Gilvan Marques

Do UOL, em Brasília e em São Paulo

01/04/2022 19h37

O deputado federal Alexandre Leite, tesoureiro do União Brasil São Paulo, divulgou comunicado na noite de hoje onde afirma que o convite feito ao ex-ministro Sergio Moro foi para concorrer à vaga na Câmara dos Deputados ou, eventualmente, ao Senado. Na nota, Leite diz ainda que, caso Moro insista em se candidatar à Presidência da República, o partido irá impugnar a sua filiação.

O União Brasil São Paulo reafirma que a filiação do ex-juiz Sérgio Moro se deu com a concordância de um projeto pelo estado de São Paulo, isto é, deputado estadual, deputado federal ou, eventualmente, Senado. Em caso de insistência em um projeto Nacional, o partido vai impugnar a ficha de filiação de Moro. Texto assinado por Alexandre Leite

Mais cedo, Moro convocou a imprensa para realizar um pronunciamento e, na ocasião, disse que não desistiu de nada, mas que também não será candidato a deputado federal.

Preciso esclarecer a todos que eu não desisti de nada, muito menos do meu sonho de mudar o Brasil. Pelo contrário, sigo firme na construção de um projeto para o País. O Brasil está em um ano eleitoral decisivo, no qual iremos escolher que tipo de país queremos ser. Sergio Moro

Moro havia reconhecido ontem que desistiu, pelo menos naquele momento, de disputar a Presidência da República. Hoje, porém, ele afirmou que não abandonou o sonho de livrar "o Brasil dos extremos", referindo-se diretamente a dois possíveis rivais nas eleições que serão realizadas em outubro: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o atual presidente, Jair Bolsonaro (PL).

"Para livrar o Brasil desses extremos coloquei o meu nome à disposição do país. Não tenho ambição por cargos. Se tivesse, teria permanecido como juiz federal ou ministro da Justiça. Também não tenho a necessidade de foro privilegiado ou outros privilégios que sempre repudiei. Aliás, não serei candidato a deputado federal", completou, na sequência.

Moro fez a troca de legenda no penúltimo dia da janela partidária, que se encerra nesta sexta-feira (1). Até então, o ex-ministro da Justiça estava filiado ao Podemos e vinha oscilando entre a 3ª e a 4ª colocação nas pesquisas para Presidente, sem chegar a alcançar dois dígitos de intenção de voto. Um dos motivos para a troca de legenda teria sido financeiro.

Membros do partido ligado à ACM Neto reagiram muito mal à declaração pública de Moro, e trataram a aposta de Moro como "amadora". "O ex-juiz não soube sair do Podemos com dignidade, ao não avisar o partido antes e chega ao União Brasil da mesma forma", afirmam.

Como Moro é filiado em São Paulo, a nota é assinada pelo diretório estadual como uma resposta dele à coletiva em que disse não ser candidato à Câmara, descumprindo o acordado.

Membros da executiva nacional do partido já contabilizam ter ao menos oito votos (o que já soma quase metade dos 17 membros com direito a voto) pela impugnação da filiação caso Moro insista no discurso de que é candidato à Presidência.

Podemos rebate Moro

Horas depois do anúncio feito por Moro, ontem, a presidente do Podemos, a deputada federal Renata Abreu (SP), contou outra versão e disse que soube da mudança por meio da imprensa sobre, em nota enviada à imprensa.

"Para a surpresa de todos, tanto a Executiva Nacional quanto os parlamentares souberam via imprensa da nova filiação de Moro, sem sequer uma comunicação interna do ex-presidenciável", disse ela. Renata Abreu ressaltou ainda que o Podemos sempre respeitou o "momento de vida profissional e pessoal" de Moro.

Segundo a presidente, a sigla ficou por mais de um ano conversando com ele até a filiação e lançamento da pré-candidatura, e em busca de "oferecer ao Brasil uma esperança contra a polarização dos extremos". A carta também pontua que, apesar de não ter "a grandeza financeira" de outros partidos, o Podemos "sonha grande".

O comunicado ressalta, ainda, que "não mediu esforços" para garantir tudo que fosse preciso para uma "pré-campanha robusta", e citou o evento de filiação, assim como os apoios fornecidos a Moro para que ele pudesse circular em segurança pelo Brasil.