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'Temos que pedir desculpas ao povo por ter errado', diz Lula sobre PT

Lucas Borges Teixeira

Do UOL, em São Paulo

08/06/2022 11h30Atualizada em 08/06/2022 13h05

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu desculpas sobre possíveis erros das gestões petistas, mas não citou exemplos nem deu detalhes. Lula afirmou hoje, durante entrevista, que é preciso "voltar à rua e à periferia para conversar com o povo".

Retomar conversas com diferentes setores produtivos e movimentos sociais tem sido uma das estratégias da pré-campanha petista neste primeiro momento. Diagnostico com covid-19 no último domingo (5), o ex-presidente interrompeu a agenda e deu entrevista a uma rádio mineira de sua casa, em São Paulo.

"Nós temos que pedir desculpas ao povo por ter errado. Nós temos que tentar corrigir aquilo que nós não fizemos de correto. Isso não é vergonhoso. A palavra 'desculpa' só é feita por gente grande, com dignidade, moral e caráter. Pessoas pequenas, gente medíocre não têm coragem de utilizar a palavra 'desculpa'", disse o ex-presidente.

Lula falava das obras realizadas pelas gestões petistas (2003-2016) em Minas Gerais. Sem citar exatamente quais seriam os erros a serem corrigidos, o ex-presidente citou um distanciamento com o "povo" e um problema de comunicação ao mostrar os acertos do PT.

Como eu sei que o PT fez muita coisa boa na cidade que ele governou, o PT precisa voltar a ser grande. E, para ser grande, a gente precisa conversar com o povo. A gente precisa voltar à porta de fábrica, voltar à porta de comércio, porta de loja. A gente tem que voltar na rua, na periferia. Para conversar com o povo. É assim que se faz um partido, se constrói uma vitória, se governa. E, quando ganhar, não se distanciar do povo. Quando ganhar, voltar para governar junto ao povo."
Lula, em entrevista a rádio mineira

Esta reaproximação junto de trabalhadores e movimentos populares, berço do PT, tem sido muito discutida no partido desde a derrota para o presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2018 —antes mesmo de se tornar o principal foco da pré-campanha.

Em São Paulo, o ex-presidente se encontrou com jovens da comunidade de Heliópolis e com movimentos femininos na Brasilândia, zona norte da capital. Também promoveu dois grandes encontros com centrais sindicais e movimentos sociais. Em Sumaré (SP), foi a uma ocupação viabilizada pelo governo Dilma Rousseff (PT).

O cronograma se repetiu na primeira viagem que fez com o pré-candidato a vice, Geraldo Alckmin (PSB), ao Rio Grande do Sul. Em Porto Alegre, ouviu demanda de educadores, cooperativistas e trabalhadores da cultura em três eventos diferentes.

Nesta semana, participou ainda do lançamento de pré-candidaturas da coalizão negra, de forma remota por causa do coronavírus, e tinha um encontro com trabalhadores do setor energético, que acabou cancelado.

"É preciso que a gente tenha uma capacidade de fazer uma autorreflexão para que a gente corrija os erros que a gente cometeu e possa acertar daqui pra frente", concluiu o ex-presidente.