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Quilombolas do Vale do Ribeira distribuem alimentos a 19 mil famílias

Quilombolas do Vale do Ribeira distribuem alimentos a comunidades de SP - Manoela Meyer/ ISA
Quilombolas do Vale do Ribeira distribuem alimentos a comunidades de SP Imagem: Manoela Meyer/ ISA

Lígia Nogueira

Colaboração para Ecoa, em São Paulo

23/04/2021 10h28

Na foto que você vê acima, Fernando Gonçalves, Ezequiel Gonçalves e Joel Dias Gonçalves, do Quilombo Cangume, colhem mandioca na roça. O alimento, produzido pelos quilombolas do Vale do Ribeira, no interior paulista, vai para a mesa de famílias do Jardim São Remo, favela na zona oeste de São Paulo, desde março do ano passado. A iniciativa faz parte de uma ação emergencial para manter a geração de renda nas comunidades quilombolas e aliviar o impacto da pandemia de covid-19 entre as pessoas em situação de vulnerabilidade.

Até agora, graças à união entre a Cooperativa dos Agricultores Quilombolas do Vale do Ribeira (Cooperquivale), associações quilombolas, lideranças comunitárias e o Instituto Socioambiental, entre outras organizações, foram realizadas oito entregas de alimentos, que somaram mais de 150 toneladas de produtos da roça quilombola e da pesca caiçara, beneficiando cerca de 19 mil famílias.

O resultado positivo é fruto de um processo que envolve organizar a produção, coletar os alimentos e distribuir na periferia paulistana no meio da pandemia.

"Nós trabalhamos com 16 comunidades quilombolas em quatro municípios: Eldorado, Iporanga, Jacupiranga e Itaoca. Cada comunidade tem um monitor. Quando chega no dia da colheita, a gente passa uma mensagem e organiza tudo com ele. O caminhão da cooperativa marca o dia para retirar o que foi produzido em cada comunidade. Na sede da cooperativa a gente descarrega os produtos e separa tudo —é uma variedade enorme de alimentos. Depois de separar, fazemos a pesagem para ter o controle do que vai ser distribuído", conta Michel Guzanchi, coordenador da Cooperquivale, descrevendo a rotina no Vale do Ribeira.

Na pandemia, descobrimos um potencial para enfrentar desafios que nós não sabíamos que tínhamos. Pensar que nós, quilombolas, estamos alimentando mais de mil famílias por mês com produtos sem agrotóxico faz a gente querer crescer ainda mais para ajudar quem precisa

Michel Guzanchi, coordenador da Cooperquivale

Aos 32 anos, Michel é o mais novo coordenador da organização, que representa 268 cooperados. "Sair da nossa comunidade para ir para a favela São Remo, carregando o nome da Cooperquivale no peito, é muito satisfatório. É fruto do trabalho que estamos fazendo com dedicação e carinho", diz.

Além da mandioca, chegaram à mesa das comunidades cará, inhame, abóbora, três tipos de batata-doce, palmito, banana, maná-cubiu (planta da família das Solanaceae), abacate, limão cravo, jaca mole, mel, rapadura e peixe seco da Associação de Moradores da Enseada da Baleia, da Ilha do Cardoso, em Cananéia (SP).