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Só a auto-organização vai nos salvar!

Mari Rodrigues

Estudante de Letras, Marina Rodrigues participa da Frente de Diversidade Sexual e de Gênero da USP. É apaixonada por comida do norte e por reciprocidade nas relações. Ainda está decidindo o que vai fazer com sua vida.

30/05/2020 04h00

Disse isso no texto anterior e reafirmo hoje.

Nestes tempos de pandemia, parece que quem devia estar fazendo seu papel não o faz ou o faz de forma insuficiente. Ao mesmo tempo, os ânimos acirrados de todos os lados nos fazem pensar que as pessoas tampouco têm muito norte. Vou citar alguns casos que me fazem pensar na importância da auto-organização das pessoas nos últimos tempos e espero que mais iniciativas como essas surjam.

Desde a junção de forças no Capão Redondo, sobre o qual falei semana passada e tenho participado com mais proximidade, até ações semelhantes de apoio às pessoas LGBT+ mais vulneráveis no ABC, na República, e em tantos outros lugares de São Paulo e do restante do Brasil, ver como essa corrente do bem se traduz em ações efetivas supera as dificuldades que não são poucas. Há quem ainda se incomode com o bem sendo feito e isso é muito triste. Por sorte, mesmo algumas autoridades estão vendo que este é um trabalho que deve ser apoiado e não censurado.

Outro exemplo de união que faz a força vem do campo das palavras. Uma recente discussão no grupo da faculdade sobre linguagem neutra resultou em um verdadeiro show de horrores. Insultos, deboches, mostras de total preconceito transfóbico: uma completa baixaria que só mostra o quanto ainda temos que lutar pela validade de nossas vozes. O coletivo LGBT+ do curso teve que intervir e fazer uma nota explicando o porquê do erro nas abordagens e também uma forma de trazer esse debate de forma civilizada e embasada. As pessoas envolvidas nos insultos e deboches vão procurar se informar? Não sei, mas isso fala mais sobre elas do que sobre quem trouxe o assunto à tona.

Posso parecer uma sonhadora falando sobre essa união de pessoas. E sou mesmo. Sonho com um mundo em que nossas forças iluminadas vençam o mal; a fome, a desesperança, o ódio, devem ser plenamente combatidos, e só quando pessoas se aliam a pessoas, com o interesse comum de ajudar a si e a outrem, uma diferença consegue ser feita.