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VW Nivus: veja qualidades e problemas que SUV pode herdar de Polo e Virtus

Leonardo Felix

Colaboração para o UOL

28/07/2020 04h00

Especialistas em mercado automotivo costumam recomendar que se evite comprar um novo modelo tão logo ele tenha sido lançado. Afinal, só com alguns meses de loja será possível estar preparado para possíveis falhas de projeto que hão de surpreender os primeiros compradores. Mas como levar esta dica à risca se a tentação de ser um dos primeiros donos de um determinado carro falar mais alto?

Veja o caso do Volkswagen Nivus: sua pré-venda incluía gratuitamente um pacote estético de R$ 1.700, um ano de prazo para pagamento da primeira parcela, seguro grátis por 12 meses e até mensalidades do Sem Parar também gratuitas. Não à toa, os dois lotes oferecidos pela marca se esgotaram rapidamente, e até clientes que tentaram fechar a compra por fora no ínterim entre um e outro acabaram contemplados.

Se muitos adquiriram o Nivus sem sequer terem visto o carro ao vivo, ao menos terão alguma base para prever suas qualidades e possíveis defeitos. Isso porque o SUV cupê compartilha plataforma, mecânica e boa parte da estrutura com dois modelos já bem estabelecidos no país, Polo e Virtus.

UOL Carros conversou com proprietários dos dois modelos para antecipar o que o comprador do Nivus pode esperar, de bom ou ruim, no seu convívio com o carro.

Motivos de elogio

Em comum, quase todos os proprietários de Polo e Virtus 200 TSI costumam elogiar muito o desempenho, a elasticidade e o consumo de combustível proporcionado pelo motor 1.0 três-cilindros turboflex de 116/128 cv (gasolina/etanol), gerenciado pelo câmbio automático de seis marchas da Aisin. É ele que estará sob o cofre das duas versões do Nivus vendidas por enquanto, a Comfortline e a Highline 200 TSI.

"[Algo que gosto muito é que ele] é forte e acelera bem, mas quando você quer economizar, também consegue. Já cheguei a fazer 19 km/l na estrada com gasolina", conta o jornalista Cleber Bernuci, de Americana (SP), dono de um Polo Highline 2020. O dado, segundo ele, foi registrado pelo computador de bordo do veículo.

Polo - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

O servidor público Carlo Zanandreis, de Campo Grande (MS), tem um Virtus Comfortline. Ele roda cerca de 400 km por semana em pequenas viagens pelo Estado e também elogia o equilíbrio entre desempenho e consumo. "Mesmo quando preciso ir mais rápido, o consumo fica perto de 14 km/l [no computador de bordo]", calcula.

Bernuci e Zanandreis citam ainda o espaço interno e o nível de segurança de seus carros como pontos positivos. "Já que eu basicamente dirijo mais de 90% em rodovia, meu primeiro filtro foi buscar um carro seguro", diz o sul-matogrossense. Se Polo e Virtus têm cinco estrelas no Latin NCAP (programa de segurança viária de América Latina e Caribe), o Nivus tende a obter resultado ainda melhor, visto que conta com seis airbags de série.

Sobre o consumo, no PBEV (programa de etiquetagem veicular) do Inmetro, o Nivus registra 10,7/7,7 km/l no ciclo urbano e 13,2/9,4 km/l no rodoviário, respectivamente com gasolina/etanol no tanque. São números ligeiramente inferiores aos de Polo e Virtus, porém acima do que alcançou o T-Cross 200 TSI automático.

E se a posição de dirigir é a mesma do Polo, o vão livre do solo mais generoso e as suspensões mais macias flertam com a dinâmica do SUV, outra característica que deve agradar novos clientes.

Fique de olho

Mas é bom ficar de olho em alguns elementos do Nivus que, herdados dos irmãos, têm potencial para apresentar problemas. Entre eles estão os discos de freio, que possuem muitos relatos de empenamento entre donos de Polo e Virtus.

"Os meus discos de freio estão empenados, mas eu tenho a ressalva de trabalhar com o carro o dia inteiro", afirma o taxista André Prado, de Brasília (DF), dono de um Virtus Comfortline 2018. No caso dele, a profissão ajuda a justificar a falha, mas há relatos na internet do mesmo problema ocorrendo em unidades de hatch e sedã com menos de 15 mil km rodados.

Também há registros frequentes de vazamento do fluido refrigerante e da formação de bolhas de ar no radiador, com possibilidade de respingos de líquido na correia dentada. Tais situações levaram a VW a gerar boletins internos à rede autorizada orientando como proceder para vedar as tubulações e, em casos extremos, substituir correias muito danificadas.

Polo - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

A boa notícia é que, se o dono checar frequentemente o nível do líquido e descobrir o problema logo, as concessionárias farão o reparo em garantia. "Passei pelo problema de bolhas de ar no sistema de arrefecimento, mas ele foi logo sanado", relata o engenheiro Alexandre Hol, de Niterói (RJ), detentor de um Polo Highline 2020.

Também geram comentários constantes os trancos do câmbio automático, especialmente nas arrancadas a frio e nas reduções para marchas mais baixas. Mas aqui vale a ressalva: o Nivus foi lançado já com atualizações de calibração na caixa, justamente a fim de eliminar esta característica. A ver se o trabalho deu certo.

Além disso, Polo e Virtus possuem faróis que costumam embaçar (por infiltração de água) e para-barros que quebram costumeiramente. No primeiro caso, todo o conjunto óptico do Nivus é exclusivo dele, o que pode ser uma vantagem. No segundo, os 2,75 cm a mais de vão livre do solo devem tornar menos frequente esse tipo de ocorrência no SUV cupê do que no hatch ou no sedã.

polo - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

Porém, não há registros mais abundantes de reclamações do que em relação ao acabamento interno (e, lembremos, o do Nivus é praticamente idêntico ao do Polo). Destaque para rangidos no painel e no banco traseiro, que no Polo e no Virtus surgem algumas vezes antes de 5.000 km.

Durante as revisões, as revendas já estão orientadas a incluir reforços no acabamento para eliminar essas folgas. "No meu [Polo], eles removeram o banco traseiro durante um e devem ter instalado mais alguma borrachinha, depois colocaram o banco de volta e [o barulho] acabou", relembra o jornalista Cleber Bernuci. E aqui vale observar: painel e bancos do Nivus são os mesmos do Polo.

Procuramos a VW para saber se o fabricante promoveu outras mudanças no projeto do Nivus além do câmbio para evitar as falhas observadas em seus irmãos, e também para comentar a respeito das qualidades mais percebidas. Contudo, a fabricante não respondeu até a publicação desta reportagem.