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VW Nivus x Chevrolet Tracker: o que esses SUVs têm (ou não) de bom

Rafaela Borges

Rafaela Borges é jornalista automotiva desde 2003, com passagens por Carsale e Estadão. Escreve sobre o mercado de veículos, supercarros, viagens sobre rodas e tecnologia.

Colunista do UOL

15/07/2020 04h00

Quando o novo Chevrolet Tracker chegou ao mercado, no início do ano, se destacou por, assim como os irmãos de plataforma Onix e Onix Plus, trazer alguns itens inéditos na categoria. Agora, é a vez do Volkswagen Nivus, que está em pré-venda e começa a ser entregue em algumas semanas, fazer o mesmo.

A diferença é que, no caso dos Nivus, há uma tecnologia inédita inclusive entre seus irmãos de plataforma (Polo, Virtus e T-Cross): o controlador de velocidade adaptativo, também conhecido como ACC. O sistema usa radares para acelerar e frear automaticamente o veículo, sem interferência do motorista.

Mas, além do ACC, o que o Nivus tem e o Tracker não? E o que o Chevrolet traz que o Volkswagen não oferece? Aqui, você verá também um comparativo de preços entre os dois mais novos modelos da categoria e a pergunta que não quer calar: eles são ou não concorrentes?

Exclusividades do Nivus

Além do ACC, o Nivus traz também um sistema de frenagem após colisão, para amenizar os impactos seguintes. Essa tecnologia Polo, Nivus e T-Cross já ofereciam. Na versão topo de linha, Highline, o novo carro herda também dos irmãos o painel virtual configurável.

Esse item o Tracker não tem. Nem nenhum outro modelo do segmento. Outra exclusividade do Nivus na comparação com o Chevrolet é o sistema que avisa ao motorista se ele está ou não cansado para dirigir, também conhecido como sensor de fadiga.

Já a frenagem automática de emergência é um sistema raro entre os modelos da categoria, mas tanto o Nivus quanto o Tracker o oferecem. Ambos também têm modernas centrais multimídia. A do Chevrolet pode vir com Wi-Fi nativo, mas o cliente tem de pagar pelo serviço após os primeiros meses.

No Nivus, dá para usar aplicativos como Waze e iFood diretamente na tela. Além disso, a central reproduz vídeo em alta resolução, mas não do YouTube e de outros streamings. É preciso colocar esses vídeos em um pen drive, como se faz (ou fazia) com músicas.

O que apenas o Tracker tem

Os itens que são exclusividades no Tracker são bastante úteis para o dia a dia. Um deles é o Park Assist, que ajuda o motorista a estacionar. O outro é o carregador de celular por indução.

A tecnologia dispensa fios para recarregar o smartphone. Basta colocar o aparelho sobre a placa instalada no carro.

No Nivus, para recarregar o telefone é preciso usar uma das entradas USB. A da frente, aliás, fica mal posicionada e tem difícil de acessar.

Mas a má notícia para quem quer um Tracker é que o carregador por indução e o Park Assist só estão disponíveis na versão mais cara (veja preços abaixo). No Nivus, a maior parte das exclusividades é oferecida para as duas opções, como opcionais na Comfortline e de série na Highline.

Quanto custam Tracker e Nivus

É no preço que o Nivus leva bastante vantagem. A versão de entrada, Comfortline, custa R$ 85.890. Com os opcionais, vendidos em um pacote único por R$ 3.520, vai a R$ 89.410. Já a configuração de topo, Highline, é tabelada em R$ 98.290.

O Nivus vem apenas com uma versão de motor e câmbio. Traz o 1.0 turbo de até 128 cv e a transmissão automática de seis velocidades.

No caso do Tracker, há uma versão manual, por R$ 87.490 e motor 1.0 (até 116 cv). No caso das automáticas, os preços iniciais já são bem próximos aos do Nivus Highline. A LT 1.0 custa R$ 97.490 e faz pouco sentido, já que a LT 1.2 sai por apenas R$ 500 a mais.

Por R$ 97.990, traz motor 5 cv mais forte que o do Nivus Highline (são 133 cv, no total). No entanto, perde feio na lista de equipamentos.

Já as versões LTZ e Premier do Tracker, ambas com o propulsor 1.2, têm preços mais próximos aos do SUV compacto maior da VW, o T-Cross (nas opções Comfortline e Highline). Os valores do Chevrolet são de R$ 108.090 e R$ 118.090, respectivamente.

Eles são ou não são concorrentes?

Em comprimento e distância entre os eixos, Nivus e Tracker são praticamente idênticos. O Volkswagen leva vantagem de cerca de 20 litros no porta-malas. Além disso, supera o Chevrolet em vão livre do solo.

O Nivus tem 17,5 cm, ante os 15,7 do modelo da Chevrolet. A verdade é que nenhum cumpre a imposição feita pelo Inmetro quanto ao vão livre do solo, de 18 cm, para ser classificado como SUV compacto. Mas o instituto é generoso: o carro precisa se enquadrar em três, de quatro quesitos.

Além da altura do solo, há o ângulo de ataque (mínimo 23 graus), o de saída (20 graus) e o de transposição (10 graus). Se Nivus e Tracker serão considerados SUVs pelo Inmetro, saberemos em breve. Por ora, nenhum dos dois está na lista do instituto, que foi atualizada pela última vez em março, antes da chegada do Chevrolet.

Apesar de ter altura do solo superior à do Tracker, o Nivus é 14 cm mais baixo no total. Essa é uma das razões pelas quais, ao menos aparentemente, o modelo da Chevrolet tenha mais jeitão de SUV. Nenhum traz tração nas quatro rodas.

Independentemente de serem classificados como SUVs compactos, os dois são concorrentes? Por serem semelhantes em dimensões, porta-malas e motores, Tracker e Nivus vão sim brigar por clientes. O Chevrolet pode levar certa vantagem para quem faz questão se um carro que visualmente se pareça mais com um utilitário-esportivo.

Já o Nivus sai muito na frente quando o assunto é preço. Pela repercussão em redes sociais e fóruns automotivos desde o lançamento do Volkswagen, há cerca de 15 dias, percebe-se que a maior parte dos consumidores enxerga os dois modelos como concorrentes. Mesmo que muitos chamem o Volkswagen de "Polo altinho". Uma pergunta recorrente que escutei nos últimos dias foi: "Entre Tracker e Nivus, qual é melhor?"