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Cancelamento do Salão de Genebra antecipa fim dos salões? Não é bem assim

Salão de Genebra é um dos mais importantes do mundo - iStock
Salão de Genebra é um dos mais importantes do mundo
Imagem: iStock

Fernando Calmon

Colaboração para o UOL, de São Paulo (SP)

01/03/2020 13h37

Resumo da notícia

  • Evento foi cancelado às vésperas do início por conta do coronavírus
  • Esvaziamento das feiras ainda está longe de ser realidade
  • Transmissões via internet podem até despertar interesse do público

A notícia era mais do que esperada. Com a expansão de contágio internacional do coronavírus, originado na China, o governo suíço proibiu as aglomerações superiores a 1.000 pessoas. Em consequência, o Salão do Automóvel de Genebra deste ano, previsto para se realizar de 5 a 15 de março, foi cancelado.

Este exposição internacional é uma das mais tradicionais do calendário mundial e uma das poucas que se realizam todos os anos (Paris, Frankfurt, São Paulo e Tóquio, por exemplo, são bienais). Sua estreia foi em 1905 e a de 2020 seria a 90ª edição por razão de interrupções em períodos de guerra e depressões econômicas, principalmente.

O cancelamento próximo à data da abertura para imprensa - 3 e 4 de março - levou vários expositores, entre eles Mercedes-Benz, Porsche e VW, a anunciar apresentações ao vivo pela internet via streaming das novidades que têm a apresentar. Esses roteiros são preparados com boa antecedência e não significam novidade, pois tais transmissões já aconteceram nesta e em outras ocasiões.

Até a eleição do Carro do Ano na Europa, que aconteceria na véspera do dia de imprensa, foi transmitida via internet do mesmo local do salão. O eleito foi o Peugeot 208, que superou BMW Série 1, Ford Puma, Porsche Taycan, Renault Clio, Tesla Model 3 e Toyota Corolla.

Desse cenário pode-se levantar a tese de que apresentações virtuais sejam uma boa alternativa para conter despesas, mas reduziriam o interesse dos visitantes pelos salões de automóveis ou até dispensariam o evento. Vários fabricantes acham as exposições dispendiosas, de formato desgastado, público menos interessado, faltam mais interações, a impossibilidade de vender produtos no local, muitos curiosos, porém poucos compradores.

Essas e outras queixas levaram várias marcas a desistir do Salão do Automóvel de São Paulo (12 a 22 de novembro próximos), embora a exposição paulistana não venha sofrendo diminuição de frequentadores. Transmissões via streaming, nos dias reservados à imprensa, podem até despertar o interesse, ao contrário de afastar o público.

Há inúmeras feiras de vários temas espalhados pelo mundo. Seja exposição de moda ou de arquitetura, por exemplo, sempre haverá pessoas para acariciar os tecidos, sentir a textura, apreciar maquetes ou desenhos inovadores. Da mesma forma, automóveis podem ser tocados, comandos, acabamentos e espaço interno avaliados, além de possibilidade de andar alguns metros para fazer comparações diretas e até decidir de imediato o que vai comprar.

Ambientes virtuais, criatividade dos expositores e em especial dos organizadores são importantes para manter ou aumentar o interesse dos visitantes, desde entusiastas a apenas apreciadores. Os formatos podem mudar, mas apostar em esvaziamento profundo dos salões está mais para equívoco do que negar o mundo real.