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Kia Cerato evolui como nunca, mas continua coadjuvante entre sedãs médios

Alessandro Reis

Do UOL, em Indaiatuba (SP)*

24/09/2019 04h00

O novo Kia Cerato fez o dever de casa em sua quarta geração, que ficou maior, mais potente e mais equipada. Disponível em duas versões, com preços sugeridos de R$ 94.990 e R$ 104.990, ainda é mais barato que seus principais rivais e mantém os cinco anos de garantia.

Porém, chega em um momento no qual concorrência está mais acirrada do que nunca. Será que tem bala na agulha para brilhar entre modelos como os novos Toyota Corolla, Chevrolet Cruze e Volkswagen Jetta, além do Honda Civic?

UOL Carros teve um contato inicial com a novidade no autódromo da Fazenda Capuava, em Indaiatuba, no interior paulista, e conta agora suas primeiras impressões. A versão avaliada foi a topo de linha SX.

Capacidade do porta-malas cresceu praticamente 100 litros, chegando a 520 litros - Divulgação
Capacidade do porta-malas cresceu praticamente 100 litros, chegando a 520 litros
Imagem: Divulgação

A começar pelo design, o novo Cerato definitivamente chama a atenção. O desenho é uma evolução do anterior, mais esportivo, e o porte visivelmente ficou maior - afinal, o sedã cresceu nada menos que oito centímetros no comprimento, totalizando 4,64 metros. O porta-malas também teve um incremento: subiu de 421 litros para 520 litros.

Comprimento da carroceria cresceu oito centímetros, totalizando 4,64 metros - Divulgação
Comprimento da carroceria cresceu oito centímetros, totalizando 4,64 metros
Imagem: Divulgação

Os faróis esguios com luzes diurnas de LEDs, a grade dianteira com estilo de "nariz de tigre", os detalhes cromados no entorno das janelas laterais e a traseira curta, com lanternas de LEDs que lembram as do Jaguar XE, agradam. Especialmente na comparação com o Jetta, diria que muita gente vai achá-lo mais bonito.

Interior caprichado

Cabine foi reformulada e agora traz central multimídia, item praticamente obrigatório nessa faixa de preço - Divulgação
Cabine foi reformulada e agora traz central multimídia, item praticamente obrigatório nessa faixa de preço
Imagem: Divulgação

Por dentro, há sensação de qualidade, com material macio ao toque na parte superior do painel e detalhes em metal que remetem a modelos premium - exibidos no volante, nas maçanetas das portas, na manopla do câmbio e na moldura das saídas de ar em forma de turbina posicionadas nas duas extremidades - que lembram as peças usadas no Audi A3.

Os pedais também são de metal, reforçando a sensação de capricho, também visível em detalhes como ar-condicionado digital de duas zonas, chave presencial e botão de partida do motor.

O painel de instrumentos foi redesenhado e é todo analógico. Sem problema, até porque a legibilidade dos instrumentos é simples e eficiente. No entanto, a tela central do computador de bordo é monocromática e traz baixa resolução.

Outro ponto que não agrada é a presença de alavancas ao lado do banco do motorista, junto à porta, para abertura da tampa do porta-malas e do bocal do tanque de combustível. Porém, são detalhes que não desabonam o conjunto - afinal de contas, até o campeão de vendas Corolla tem alavancas do tipo, em substituição ao acionamento elétrico.

O Cerato corrige uma falha grave e finalmente traz central multimídia. Para compensar o atraso, a tela tátil e "flutuante" de oito polegadas tem bom tamanho e resolução, além de ser compatível com Android Auto e Apple CarPlay e trazer portas USB e auxiliar no console central. Os bancos têm revestimento de couro sintético perfurado e os assentos dianteiros oferecem três níveis de aquecimento. Os retrovisores, por sua vez, trazem rebatimento elétrico e também podem ser aquecidos, para evitar o embaçamento em dias chuvosos.

Atrás, há duas saídas de ar para o banco traseiro, algo que o Corolla não oferece nem na versão mais cara. Porém, falta entrada USB dedicada para quem vai atrás.

Por falar no banco traseiro, o espaço para as pernas é bom como antes, considerando que a distância entre-eixos foi mantida em 2,70 metros - exatamente a mesma de Honda Civic e Toyota Corolla.

Vale destacar que dessa vez a Kia não descuidou da segurança: agora, o Cerato traz controles de tração e estabilidade com assistente de partida em rampa, itens esperados em sua faixa de preço e que serão obrigatórios em todos os carros vendidos no Brasil a partir de 2022.

Também traz de série seis airbags.

Novo fôlego

Nova geração do sedã traz controles de tração e estabilidade e seletor de modos de condução - Divulgação
Nova geração do sedã traz controles de tração e estabilidade e seletor de modos de condução
Imagem: Divulgação

Tivemos a oportunidade de dar três voltas na sinuosa pista de 2,7 quilômetros e 16 curvas da Fazenda Capuava com o novo Cerato e gostamos da experiência. É fácil encontrar a posição ideal de dirigir e o volante conta com boa pegada, além de ser ajustável em altura e profundidade.

Na primeira acelerada, fica evidente o ganho em desempenho com o novo motor 2.0 16v flex de até 167 cv de potência e 20,6 kgfm de torque, disponíveis a 4.700 rotações.

É uma senhora diferença para o 1.6 bicombustível de 128 cv e 16,5 kgfm anterior, um dos pontos mais criticados no Cerato de segunda e terceira geração.

O câmbio automático conta com seis velocidades, como anteriormente, mas agora traz quatro modos de condução, que ajusta as trocas de marcha, regula a intensidade do ar-condicionado e calibra a assistência elétrica da direção para uma tocada mais tranquila, ágil ou econômica. No rápido contato ao volante, as trocas foram satisfatórias.

Apesar de manter a configuração de eixo de torção na traseira e dos pneus de perfil alto, de medida 205/60R16, o Cerato tem uma condução agradável e precisa, passando a sensação de controle mesmo em curvas mais fechadas. É um carro com chassi bem acertado. Contribuem para a boa dirigibilidade os freios a disco nas quatro rodas, sendo que nas dianteiras eles são ventilados.

Maioridade

O Cerato atingiu a maioridade, após 13 anos de presença no Brasil. Anda bem, traz itens de segurança esperados e bom pacote de equipamentos. Ao mesmo tempo, também ficou mais caro: o modelo anterior tinha preço sugerido de R$ 80.990, o que fazia dele uma alternativa interessante às versões de topo de sedãs premium compactos, como Volkswagen Virtus, Toyota Yaris e Honda City. Não mais.

A Kia diz que os principais concorrentes do novo Cerato são mesmo Corolla, Civic, Cruze e Jetta, até pelo reposicionamento de preço. Vai roubar clientes deles? Se custasse um pouco menos, as chances seriam maiores. O dólar alto tem sua parcela de culpa e também pesam contra as atualizações recentes do quarteto mais vendido, especialmente o Toyota.

Se a meta de vender 350 unidades por mês for atingida, o Cerato deve se tornar o quinto sedã médio em volume de emplacamentos, superando Nissan Sentra e Citroën C4 Lounge. Potencial para isso ele tem. Para ajudar, a Kia anunciou que o sedã vai estrear o plano de troca programada da marca, nos moldes do praticado por Honda e Toyota.

Após fazer a lição de casa, segue no papel de coadjuvante, mas o personagem ficou bem melhor.

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Ficha técnica: Kia Cerato

Motor: 2.0, 16V, flex, 4 cilindros

Potência: 157/167 cv a 6.200 rpm

Torque: 19,2/20,6 kgfm a 4.700 rpm

Câmbio: automático de 6 marchas

Aceleração de 0 a 100 km/h: não informada

Velocidade máxima: não informada

Tanque: 50 litros

Dimensões: 4,64 m de comprimento, 1,80 m de largura, 1,44 metro de altura, 2,70 m de entre-eixos

Porta-malas: 520 litros

Preço: R$ 104.990 (versão SX)

*Viagem a convite da Kia

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