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Dá para usar carro esportivo no dia a dia? Fizemos o teste com um Porsche

Rafaela Borges

Rafaela Borges é jornalista automotiva desde 2003, com passagens por Carsale e Estadão. Escreve sobre o mercado de veículos, supercarros, viagens sobre rodas e tecnologia.

Colaboração para o UOL

23/01/2020 04h00

É uma dúvida recorrente dos fãs de carros: será que dá para usar um modelo esportivo no dia a dia? Para responder à pergunta, passei quatro dias com o 718 Boxster, o esportivo de entrada da Porsche.

O modelo avaliado foi o da versão GTS, que tem preparação ainda mais esportiva que à das opções mais simples. A suspensão, por exemplo, é mais rígida, e 10 mm mais baixa. O preço sugerido é de R$ 485 mil.

Após quatro dias, a conclusão é de que dá sim para usar o 718 Boxster GTS no dia a dia. Claro que tudo depende do estilo de vida do consumidor, porque o esportivo da Porsche pode apresentar algumas limitações para a vida cotidiana.

Além disso, não é todo esportivo que se sai bem no cotidiano como o 718 Boxster - ou algumas versões do 911, o modelo mais visceral da Porsche. Superesportivos de marcas como McLaren, Ferrari e Lamborghini podem ser mais difíceis de usar a qualquer hora.

Já no caso do 718 Boxster, ele é um carro pensado para ser parceiro de seu dono todos os dias, em diversas situações. Em algumas cidades da Europa e dos Estados Unidos, ele é visto circulando nas ruas, ou estacionado nelas, a toda hora. No Brasil, porém, é uma presença mais comum aos finais de semana, ou em cidades turísticas do litoral e interior de São Paulo, por exemplo.

Quatro dias com o Porsche 718 Boxster

"Pensando na marca Porsche, eu não recomendaria, por exemplo, um 911 GT3 para ser usado no dia a dia", diz o sócio-diretor da Wish Motors, loja especializada em modelos usados da Porsche, Pietro Consolini. "Já o 718 Boxster é totalmente adequado a essa missão, pois é um esportivo que também investe em uma dose de conforto. Porém, o brasileiro geralmente não o usa no cotidiano."

As razões desse comportamento você pode ler em detalhes abaixo. Na prática, o 718 Boxster GTS se dá bem em quase todas as situações do dia a dia. No modo de condução mais manso, o normal, o carro transfere bastante o contato com pisos imperfeitos aos ocupantes.

E em uma cidade como São Paulo, na qual o teste foi realizado, ondulações na pista são constantes. Porém, a absorção de impacto é boa. Não espere, é claro, conforto de um SUV, ou mesmo de um sedã executivo.

Ainda assim, não há batidas secas da suspensão em buracos e ondulações, comportamento que até alguns sedãs têm. Além disso, no fim do dia o 718 Boxster acaba sendo mais confortável do que, por exemplo, um Mini Cooper S, modelo que tem pegada esportiva, mas é apenas um hatch apimentado.

O Mini Cooper S deixa o motorista cansado após um dia rodando pela cidade de São Paulo. O 718 Boxster, não.

Máquina de acelerar

Já os modos esportivos de condução devem ser reservados a pisos perfeitos e rodovias cheias de curvas. Eles alteram, além da resposta de motor, câmbio e sistemas de assistência à estabilidade, o comportamento da suspensão. Os amortecedores ficam mais duros e, nesse caso, as batidas fortes contra buracos e ondulações são constantes.

Em compensação, o 718 Boxster, principalmente nos modos esportivos, é uma máquina de acelerar e retomar velocidade. De acordo com a Porsche, o GTS acelera de 0 a 100 km/h em 4,1 segundos. O propulsor boxer de quatro cilindros é central traseiro e tem 2,5 litros. Rende 365 cv de potência.

O câmbio é automatizado de sete marchas e duas embreagens, promovendo trocas rápidas e com poucos trancos em qualquer situação. A tração é traseira.

718 Boxster em lombadas e valetas

Porsche 718 Boxster GTS - Rafaela Borges/UOL - Rafaela Borges/UOL
Imagem: Rafaela Borges/UOL

São Paulo é uma cidade repleta de lombadas e valetas. No primeiro caso, o 718 Boxster vai bem. Não bate nesses obstáculos, nem em garagens com rampas muito altas. Para comparação, o Mercedes-AMG A 45 (a nova geração vem aí) bate bastante seu assoalho nessas duas situações.

Já as valetas exigem cautela. Nas de profundidade razoável, é preciso passar bem devagar para a parte de baixo do carro não bater. Nas muito profundas, não há negócio: o 718 Boxster bate.

As valetas são o principal entrave na hora de usar o modelo conversível no dia a dia.

Espaço e porta-malas

Conversível com teto reversível de lona e dois lugares, o 718 Boxster é um carro muito legal para pegar estrada. Além de ter excelente aceleração, é divertido em curvas, com respostas precisas de direção. O carro, com distribuição de peso perfeita, é fácil de conduzir.

Mas dá para fazer uma viagem longa, de vários dias, com o carro? Dá. Desde que não seja necessário acomodar mais de duas pessoas. Há um porta-malas na frente, mais profundo e com 175 litros. Atrás, o compartimento é raso e tem 150 litros.

No da frente, cabe uma mala média, de 23 litros, e ainda sobra espaço para duas mochilas. No de trás, dá para colocar uma mala de 10 litros e uma pequena mochila. Ou seja: há espaço mais que suficiente para a bagagem dos dois ocupantes.

Por que brasileiro não usa no dia a dia?

Conforto e praticidade não são o que impede o dono de 718 Boxster de usar o carro em sua vida cotidiana. "É mais comum ver esses carros nos finais de semana em grandes cidades como São Paulo e Rio. Ou nas estradas", explica Consolini.

De acordo com o sócio-diretor da Wish Motors, a principal razão para essa limitação de uso é a segurança. "O dono de carros dessa faixa de preço sente a necessidade de blindar o automóvel", explica. "E blindar um esportivo não é uma prática comum, embora esteja até ganhando alguns adeptos nos últimos tempos."

A blindagem, além de aumentar muito o peso do carro e, consequentemente, seu comportamento, é praticamente impossível em um conversível com teto de lona. Nos de capota rígida, pode até ser feita. Porém, o componente não poderá ser aberto.

No caso de um esportivo e, principalmente, de um conversível, a blindagem vai gerar grande desvalorização do produto.

De acordo com Consolini, o 718 Boxster até é um carro adquirido para usar em pistas, em experiências de "track days". Mas o 911 é mais popular para esse fim. Assim, no geral, o cliente do conversível acaba desfrutando sua máquina mais aos fins de semana e na estrada.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.