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Carros com 'trava' de velocidade e multa por GPS vão tornar radar obsoleto

Limite de velocidade varia de acordo com o país; faz sentido vender carro capaz de ultrapassar o máximo permitido? - SEBASTIEN BOZON/AFP
Limite de velocidade varia de acordo com o país; faz sentido vender carro capaz de ultrapassar o máximo permitido? Imagem: SEBASTIEN BOZON/AFP
Rafaela Borges

Rafaela Borges é jornalista automotiva desde 2003, com passagens por Carsale e Estadão. Escreve sobre o mercado de veículos, supercarros, viagens sobre rodas e tecnologia.

Colaboração para o UOL, de São Paulo (SP)

13/01/2020 04h00

Em navegadores como o Waze, a velocidade real do automóvel é medida o tempo todo. Imagine se esse sistema se tornasse obrigatório nos carros? Isso está previsto para ocorrer em breve e impedirá que o motorista ultrapasse a velocidade máxima da via sem levar multa.

Com a aferição por GPS, os radares de velocidade se tornarão obsoletos. Se o condutor desrespeitar a restrição da via a qualquer momento, a infração será acusada imediatamente.

Para que o sistema seja viável, é necessário integrar os dados de GPS do veículo com os sistemas de controle de tráfego dos países. A solução deve entrar em vigor na Europa na próxima década.

Nesse novo contexto, fica a questão: no futuro, haverá carros com velocidade máxima superior a 140 km/h, o limite permitido em uma via restrita no mundo?

Alta performance limitada

Para o piloto de Fórmula E e ex-Fórmula 1 Lucas Di Grassi, carros que têm como foco atingir velocidade além da permitida deixam de fazer sentido nesse novo contexto. CEO da Roborace, categoria que pretende promover competição entre carros autônomos, Di Grassi fez essa observação levando em consideração o contexto de transferência de tecnologia dos carros de corrida para os de ruas.

Na visão de Di Grassi, com velocidades limitadas nas vias públicas, o alto desempenho deixará de ser prioridade para montadoras de carros que atuam no automobilismo com o objetivo de desenvolver tecnologias para seus veículos comerciais.

O piloto prevê que, em um futuro próximo, a alta performance ficará limitada a modelos destinados a alguns países, como Alemanha (leia mais abaixo). E também a esportivos de produção limitada, feitos para rodar em vias fechadas, como autódromos.

Muito além da velocidade

O desempenho é muito mais que a velocidade final. Mesmo em um carro com limitador eletrônico, a aceleração e retomada continuam sendo importantes.
Afinal, são esses dois parâmetros que importam na hora de fazer uma ultrapassagem ou de subir uma ladeira, situações corriqueiras no dia a dia do motorista.

Um modelo com motor 1.0 aspirado de 80 cv e 12 mkgf tem acelerações e retomadas muito inferiores às de um veículo equipado com um 2.0 turbo de 170 cv e 25 mkgf, por exemplo.

Nesse contexto, é improvável que o desempenho seja totalmente deixado de lado pelas montadoras. Mas é preciso lembrar que esse desenvolvimento, em algumas décadas, com foco em motores elétricos, que têm comportamento diferente dos a combustão.

Na Europa, as montadoras se preparam para abandonar os propulsores a combustão, que vão se tornar inviáveis ante as novas leis sobre emissões de poluentes.

Limitar ou não limitar a velocidade final?

Volvo XC90 T8 - Divulgação - Divulgação
Volvo decidiu limitar a velocidade dos seus carros a 180 km/h por motivo de segurança
Imagem: Divulgação

Já quando o assunto é limitar a velocidade, a questão é polêmica. Se a imposição for dos governos, ela ocorrerá. Caso contrário, acredito que a decisão das montadoras será difícil. Por quê?

Por causa do livre arbítrio do consumidor. Há quem pense que a decisão de cometer ou não a infração é do cliente e não da fabricante do carro. Prova disso é a polêmica gerada pela decisão da Volvo, anunciada no ano passado, de limitar a velocidade de seus carros a 180 km/h.

Em redes sociais e fóruns automotivos por todo o mundo, houve muita controversa sobre a medida. A maioria é contra, justamente por a iniciativa da marca tirar o poder de decisão do consumidor. A Volvo, no entanto, assegura que fez pesquisas e que seus clientes aceitaram bem a solução.

A montadora não prevê que a limitação, que entra em vigor neste ano, gere quedas nas vendas. A maioria das montadoras, aliás, já restringe eletronicamente a velocidade de seus carros - com exceção dos esportivos. O limite, no entanto, é alto: 250 km/h.

Limites pelo mundo

Nas rodovias alemãs, conhecidas como Autobahns, na maioria dos trechos o condutor pode circular à velocidade que bem entender. Exceções são áreas em obras e locais de saída e entrada de carros.

No ano passado, houve uma tentativa de limitar a 130 km/h a velocidade nas rodovias alemãs. O projeto, no entanto, não foi aprovado.

Além da Alemanha, que está entre os cinco maiores mercados automobilísticos do mundo, são raros os locais sem limite de velocidade. Um deles é a Ilha de Man, território próximo à Irlanda controlado pela coroa britânica.

Em outros países da Europa, a máxima fica entre 130 km/h e 140 km/h. Esta é a maior velocidade permitida, em todo o mundo, em trechos com restrição. Pode ser atingida na Polônia e na Bulgária.

Já a velocidade de 130 km/h é a máxima em países como Itália, França e Espanha. Nos EUA, há locais que permitem aos carros rodarem a até 80 milhas por hora (128 km/h). O mais comum, no entanto, é a restrição à máxima de 70 mph (112 km/h).

No Brasil, a maior parte das rodovias usa o limite de 110 km/h. Há exceções, como a Rodovia dos Bandeirantes, onde o motorista pode levar o carro a até 120 km/h.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.