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Beber água ao acordar, ainda em jejum, faz bem para a saúde?

Priscila Barbosa
Imagem: Priscila Barbosa

Renata Turbiani

Colaboração para VivaBem

30/03/2022 04h00

Que beber água é essencial para manter a saúde não é mais novidade para ninguém, mas você sabia que tomar o líquido em jejum, assim que acordar, pode potencializar os benefícios? Mas, atenção: não é para tomar litros neste momento; um ou dois copos já são suficientes.

A adoção desse hábito promove, em primeiro lugar, a reposição da água que foi perdida durante a noite. O fato é que, mesmo enquanto estamos dormindo, nosso organismo não para e acaba consumindo e eliminando bastante líquido —pela transpiração, respiração e outras funções que realiza.

Por isso, ao acordar, o corpo está desidratado, independentemente do quanto foi ingerido de água no dia anterior, e é essencial reabastecê-lo.

Outra razão para beber água em jejum é eliminar as toxinas e outros resíduos que foram produzidos durante a noite. Afinal, como adiantamos, o organismo segue trabalhando na hora do sono e, em consequência disso, produz substâncias que precisam ser dispensadas para que se mantenha em equilíbrio.

E tem mais: o consumo de água logo ao acordar ajuda na produção de novas células musculares e sanguíneas, auxilia no equilíbrio do sistema linfático e promove a limpeza do intestino, fazendo com que os nutrientes provenientes da alimentação sejam absorvidos mais facilmente ao longo do dia.

Tomar água em jejum emagrece?

Quando bebemos água antes do café da manhã, isso ajuda a acelerar o metabolismo, tendo como efeito o aumento da queima calórica durante todo o dia e a diminuição do apetite. Então, não seria errado dizer que o hábito ajuda, de forma indireta, na perda de peso. Mas tenha em mente que essa ajuda é muito, muito pequena —quase insignificante segundo alguns especialistas— e para emagrecer não há milagres.

Não adianta beber água em jejum, ao acordar, e depois comer panqueca com Nutella no café da manhã, hambúrguer no almoço e pizza no jantar. Para perder peso com saúde são necessárias várias ações em conjunto, e as principais são a alimentação saudável e prática regular de atividade física.

É preciso criar o hábito

Se você não costuma tomar água assim que acorda, mas deseja introduzir na sua rotina, a dica é começar aos poucos. Isso significa que você deve tomar pequenas quantidades nos primeiros dias e ir aumentando a dose regularmente até que se torne um hábito.

O ideal é sempre optar pela água natural (sem gelo ou gelada). Mas, caso não consiga, dá para acrescentar ingredientes que dão sabor. Por exemplo: limão ou outra fruta, canela e gengibre. Depois de tomar a água em jejum, o café da manhã já está liberado.

Beber água é mais do que matar a sede

Cerca de 70% do corpo humano é composto de água, daí já se vê o quão importante é ingeri-la. Na prática, a boa hidratação vai muito além de matar a sede: ela permite que todas as nossas funções biológicas sejam realizadas com eficiência e proporciona um ambiente propício para a ocorrência de reações químicas e fisiológicas, pois tem ampla capacidade de atuar como solvente de substâncias como aminoácidos, vitaminas e minerais, facilitando a sua utilização pelas células dos órgãos e tecidos.

Dentre as inúmeras funções do líquido estão: regular a temperatura corporal, proteger o coração, garantir o bom funcionamento dos rins e uma melhor circulação sanguínea, auxiliar na digestão, prevenir câimbras, proporcionar energia, atuar na construção e no desenvolvimento dos músculos, aumentar a resistência física e controlar a pressão sanguínea.

Diante disso tudo, quando o consumo de água é insuficiente, todo o organismo é prejudicado e há, inclusive, aumento no risco de surgimento de doenças —estudos científicos mostram uma associação entre o grau de hidratação e problemas como distúrbios urológicos, gastrointestinais, circulatórios e neurológicos.

Quando há falta de água no corpo, são desencadeados alguns sintomas de alerta. Os principais são menos vontade de urinar, diminuição da produção de saliva, tontura, dor de cabeça, dores abdominais e dores articulares, prisão de ventre, cansaço, visão turva e confusão mental.

No longo prazo, as consequências ainda incluem dificuldade para emagrecer, envelhecimento precoce, piora da memória e do raciocínio, pele e olhos ressecados, perda de massa muscular e cicatrização ruim. Nos casos mais graves de desidratação, pode ocorrer alteração do nível de consciência, convulsões e até a morte.

Quanto de água é preciso tomar por dia?

A quantidade de água diária varia de acordo com vários fatores, como peso, idade, estilo de vida, clima do local onde está e hábitos alimentares, mas, de modo geral, o que se recomenda é ingerir cerca de 2 litros diariamente —desde que você não tenha nenhum problema de saúde que exija o controle hídrico.

E é importante salientar duas coisas: que esse volume deve ser distribuído entre manhã, tarde e noite —e não ser consumido todo de uma vez— e que não adianta nada beber água em jejum se no restante do dia o líquido não será consumido. O que é preciso fazer é manter o organismo sempre hidratado.

Uma dica para atingir esse objetivo é deixar uma garrafa d'água por perto e ir bebendo aos poucos. E se você tiver dúvidas sobre se o quanto está tomando está correto, observe seu xixi. Se ele sair amarelo bem clarinho, está tudo bem. Agora, se sair amarelo escuro, aí será preciso aumentar a quantidade.

Fontes: Durval Ribas Filho, nutrólogo, endocrinologista e presidente da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia); Marcelo Trindade, clínico geral da Pró-Saúde, que atua no Hospital Regional Público da Transamazônica, em Altamira, no interior do Pará; e Mário Kehdi Carra, endocrinologista e diretor do Departamento de Obesidade da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia).