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O que pode ser?

A partir do sintoma, as possíveis doenças


Visão turva: repentina ou crônica deve ser avaliada para evitar piora

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Imagem: iStock

Cristina Almeida

Colaboração para VivaBem

11/01/2022 04h00

A visão turva se caracteriza pela perda da capacidade de ver nitidamente uma imagem, inclusive seus pequenos detalhes. Essa alteração visual também pode ser descrita como a dificuldade de enxergar de longe, de perto, ou mesmo reconhecer rostos, placas, e inclui ainda a redução da visão central ou periférica, ou seja, aquela que está fora do nosso foco central.

Esse sintoma pode acometer os dois olhos ao mesmo tempo ou apenas um deles, manifesta-se em homens e mulheres igualmente, inclusive crianças, e pode aparecer de repente ou durar no tempo. Em ambos os casos, é imprescindível buscar ajuda especializada o quanto antes porque, algumas doenças a ele relacionadas, quando não tratadas, podem levar à perda irreversível da visão.

Como possui causas variadas, o tratamento da visão turva dependerá da sua origem. Na maioria das vezes, porém, a estratégia terapêutica inclui o uso de medicamentos orais ou locais (colírios, laser, etc.), correção óptica por meio do uso de óculos ou lentes de contato, cirurgia, como a correção da catarata, além do controle de doenças como o diabetes.

Apesar dessas alternativas, os médicos advertem que visitas regulares ao oftalmologista podem prevenir algumas das causas desse sintoma e evitar complicações.

Entenda o que é visão turva

Trata-se de um sintoma que se caracteriza pela falta de nitidez e de foco ao tentar enxergar tanto longe quanto perto. Essa dificuldade pode se manifestar nos dois olhos ou apenas em um deles, e tal perda pode alterar o campo de visão de forma total ou parcial.

Por que isso acontece?

De acordo com Leon Grupenmacher, oftalmologista e professor da Escola de Medicina da PUC-PR, o sintoma pode se manifestar de forma súbita ou ser progressivo. Quando a turvação visual aparece de repente, as causas mais frequentes são: traumas, oclusões vasculares, processos inflamatórios ou toxoplasmose.

"Já quadros crônicos geralmente se relacionam a doenças sistêmicas como hipertensão, diabetes, ou mesmo oculares como a ceratocone [mais comum entre jovens], entre outras enfermidades. Ao longo do tempo, esses quadros podem levar à perda progressiva da nitidez visual", explica o médico.

Conheça outros problemas oculares e doenças sistêmicas que podem desencadear o sintoma:

Problemas oculares

  • Falta de óculos (erros refrativos não corrigidos) - a pessoa tem miopia, hipermetropia, astigmatismo etc., mas não faz o uso de óculos ou lentes de contato;
  • Vista cansada (presbiopia) - mais frequente em indivíduos com mais de 40 anos;
  • Opacidade de alguma estrutura ocular - como a da lente natural do olho, o cristalino, conhecida como catarata;
  • Alterações no fundo do olho ou nervo óptico - retinopatia diabética, glaucoma e degeneração macular relacionada à idade;
  • Síndrome do olho seco;
  • Infecções e processos inflamatórios (uveítes) oculares;
  • Traumas.

Doenças sistêmicas (além do diabetes e da hipertensão):

Além dessas possibilidades, o uso de determinados medicamentos podem levar ao problema. São exemplos os corticoides (relacionados à catarata) e a cloroquina, que pode levar a alterações na retina.

Saiba quem está mais suscetível ao problema

O sintoma pode aparecer em homens e mulheres igualmente, inclusive crianças e idosos. Entre estes últimos, a visão turva pode até ser um indicador de senilidade. Outros grupos populacionais que têm risco aumentado para apresentarem essa manifestação visual são pessoas com doenças sistêmicas como o diabetes, a artrite reumatoide e doenças infecciosas como a toxoplasmose.

Quando é a hora de procurar ajuda médica?

A recomendação é que você faça consultas regulares ao oftalmologista. A partir dos 40 anos, quando aumentam as chances de aparecimento de doenças, a sugestão é que as visitas ao médico sejam anuais.

Os médicos sugerem que você procure atendimento especializado imediato quando a visão turva ocorre de forma repentina, especialmente quando ele for acompanhado das seguintes manifestações:

  • Tontura
  • Fraqueza de uma lado corpo
  • Desequilíbrio
  • Dificuldade para falar
  • Estrabismo ou pálpebra caída (ptose da pálpebra) de início súbito

Nos casos crônicos, o acompanhamento médico é essencial, porque, ao longo do tempo, vão se acumulando dificuldades para realizar as tarefas cotidianas, no lazer, na vida pessoal e profissional, o que resulta na perda da qualidade de vida.

Como pode haver dificuldade de acesso a serviços de oftalmologia em algumas regiões do Brasil, o Núcleo de Saúde da Família pode ser a porta de entrada ao serviço de saúde. Clínicos gerais e até mesmo o neurologista, por vezes, são os primeiros especialistas a serem consultados e poderão encaminhá-lo à oftalmologia.

Como é feito o diagnóstico?

Para descobrir a origem desse sintoma o médico levantará dados sobre a sua queixa e sua saúde, inclusive familiar, e fará o exame físico, que avalia a acuidade visual (medida da visão), a refração (exame de óculos), além de testes que buscam detectar problemas no meio e fundo de olho, entre outros.

Caso haja suspeita da presença de alguma doença sistêmica como o diabetes, o especialista poderá ainda solicitar exames complementares como os de imagem e sangue.

Como é feito o tratamento?

De acordo com João Marcello Furtado, professor do Departamento de Oftalmologia, Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço da USP, o tratamento dependerá da causa da visão turva, e pode incluir a correção óptica com a prescrição de óculos e lentes de contato, uso de medicamentos orais ou tópicos, como colírios, e aplicação de fármacos ou laser, além de cirurgia. Um exemplo é a da catarata.

Quando o problema é desencadeado por uma doença sistêmica, como o diabetes, a estratégia terapêutica é tratar essa doença. "Já nos quadros em que a baixa vista já é acentuada e não há possibilidade de restauração, o paciente é encaminhando para a reabilitação visual, cuja atuação inclui orientações e práticas de adaptação de auxílios ópticos", acrescenta o médico.

Quais são as possíveis complicações?

A principal delas é possibilidade de perda de visão definitiva. Por isso, quanto mais cedo se descobrir a causa e fizer o devido tratamento, melhor.

O fato é que algumas das doenças causadoras de visão turva, se não tratadas a tempo, podem levar a perda irreversível da visão. O maior é o glaucoma, cujos diagnóstico e tratamento precoces são essenciais para conter a sua progressão.

Somam-se a isso as complicações associadas à baixa visão: depressão, quedas e obesidade, dada a maior dificuldade para a prática de exercícios físicos.

Dá para prevenir?

Nem todas as causas da visão turva podem ser prevenidas, como a maioria dos quadros de glaucoma. Já a retinopatia diabética pode ser evitada com o controle dos níveis de açúcar no sangue (glicemia).

"Cabe ao paciente buscar atendimento oftalmológico regular para avaliação de sua saúde ocular, independente da presença ou não de sintomas", fala a oftalmologista Priscilla Villarinho, do HU-UFPI, que integra a rede Ebserh. "A melhor prevenção é o diagnóstico precoce", acrescenta a médica.

Confira os cuidados que podem colaborar para a saúde desses órgãos essenciais:

Fontes: João Marcello Furtado, professor do Departamento de Oftalmologia, Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço da FMRP-USP (Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo); Leon Grupenmacher, médico oftalmologista e professor da Escola de Medicina da PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná); Priscilla Villarinho, médica oftalmologista do HU-UFPI (Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí), que integra a Rede Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares). Revisão técnica: João Marcello Furtado.