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Prebióticos: entenda o que são e qual a importância para a saúde intestinal

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Imagem: iStock

Luiza Ferraz

Colaboração para VivaBem

23/11/2021 04h00

Os probióticos têm ganhado cada vez mais espaço no Brasil —eles são encontrados facilmente em prateleiras de mercados e lojas de alimentação saudável. Existe, no entanto, um primo desse produto que acaba caindo no esquecimento, mas desempenha um papel igualmente importante na nossa saúde: os prebióticos.

Em poucas palavras, os prebióticos são basicamente a "comida" dos microrganismos "do bem" que habitam o nosso corpo. Segundo Bruna D'Ávila, nutróloga da clínica Sensumed, em Manaus, eles servem de sustento para as bactérias boas que colonizam o intestino, estimulando a proliferação delas e, consequentemente, aumentando os seus benefícios.

Oferecer essa comida para as bactérias é mais fácil do que parece: os prebióticos são as partes não-digeríveis de alguns alimentos de origem vegetal, como suas cascas. São carboidratos complexos, como fibras e amidos, conhecidos como inulina, pectina, lignina e FOS (fruto-oligosacarídeos), que podem ser facilmente encontrados no tomate, alho, trigo, na cebola, banana, casca da maçã e em sementes oleaginosas, como gergelim e linhaça.

cascas, talos, caldo - iStock - iStock
Cascas de alimentos são prebióticos, ou seja, alimentam as bactérias boas do intestino
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A importância dos prebióticos para o corpo

Antes de sair para o supermercado com a lista na mão, vale a pena entender por que os prebióticos são importantes para a nossa saúde —em especial, para a nossa microbiota intestinal.

O nosso intestino é povoado por microrganismos considerados "bons" ou "ruins", de acordo com o seu tipo. Isso porque eles estão relacionados a diversos papéis na nossa saúde: alguns interferem no surgimento ou prevenção da acne, da obesidade e até de doenças neurodegenerativas, como mostra um estudo realizado por cientistas da Universidade de Copenhague, na Dinamarca.

O prebiótico é justamente o combustível que abastece esse ecossistema e ajuda a mantê-lo saudável. "Ele estimula o crescimento da população de bactérias protetoras e benéficas para nosso organismo, além de inibir o crescimento de bactérias nocivas à saúde", diz Marisa Chiconelli Bailer, coordenadora de nutrição do Hospital Alvorada, em Moema, São Paulo.

A vantagem dessa proliferação de microrganismos "do bem" é que eles melhoram a absorção de alguns nutrientes e ainda promovem uma regularização dos níveis de substâncias no nosso corpo, como a glicose e o colesterol, completa a especialista.

Sem exageros!

Apesar da importância dos prebióticos, eles não devem ser consumidos exageradamente sem indicação de um especialista. Isso porque cada organismo é único, com suas próprias necessidades e patologias, então o que é benéfico para um indivíduo, pode não ser para outro.

"A microbiota é como se fosse uma impressão digital de cada um de nós e, para cada bactéria, existe um prebiótico ideal. Dar um alimento não necessário para determinado microrganismo pode fazer com que um 'competidor' se desenvolva e acabe com o equilíbrio dessa flora", explica Ricardo Barbuti, hepatologista e gastroenterologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Essa alteração na diversidade bacteriana pode causar a chamada disbiose intestinal, que leva a inflamações constantes, além de algumas doenças e deficiências nutricionais devido à diminuição da capacidade de absorção de nutrientes.

Para Barbuti, a melhor alternativa para manter um intestino saudável é ter uma dieta variada, com diversos tipos de verduras, legumes e frutas, que vão proporcionar uma flora diversificada e equilibrada. Quando o intestino está funcionando em harmonia, há um bom funcionamento do sistema imunológico e do corpo como um todo.

Mas até para uma alimentação "correta" há limites. Ingerir fibras em excesso, por exemplo, também pode criar problemas. "Pode haver um padrão intestinal de constipação, evoluir com fezes amolecidas ou até liquefeitas. Não tem como definir sem saber quem está ingerindo, por isso é importante a avaliação com um profissional", diz D'Ávila. No geral, a recomendação é que um indivíduo saudável, adulto, consuma entre 25 e 30 gramas de fibras diariamente.

E os simbióticos?

Além da ingestão por vias alimentares, também há a comercialização de comprimidos com prebióticos e probióticos. Um combo com os dois na mesma fórmula é chamado de simbiótico.

Esse produto, no entanto, só deve ser adquirido com prescrição médica. Ricardo Barbuti recomenda que sejam comprados apenas os remédios já disponíveis nas farmácias, sem precisar mandar para manipulação, porque esses contam com estudos concretos e confiáveis por trás.

"Ao usar um probiótico, você precisa saber exatamente onde ele foi desenvolvido, se de fato ele se mostrou eficaz. Existem microrganismos que não podem viajar de avião, alguns funcionam em clima temperado, outros em climas tropicais", explica.

Nos casos de tratamentos de doenças, Barbuti explica que ainda é um campo em estudo. Não existem exames ou testes que podem dizer exatamente qual prebiótico é ideal para o seu tipo de bactéria, mas pode ser feita uma análise com base nos padrões de microbiota encontradas em cada patologia —como, por exemplo, na depressão. Desta maneira, fica mais fácil identificar o tipo de prebiótico que o indivíduo precisa tomar para auxiliar no tratamento de determinada doença.