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Da assexualidade à compulsão: o que dizem os psiquiatras a respeito?

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Bruna Alves

Do VivaBem, em Porto Alegre*

10/10/2021 04h00Atualizada em 10/10/2021 12h40

Embora ainda gere tabu, falar sobre sexo é necessário. Ainda assim, sempre surgem dúvidas a respeito, principalmente em relação à orientação sexual, como a assexualidade, que muitas vezes é vista como algum problema ou transtorno, o que não é verdade.

"A assexualidade não é o avesso e nem o contrário da compulsão por sexo. Ela é apenas uma orientação, assim como a panssexualidade, a heterossexualidade e a homossexualidade", descreveu Imacolada Marino Gonçalves, psicóloga, especialista em saúde da mulher e sexualidade, durante apresentação do 38º Congresso Brasileiro de Psiquiatria, em Porto Alegre, na última sexta-feira (8).

Pessoas assexuais não colocam o sexo em primeiro lugar. "E quando não tem nenhuma questão relacionada, tudo bem não transar. Existem assexuais que têm relações amorosas extremamente satisfatórias", explicou a psicóloga.

A especialista afirma que uma pessoa assexual não é doente, longe disso. Também não há necessidade de nenhum medicamento, já que não há presença de sofrimento.

A sexualidade é uma parte importante da personalidade —tem toda uma interação de corpo e mente. "Ela responde a uma energia que vai instigar o indivíduo a buscar o encontro, o contato, o toque. Como ser sensual e sexual", disse Gonçalves.

Redes sociais alteram comportamentos

Hoje não há dúvidas de que as redes sociais têm contribuído para a formação de relacionamentos, isso pensando pelo lado positivo, claro.

"E pode até fazer sexo virtual usando fantasias ou como quiser. Alguns fazem até filme, segundo a preferência do indivíduo", ressaltou Arnaldo Barbieri Filho, psiquiatra, responsável pelo IES (Instituto de Estudos da Sexualidade) de Ribeirão Preto (SP).

Recompensa sexual

Quando transamos vários mecanismos neurais são ativados. Eles permitem que a estimulação sexual seja percebida como recompensa, que tem relação direta com o grau de intensidade do ato.

Esses estímulos são associados a dois tipos de reforços: o primário, que é quando atingimos o orgasmo, e o secundário, associado às expressões faciais, cheiro, roupas, entre outros.

Jaqueline Brendler, médica, presidente da Flasses (Federação Latino Americana das Sociedades de Sexologia e Educação Sexual) destacou o papel dos neurotransmissores que influenciam positivamente a resposta sexual (prazer), que acionam de modo direto ou indireto as áreas cerebrais ligadas à recompensa.

Entre os principais estão:

  • Dopamina (ligada ao aumento da libido);
  • Norepinefrina (resulta em maior atividade sexual);
  • Serotonina (ajuda no relaxamento corporal, calma, e sensação de felicidade).

Contudo, é muito importante buscar parceiros compatíveis com os desejos. A médica, porém, lembra que é preciso buscar novidades, alternativas para sair do básico.

Variações no sexo são importantes para manter a chama acesa - iStock - iStock
Variações no sexo são importantes para manter a chama acesa
Imagem: iStock

"Sempre papai e mamãe na cama não ativa dopamina, não seja econômico no jogo erótico, onde começa a produção de ocitocina via tato. Nós podemos ter sensações diferentes que são acionadas por nervos diferentes", enfatizou Brendler.

"Cada parte tocada do corpo tem uma representação cerebral. A vagina tem uma, o mamilo tem outra, o clitóris outra. Então não pode ser econômico. O nome correto não é preliminar, mas, sim, essenciais", acrescentou.

Mas veja bem: se na hora da transa, a pessoa ficar se autocriticando ou se analisando não haverá orgasmo. Sexo é para ser sentido, não analisado.

Como definir uma compulsão sexual?

Um assexual não sofre, mas essa é a principal característica da compulsão sexual —o sofrimento, que altera a vida da pessoa em vários aspectos, sobretudo nas relações sociais.

"Essa compulsão atravessa fases de euforia e é muito confundida com o início da relação, mas com o tempo, a pessoa começa a perceber que ela nunca fica satisfeita", descreve a psicóloga Imacolada Marino Gonçalves.

Trata-se, portanto, de um comportamento obsessivo que muitas vezes é associado a outras comorbidades psiquiátricas, em que a pessoa vai fazer aquele exercício simplesmente para baixar a ansiedade.

O que pode gerar a compulsão sexual:

  • Manias;
  • Depressão;
  • Fobia social;
  • Excesso de testosterona;
  • Problemas de relacionamento;
  • Tumores cerebrais, entre outros.

De acordo com o psiquiatra de Ribeirão Preto, muitos pacientes só procuram ajuda com ordem judicial. O tratamento pode ser feito a base de psicoterapia, medicamento e, em último caso, privação de liberdade. Mas vale dizer que muitos tratamentos malsucedidos ocorrem por falta de motivação do paciente.

Vem aí a 2ª Semana da Saúde Mental VivaBem

    Na pandemia, a saúde mental do brasileiro piorou. Incertezas e mudanças na rotina geradas pelo coronavírus, o isolamento social, o sedentarismo, entre outras situações, resultaram no aumento do estresse, da ansiedade e de outros transtornos.

    O Brasil, que antes da pandemia já era o primeiro em casos de ansiedade do mundo, tornou-se o país com maior número de deprimidos na quarentena. Falar sobre o assunto é o primeiro passo para tratar esses problemas e encontrar equilíbrio mental.

    É o que vamos fazer na 2ª Semana VivaBem da Saúde Mental, que será iniciada com um evento ao vivo, exibido no dia 14/10, a partir das 14h, no Youtube e no Canal UOL. Com apresentação da jornalista Mariana Ferrão, o evento terá cinco painéis, em que psicólogos, psiquiatras e convidados especiais vão falar sobre saúde mental sem tabu.

    Confira aqui a programação completa do evento e fique de olho no Instagram do VivaBem para saber mais sobre a 2ª Semana VivaBem da Saúde Mental, que tem patrocínio de Libbs Farmacêutica.

    Fontes: Arnaldo Barbieri Filho, psiquiatra, especialista em psicoterapia e sexualidade humana, responsável pelo IES (Instituto de Estudos da Sexualidade) de Ribeirão Preto (SP), professor colaborador da pós-graduação em sexualidade humana da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), membro da comissão científica do Congresso Brasileiro de Sexualidade, delegado do estado de São Paulo da SBRASH (Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana) e secretário de sexologia da APAL (Asociación Psiquiátrica de America Latina) representando a ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria); Imacolada Marino Gonçalves, psicóloga, especialista em psicologia da saúde e psicossomática, saúde da mulher e sexualidade, coordenadora e professora doutora do curso de pós-graduação em educação, saúde e terapia sexual do Centro de Referência da Saúde da Mulher - Hospital Pérola Byington (SP); e Jaqueline Brendler, médica especialista em sexualidade humana, presidente da Flasses (Federação Latino Americana das Sociedades de Sexologia e Educação Sexual) e membro da AISM (Academia Internacional de Sexologia Médica).

    *A repórter viajou a convite da ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria).

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