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Cuidar da mente para uma vida mais harmônica


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Sem vontade de fazer sexo? Emoções têm relação quase direta com libido

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Imagem: Getty Images/iStockphoto

Heloísa Noronha

Colaboração com o VivaBem

01/06/2021 04h00

Uma sexualidade saudável e equilibrada tem tudo a ver com a saúde mental. A libido tem relação com a autoestima, o prazer e o bem-estar. No entanto, quando estamos atravessando uma fase baixo-astral ou lidando com sentimentos ruins, dificilmente o desejo dá as caras.

A seguir, entenda como as emoções afetam a vontade de fazer sexo e veja como é possível enfrentar essa situação.

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Estresse ou cansaço extremo

O estresse afeta negativamente o sistema nervoso autônomo simpático e parassimpático. O primeiro é responsável pela reação do corpo a uma determinada ação (contrações musculares inconscientes, que nos deixa alertas, preparados para voar ou lutar, por exemplo), e o segundo faz com que o organismo volte ao normal.

Durante a relação sexual, no homem, o parassimpático produz a ereção, e o simpático, a ejaculação. Já na mulher, o parassimpático potencializa o muco vaginal, facilitando a penetração. Quando se está estressado, esse sistema fica desequilibrado, atrapalhando o sexo.

Além disso, o cansaço —físico, mental, emocional — diminui a energia e impede a motivação própria para o momento. Sem contar que quanto mais exaustos estamos, maior a dificuldade de relaxar e se entregar a uma situação, mesmo que prazerosa.

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Preocupações com dinheiro

A questão financeira provoca queda no desejo sexual porque é algo extremamente angustiante e que não dá folga. Não há distração que supere a apreensão com os boletos que não param de chegar ou a falta de perspectiva. Para uma parcela significativa de casais ter que fechar a conta no fim do mês pode provocar muita briga e discussão, causando mal-estar e afetando diretamente a vontade de um estar junto ao outro. Toda a energia fica canalizada para o problema.

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Tédio

Num contexto de pandemia, um dia parece igual ao outro. O peso do cotidiano, muitas vezes somado às demandas do home office, gera uma monotonia que atrapalha o desejo. Surpresa, quebra na rotina e ansiedade em viver um certo tipo de emoção a dois (a chamada antecipação sexual) levam a um aumento de dopamina no corpo, um hormônio importante para o prazer e a excitação. Todo mundo sente os efeitos benéficos da dopamina ao vivenciar experiências novas, como ir a um restaurante diferente ou mudar o corte de cabelo. Em tempos de isolamento social, o tédio e a ausência de estímulos diferentes podem interferir na libido.

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Baixa autoestima

Quem não se gosta e não está satisfeito consigo mesmo dificilmente vai ter espontaneidade, criatividade e vontade de se relacionar sexualmente. É preciso que a pessoa busque entender quais os motivos da autoestima baixa e compreender o que está interferindo em sua vida e a impedindo de ser plena e feliz.

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Crise pessoal

Acomete mais os homens do que as mulheres, principalmente na questão que envolve a queda do desejo. Isso acontece porque, culturalmente, eles têm mais dificuldades em lidar com os próprios aspectos emocionais do que as mulheres. Uma crise pessoal pode pôr em xeque todas as escolhas que a pessoa fez para a própria vida até então. Em geral, existe um agente catalizador da crise, que pode ser a perda do emprego, o adoecimento de ente querido, o fato de ter que usar uma reserva financeira diante de uma emergência.

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Mágoa ou raiva reprimida

A queda na libido pode ser reflexo de questões que vão além do que acontece na vida entre quatro paredes de um casal —e que, em vez de serem discutidas, são varridas para baixo do tapete. Traições, ressentimentos acumulados, discordâncias em pontos fundamentais, como finanças e educação dos filhos, podem repercutir na questão do desejo, nem sempre de forma consciente. Em alguns casos, não ter vontade de transar pode funcionar até como uma "punição" inconsciente para algum rancor guardado do outro.

É possível reverter a situação?

Sim, desde que haja empenho. É válido, antes de tudo, descartar fatores orgânicos como explicação para a libido em baixa. Depressão, anedonia (incapacidade de sentir prazer) e até uma disfunção chamada desejo sexual hipoativo podem estar por trás do problema, mas devem, obviamente, receber o diagnóstico de um especialista, que poderá recomendar o tratamento adequado.

Para certas situações, como as que envolvem a autoestima e/ou um ruído na comunicação entre o casal, uma terapia (individual ou a dois, conforme orientação) pode surtir bons resultados. No entanto, é importante saber que os casais não devem esperar o desejo surgir. O ideal é tentar criá-lo, mesmo em condições adversas como o desânimo em função da pandemia ou ter de enfrentar problemas financeiros ou profissionais. O mito do desejo espontâneo é algo que prejudica bastante a sexualidade, sobretudo em relacionamentos longos.

É preciso voltar a colocar a vida sexual como prioridade, mesmo que aos poucos, e para isso os hormônios entram em cena novamente, principalmente a oxitocina, conhecida como "a droga do amor". Atividades simples como assistir a um filme juntos de mãos dadas, conversar sobre a relação, desligar os eletrônicos antes de irem para a cama e dormirem abraçados elevam os níveis de oxitocina no organismo, favorecendo o sentimento de cumplicidade e intimidade. Esse aumento também estimula o senso de união e combate o estresse, fazendo com que o casal se sinta mais próximo e incentivado a vivenciar outras vezes essa sensação.

Fontes: Carla Cecarello, psicóloga, terapeuta sexual e fundadora da ABS (Associação Brasileira de Sexualidade); Cibele Fabichak, fisiologista e autora do livro "Sexo, Amor, Endorfinas e Bobagens" (Matrix Editora); Juliana Bonetti Simão, psicóloga especializada em sexualidade, de São Paulo (SP); Lilian Fiorelli, ginecologista especialista em sexualidade feminina e uroginecologista do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo (SP); Marlon Mattedi, psicólogo especialista em sexualidade humana da plataforma Sexo sem Dúvida; Yuri Busin, psicólogo e doutor em neurociência do comportamento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e diretor do Casme (Centro de Atenção à Saúde Mental), em São Paulo (SP).

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