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Covid: vacinação barrou gama e lambda no Brasil, sugere estudo preliminar

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Imagem: iStock

Luiza Vidal

Do VivaBem, em São Paulo

30/09/2021 16h44

Um estudo preliminar, ainda sem revisão por outros cientistas não ligados à pesquisa, avaliou a relação do impacto da vacinação para controlar duas variantes do coronavírus, a gama e a lambda, no Brasil, Uruguai, Chile, Argentina e Paraguai.

O resultado, publicado na plataforma MedRxiv, no dia 21 de setembro, mostrou que os imunizantes foram capazes de controlar o avanço das duas variantes —sem incluir a delta— nos países.

De acordo com Ana Karolina Barreto Marinho, membro do Departamento Científico de Imunização da Asbai (Associação Brasileira de Alergia e Imunologia), essa é uma conclusão interessante, mas já observada em outros estudos.

"Conforme a vacinação no Brasil ia avançando aos poucos, os números de óbitos e novos casos de covid-19 iam diminuindo", explica. "A gama e a lambda eram as variantes que mais predominaram no começo do ano. Talvez se o estudo fosse feito agora, a delta apareceria com mais destaque."

Há uma outra conclusão dos pesquisadores no estudo que merece cautela. No artigo, eles sugerem que, por conta da vacinação e também da infecção natural da doença, esses países analisados teriam alcançado a imunidade de rebanho.

Mas isso é, ainda, muito cedo para afirmar. "Não podemos tirar essa conclusão. A imunidade de rebanho é secundária à vacinação e não pela infecção natural das pessoas. No entanto, isso ainda não foi observado com o coronavírus, não sabemos se teremos um dia", afirma Marinho.

Para fazer o estudo, os pesquisadores analisaram, entre janeiro e junho deste ano, a associação entre a mobilidade da população e o número efetivo de reprodução do vírus (Rt), uma taxa que basicamente mede a capacidade do vírus se espalhar nas comunidades.

Quais foram os principais achados

Os cientistas explicaram que os cinco países experimentaram ondas epidêmicas graves de covid-19 no início de 2021, impulsionadas pela expansão das variantes gama e lambda.

As análises revelaram que, de janeiro a maio de 2021, a mobilidade da população na Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai esteve relacionada ao número efetivo de reprodução Rt.

A partir de junho, no entanto, a taxa de transmissão viral começou a ser menor do que o esperado, mesmo com as pessoas saindo mais de casa. No Brasil, desde então, o indicador continua caindo.

Vacinação é fator importante, mas não o único

No início do ano, o país contava predominantemente com a vacina CoronaVac, vacina do Butantan e da farmacêutica chinesa Sinovac. Depois, o imunizante da AstraZeneca também foi incluído no programa de vacinação. Atualmente, no Brasil, há 4 vacinas em uso.

Apesar de as vacinas serem fatores essenciais para controlar a pandemia, não é possível afirmar que apenas elas são responsáveis pelo resultado que o estudo trouxe, conforme explica Renato Kfouri, infectologista e diretor da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações).

"É um estudo ambicioso no sentido de estabelecer conclusões com realidades epidemiológicas em cenários tão diferentes", diz. "Temos programas vacinais diferentes, com intervalos e velocidades entre as doses também diferentes. Eles utilizam a taxa Rt, mas é preciso avaliar as medidas não farmacológicas, como uso da máscara na população do país, se é região urbana ou rural, entre outros fatores."

Embora necessite ainda de revisões de outros especialistas, o artigo mostra que a vacinação é um fator fundamental para controlar a pandemia. "É mais um dado para acumularmos aprendizados. É assim que a ciência caminha e é assim que construímos mais conhecimento", afirma Kfouri.

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