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Fim de restrições no comércio não significa que pandemia está controlada

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Luiza Vidal

Do VivaBem, em São Paulo

17/08/2021 04h00

A partir desta terça-feira (17), o comércio no estado de São Paulo não terá mais restrições de horários de funcionamento e nem no limite de ocupação dos locais. Chamada de "Retomada Segura", a data coincide com o dia que o governo pretende ter todos os adultos já vacinados pelo menos com a primeira dose da vacina contra o coronavírus.

O governador de SP, João Doria (PSDB), disse que os protocolos de proteção estão mantidos, como uso de máscara, álcool em gel e medidas de distanciamento nos locais.

Além disso, há discussões sobre a realização de grandes festas, como Réveillon, Carnaval e, mais recentemente, a Prefeitura do Rio já quer antecipar o fim da obrigatoriedade do uso de máscaras em locais abertos —algo considerado ainda muito precoce aqui no Brasil.

Em relação ao começo do ano, quando o país teve uma alta nos casos e nas mortes por covid-19, o cenário de agora é melhor: a vacinação está avançando —não no ritmo desejado—, os números de infectados e mortos estão diminuindo, assim como as taxas de ocupação das UTIs (Unidades de Terapia Intensiva).

Mas tudo isso, somado à flexibilização do comércio, não quer dizer que a pandemia esteja controlada em qualquer local do Brasil, segundo especialistas consultados por VivaBem.

Mesmo que em São Paulo os índices de vacina estejam cada vez mais altos —mais de 60% no estado já tomaram pelo menos a primeira dose e mais de 26% estão com o esquema completo—, esse dado não significa que as pessoas estão 100% imunes ao vírus. Vacina não faz mágica.

Segundo Evaldo Araújo, médico infectologista do Hospital das Clínicas da USP (Universidade de São Paulo) e professor da Universidade São Judas (SP), estar vacinado implica a diminuição dos riscos de ter uma forma grave da doença e, consequentemente, morrer. "Cobertura vacinal é desejável e impacta muito positivamente na redução de internações e óbitos, mas ela não implica no fim da pandemia", diz.

Já é hora de flexibilizar?

Para Tiago Rodrigues, infectologista e professor da Unic (Universidade de Cuiabá), em Mato Grosso, a questão é complicada, pois é algo inédito e ainda desconhecido pela sociedade. "Qualquer decisão, em favor da economia ou da pandemia, teremos os prejudicados e os beneficiados", explica.

Para ele, optar por decisões que priorizem medidas de lockdown ou restrições de circulação evita que mais pessoas morram ou sejam infectadas pelo coronavírus. Por outro lado, ser "a favor da economia" seria apoiar medidas de flexibilização no comércio.

"A pandemia gera mortos e doentes, é algo irreversível. As decisões a 'favor' dela impactam a economia e geram desemprego, além de levar a saúde mental para o buraco, mas as coisas não são permanentes, embora não seja um impacto pequeno", explica. "Eu, como profissional de saúde, opto sempre pelas medidas que ajudem a controlar a pandemia."

Quando há flexibilização, há também maior risco da circulação do vírus e, eventualmente, pessoas vacinadas ou não podem desenvolver a doença, inclusive de forma severa, segundo Araújo. "Abrir bares e restaurantes dessa forma, sem distanciamento ou uso de áreas externas, ainda é um risco apesar da vacina."

No Brasil, cobertura vacinal ainda é baixa

Para além de São Paulo, no geral, a flexibilização do comércio esbarra em algumas questões, segundo os entrevistados. O primeiro ponto, citado anteriormente, é a cobertura vacinal nacional: 23% da população total completou o ciclo vacinal.

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Imagem: Capuski/Getty Images/iStockphoto

"Temos que ter cautela. A cobertura vacinal avançou e melhorou muito, temos perspectivas de que irá melhorar neste semestre, mas ainda não atingimos níveis de cobertura que dão segurança em relação à circulação do vírus", explica Gilberto Martin, médico sanitarista e professor de medicina da PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná).

Como ainda há circulação do vírus, isso gera um risco muito maior nas pessoas que ainda não foram imunizadas ou naquelas nas quais a vacina não gera a imunidade esperada. Por isso que os especialistas dizem que era possível "segurar mais um pouco", embora a população também já esteja cansada.

Variante delta é mais transmissível e preocupa

No Brasil e presente em mais de outros 100 países, a variante delta seria um dos outros motivos para que as medidas de restrições fossem mantidas por mais tempo. A delta preocupa por ser mais transmissível do que as outras cepas do vírus da covid-19 —o bom é que as vacinas são capazes de segurar a força dessa variante, mesmo que parcialmente.

Se é mais transmissível, mais pessoas podem ser infectadas pela doença e, por isso, há de ter mais cuidados para evitar que isso ocorra. "Uma pequena parcela terá doença grave e uma parte pode morrer. A maioria sobrevive e acaba gerando uma mutação, o que é pior para a pandemia, pois retarda a volta da 'vida normal'", afirma Rodrigues.

Para o professor da PUC, a tendência é que a delta seja a variante dominante no Brasil. "Mesmo sem um rastreamento de forma intensiva, o indicativo é que ela esteja muito presente no nosso meio. Esse é um ponto que deve, sim, ser avaliado."

Clientes e garçons mascarados contra a covid-19: as novas cenas dos bares reabertos - Bruno Rocha /Fotoarena/Folhapress - Bruno Rocha /Fotoarena/Folhapress
Imagem: Bruno Rocha /Fotoarena/Folhapress

Monitoramento deve ser constante para evitar novos picos

A abertura sem restrições do comércio só pode se sustentar com políticas públicas e monitoramento adequado, de acordo com o grupo Ação Covid-19, formado por cientista s e pesquisadores que estudam a pandemia no Brasil.

Segundo pesquisa do grupo, dependendo da duração da imunidade obtida com as vacinas, um novo pico de infecções pode ocorrer já em abril de 2022 — que não seria tão alto como o ocorrido neste ano.

Os pesquisadores simularam dois cenários para o biênio 2021-2022. No primeiro, a imunidade das pessoas vacinadas dura 12 meses e, no segundo, 18 meses. Cada cenário é simulado para diferentes tipos de ambientes: cidades com alta ou média densidade demográfica e cidades com maior ou menor índice de proteção à covid-19.

No pior cenário simulado, o de um território correspondente à cidade de Olinda (PE) — com alta densidade demográfica, IPC (Índice de Proteção à Covid-19) baixo e apenas um ano de imunidade vacinal — resultaria em 71,51% da população infectada e 0,29% da população morta em 2 anos de pandemia após o início da vacinação.

Os números são duas vezes superiores aos do melhor cenário (IPC alto, densidade demográfica menor e imunidade vacinal de 18 meses), territórios correspondentes às cidades de São Paulo (SP) ou Belo Horizonte (MG).

Por isso, o grupo defende que um novo cenário de caos pode ser evitado se o poder público estiver atento, monitorando o início dos surtos e pronto para decretar medidas de proteção não farmacêuticas.

Ambientes precisam se adaptar

Apesar de todos os pontos citados acima, o fato é que o comércio, por ora, vai funcionar sem nenhuma restrição nos próximos dias. De acordo Rita Mattiello, epidemiologista e professora de medicina da PUC-RS, são esses estabelecimentos que precisam se adaptar —assim como foi no começo da pandemia— e trazer também soluções que ajudem a não propagar o vírus.

"Que esses locais sejam bem ventilados, que limitem o número de pessoas para evitar aglomerações e que a organização seja adequada para respeitar o distanciamento social e evitar aglomerações", diz Mattiello. "Dificilmente teremos aquele cenário com tudo fechado novamente."

Há essa "responsabilidade dos estabelecimentos", de pensar formas de reduzir danos, mas há também o cuidado individual de cada um. O que você, como frequentador do local, pode fazer para reduzir os riscos de infecção?

Veja como você pode reduzir danos

Uma opção de lazer são os parques e praças, onde o risco de contrair o vírus é menor pela circulação de ar e por ser uma grande área disponível. Mas caso você opte frequentar bares, restaurantes, entre outros locais, veja como evitar riscos com medidas simples:

restaurante, bar, mulher sozinha em restaurante - Unsplash - Unsplash
Imagem: Unsplash

Restaurantes e bares

  • Escolha lugares que não estejam cheios;
  • Opte por bares e restaurantes que tenham um ambiente aberto, ao ar livre;
  • Em locais fechados, prefira mesas que fiquem perto de janelas;
  • Evite ficar próximo de mesas cheias, escolha um lugar mais distante;
  • Só retire a máscara (de preferência PFF2) quando for consumir alguma comida ou bebida;
  • Se for sair com amigos, não faça aglomeração, opte por grupos de no máximo 4 pessoas;
  • Se o grupo for grande, o lugar também precisa ser maior e melhor ventilado;
  • Evite falar muito alto;
  • Por mais que seja difícil, tente não beijar ou abraçar quem estiver com você;
  • Higienize as mãos após tocar em algo e evite encostá-las na boca, nariz e olhos;
  • É preferível manter o distanciamento de 1,5 metro quando estiver conversando com alguém.
cinema vazio - Unsplash - Unsplash
Imagem: Unsplash

Cinema

  • Se for acompanhado, evite ir em grupo, vá com mais 2 ou 3 pessoas, no máximo;
  • Não tire a máscara neste ambiente, pois ele não possui boa circulação do ar;
  • Evite comer e beber;
  • Respeite o distanciamento entre as cadeiras;
  • Higienize as mãos após tocar em algo e evite encostá-las na boca, nariz e olhos.
1º.jun.2020 - Movimento no Vale Sul Shopping, em São José do Campos, interior de São Paulo - Lucas Lacaz Ruiz/Estadão Conteúdo - Lucas Lacaz Ruiz/Estadão Conteúdo
Imagem: Lucas Lacaz Ruiz/Estadão Conteúdo

Lojas e shoppings

  • Evite ir em horários que o local esteja cheio;
  • Vá de máscara, de preferência PFF2;
  • Higienize as mãos após encostar em portas, corrimão e evite encostá-las na boca, nariz e olhos;
  • Alimente-se em casa; evite ao máximo ficar sem a máscara para comer ou beber;
  • Mantenha distanciamento quando falar com outras pessoas.

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