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Como astronautas podem ajudar no tratamento de pacientes com câncer

Divulgação/NASA
Imagem: Divulgação/NASA

Do VivaBem

18/11/2019 15h26

Engana-se quem pensa que a exploração espacial é "apenas" observar o que existe fora do nosso planeta. Pesquisadores acreditam que pacientes com câncer podem usar astronautas como referências para manter o corpo mais saudável durante e após o tratamento contra a doença.

Os viajantes espaciais, quando em missões longas, enfrentam distrofia muscular, fraqueza nos ossos e o aumento de doenças cardiovasculares, assim como pacientes com câncer durante o tratamento. Os especialistas agora estão estudando como os astronautas se preparam no pré, durante e pós a viagem especial.

Segundo a pesquisadora Jessica Scott, do Memorial Sloan Kettering Cancer Center, um paciente durante tratamento com câncer não precisa necessariamente de descanso para se manter saudável. "Astronautas e pacientes com câncer têm o que chamamos de 'múltiplos golpes'", escreve ela em artigo publicado no site Cell.

Para ambos, existem três fatores principais: riscos à saúde preexistentes (como hipertensão); golpes"diretos", como quimioterapia para pacientes com câncer ou redução da gravidade e exposição à radiação para astronautas; e golpes "indiretos", que acontecem quando um paciente não se sente bem ou um astronauta não pode fazer todas as coisas diárias que faz na Terra e, portanto, seu peso flutua ou fica inativo por um período de tempo.

"Quando você reúne esses três 'golpes', todos os sistemas do corpo humano são afetados", diz Jessica

"Os astronautas têm mudanças no paladar, assim como os pacientes com câncer têm mudanças no paladar. Os astronautas descrevem ter 'nevoeiro espacial', que é muito semelhante ao que os pacientes com câncer descrevem como 'cérebro da quimioterapia', onde podem ter problemas para se lembrar de coisas ou de se concentrar", explicou.

Há atualmente 16 milhões de sobreviventes de câncer apenas nos Estados Unidos, e este número tende a crescer cada vez mais. Porém, mesmo que o paciente sobreviva, ele enfrenta outros riscos após o tratamento — doenças cardiovasculares lidera a causa de morte entre os sobreviventes.

"É uma faca de dois gumes", diz a pesquisadora. "Você cura o câncer, mas também começa a desenvolver essas complicações secundárias com as quais os pacientes estão enfrentando agora".

Segundo Jessica, é aí que os astronautas com seus exercícios exercícios seguem podem fazer uma enorme diferença e algumas pesquisas preliminares mostraram resultados promissores.

De fato, pacientes que enfrentam outras complicações de saúde, como ataques cardíacos ou doenças pulmonares obstrutivas crônicas, costumam ser encaminhados a programas de exercícios estruturados, mas esse não é o padrão de atendimento quando se trata de oncologia.

Há mais pesquisas a serem feitas, afirma a especialista, que está começando a implementar alguns elementos do programa da NASA em ensaios clínicos de pacientes com câncer, usando as mesmas avaliações que os astronautas passam e até mesmo entregando esteiras nas casas de alguns pacientes, para que possam fazer videoconferência com o "controle da missão" enquanto estão fazendo exercícios.

Ainda não há uma resposta única para que tipo de exercícios as pessoas devem fazer ou como elas poderiam ajudar diferentes tipos de pacientes, mas Jessica afirmou que é o momento certo para começar a analisar como os modos da NASA podem ajudar ainda mais pessoas na Terra.

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