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"Supercentenários” têm imunidade reforçada que combate infecções e câncer

"Supercentenários", pessoas que já chegaram aos 110 anos, teriam células imunes especializadas  - iStock
"Supercentenários", pessoas que já chegaram aos 110 anos, teriam células imunes especializadas Imagem: iStock

Danielle Sanches

Do VivaBem, em São Paulo

14/11/2019 15h56

Resumo da notícia

  • "Supercentenários", pessoas que chegam até os 110 anos, foram analisadas por um grupo de cientistas no Japão
  • Eles descobriram que o sistema imunológico dessas pessoas possui células especializadas em combater infecções, câncer e até doenças cardiovasculares
  • Os cientistas acreditam que isso possa ajudar a entender melhor os processos de envelhecimento e ajudar as pessoas a envelhecer melhor

Se chegar aos 100 anos é para poucos, apagar 110 velinhas é algo para um grupo ainda mais seleto. Intrigados com isso, um grupo de cientistas do RIKEN Center of Integrative Medical Science e da Keio University, ambos do Japão, decidiu investigar qual é o segredo por trás da longevidade desses "supercentenários".

O estudo, publicado no periódico PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences), revelou que a chave para tantos anos de vida pode estar não no estilo de vida dessas pessoas, mas em seus sistemas imunológicos.

Essa sempre foi a suspeita dos cientistas, já que a vida longa deixava implícito que suas imunidades permaneciam funcionais mesmo após a velhice. Eles então analisaram o RNA de uma amostra de células imunológicas dos "supercentenários" e notaram que havia uma marca registrada entre eles.

Especificamente, eles notaram que as células conhecidas como T — mais especificamente, as células CD4 T — tinham a capacidade de atacar diretamente outras células, enquanto nas pessoas "comuns" isso não foi observado.

Os cientistas acreditam que esses indivíduos apresentam uma adaptação importante no sistema de linfócitos (as células de defesa do corpo), o que os permitiu sustentar uma resposta imune significativa contra doenças como infecções, câncer e até problemas no sistema cardiovascular ao longo de suas vidas.

Como o estudo foi feito?

  • Os cientistas analisaram um grupo de sete "supercentenários" e coletaram um total de 41.208 células (uma média de 5.887 por indivíduo);
  • Foram analisadas também 19.994 células de cinco pacientes entre 50 e 80 anos como controle;
  • Os especialistas notaram então que, enquanto as células imunes tipo B estavam em menor quantidade nos "supercentenários", o número de células T especializadas em matar outras células (uma habilidade chamada de citotoxidade) estavam presentes em grande número --cerca de 80% das células T analisadas possuíam essa capacidade, em comparação com 10% ou 20% do grupo de controle;
  • Os cientistas conseguiram ainda notar que as células que possuíam essa capacidade eram de um subtipo chamado CD4, que normalmente não possuíam capacidade citotóxica mas apresentavam essa característica nos supercentenários;
  • Eles ainda conseguiram rastrear a origem dessas células e perceberam que elas surgiram a partir de uma única "ancestral" em comum, indicando um processo de expansão clonal (comum entre as células do sistema imunológico).

Por que isso é importante?

Embora seja um estudo com poucos indivíduos (infelizmente, não são muitos os que chegam até os 110 anos), os cientistas acreditam que as descobertas ajudam a explicar por que alguns indivíduos conseguem viver por tanto tempo — e, quem sabe, isso pode ajudar as "pessoas normais" a terem uma vida mais longa também.

Além disso, os cientistas também estão interessados particularmente nos mecanismos que levam essas pessoas a envelhecer bem, algo importante e que pode contribuir com a saúde pública de países com um grande número de idosos, como é o caso do Japão e muitos países da Europa.

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