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Após perder 20 kg, ele correu os primeiros 42 km no dia em que fez 52 anos

Vanderlei começou a correr em 2016, após descobrir que tinha risco de sofrer um infarto - Arquivo pessoal
Vanderlei começou a correr em 2016, após descobrir que tinha risco de sofrer um infarto Imagem: Arquivo pessoal

Vanderlei Lima

Do UOL

09/08/2019 04h00

"Minha vida começou a mudar no final de 2015. Passei em uma consulta com uma cardiologista e, quando ela viu meus exames, se assustou. Triglicérides, colesterol LDL e HDL altos, ou seja, perfil de gorduras no sangue totalmente horrível.

A médica fez eu me levantar, veio por trás de mim e, passando a mão direita em meu abdome, alertou: 'Aos 48 anos, você está pronto para ter um infarto.' Como assim? Eu me assustei. Ela circulou com a caneta os resultados do exame e me mostrou. Ainda disse que eu precisava tomar uma atitude, fechar a boca e praticar alguma atividade física.

Saí do consultório médico arrasado e muito preocupado, claro. Como era final de ano esperei terminar 2015 e, no começo de 2016, para ser mais preciso no dia 20 de janeiro, comecei a fazer no Sesc Pinheiros, em São Paulo, um treino composto por alongamentos, corrida e fortalecimento muscular.

Os primeiros passos

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal
Quando iniciei a atividade física eu pesava 83 kg e estava bem acima do peso (tenho 1,65 m de altura). O começo não foi fácil. Eu sequer sabia meu pace (ritmo). Só me preocupava em correr e, sem qualquer noção de velocidade, cheguei a fazer treinos na esteira a 15 km/h --um pace de 4 min/km, muito forte para grande parte dos atletas amadores, ainda mais iniciantes. Resultado: após quase sete meses, tive lesão no púbis. Isso por teimosia, pois o professor me orientava a correr mais devagar.

Após quatro meses de fisioterapia, voltei mais cauteloso aos treinos. Corria três vezes por semana e fui aumentando a distância aos poucos. Ainda em 2016 consegui completar 15 km e já estava pesando 70 kg. Defini como objetivo para 2018 fazer minha primeira meia maratona (21,097 km), o que consegui em novembro. Completei a prova em 1 hora e 48 minutos e 20 kg mais magro, pesando 62,5 kg.

Tracei como meta para 2019 fazer minha primeira maratona (42,195 km) no dia em que completaria 52 anos. Nas férias de janeiro, já comecei a esticar mais as minhas corridas, chegando a 26K. E, em fevereiro, iniciei de fato a preparação para participar da SP City Marathon, em 28 de julho. Foram 58 treinos e um total de 913 km rodados até a prova.

A estreia nos 42 km

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal
A largada da SP City acontece em frente ao estádio do Pacaembu e a chegada é no Jóquei, passando por pontos importantes da cidade como o Minhocão, o cruzamento da Av. Ipiranga com a Av. São João, a Praça da Sé, a Av. 23 de Maio, o Parque Ibirapuera e a USP (Universidade de São Paulo).

Na primeira parte do percurso eu me senti muito bem e corri o tempo todo sem prestar atenção nas placas de quilometragem da prova. Quando minha pulseira marcou uma hora, vi que marcava 13,66 km. Isso me deixou muito empolgado, pois nos treinos fazia cerca de 12 km nesse tempo. Defini que ia tentar manter o ritmo até os primeiros 21 km e assim fiz. Nesse momento, o percurso passava em frente a entrada do Jóquei e nós, corredores, tínhamos de seguir até o Parque Villa-Lobos, percorrer alguns quilômetros dentro da USP e voltar ao Jóquei, completando os 42 km.

Na Cidade Universitária tive uma grande surpresa ao olhar para minha pulseira: ela marcava 42,22 km e 3 horas e 31 minutos de prova! Sabia que algo estava errado pois a chegada ainda estava um pouco longe. Vi em uma placa que estava no quilômetro 36 e confesso que isso me deixou um pouco frustrado. Nos treinos longos cheguei a correr 42,2 km em 3 horas e 30 minutos algumas vezes e esperava cruzar a linha de chegada nesse tempo. E só durante a maratona descobri que pulseira que usei para me preparar por cinco meses não marcava a quilometragem correta...

Mas, vida que segue. Continuei firme até o Jóquei e alcancei meu grande objetivo pessoal, que era correr os 42 km e sacramentar de uma vez por todas as mudanças que a corrida proporcionou a minha vida, especialmente ter mais saúde. Mesmo com a pulseira me enganando, estava feliz.

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal
Quando eu me preparei para a maratona tinha dois objetivos: chegar entre os 100 primeiros na minha categoria e estar entre os 1000 no geral. Terminei os 42 km em 3:50:32 e fui o 948º atleta a cruzar a linha de chegada, sendo que cerca de 4 mil corredores completaram a distância. Já na minha categoria, M50-59 anos, fui o 107º colocado. Ou seja, ao menos uma meta conquistei!

Agora, espero alcançar outros novos desafios, como melhorar o tempo na maratona ainda esse ano --e também comprar um relógio que marque a distância corretamente. Além isso, pretendo participar de um desafio de 50 km em 2020 e nunca parar de correr, pois o esporte para mim é um prazer, uma terapia.

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