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O 'iogurte' que você compra pode não ser iogurte. Veja como reconhecer

Marcia Albuquerque/UOL VivaBem
Imagem: Marcia Albuquerque/UOL VivaBem

Thais Szegö

Colaboração para o UOL VivaBem

01/04/2019 04h00

A gôndola que armazena os iogurtes é capaz de deixar qualquer um confuso, até porque nem todos os produtos que estão lá podem receber esse nome. Existem as bebidas lácteas e os leites fermentados, que possuem embalagens parecidas e ingredientes até que próximos, mas composições nutricionais muito diferentes. Veja o que muda entre esses artigos e acerte na hora da escolha.

Tipos de bebidas

- Iogurtes: O iogurte é constituído por uma boa porção de ingredientes lácteos, pelo menos 70%, o que faz com que tenha uma quantidade maior de proteínas e cálcio. Além disso, ele oferece a princípio dois tipos de bactérias benéficas, Streptococcus thermophillus e Lactobacillus bulgaricus, e leite em pó, que ajuda a deixar sua consistência mais firme e cremosa.

- Leite fermentado: São produtos como o Yakult e o Chamyto. Como o próprio nome diz, trata-se do leite que foi fermentado por bactérias benéficas, como Lactobacillus acidophilus, Lactobacillus casei, Bifidobacterium sp., Streptococus thermophilus, que auxiliam a recompor a flora intestinal e melhoram a imunidade, e faz dele a opção mais rica nesse ingrediente. Entenda mais sobre o leite fermentado.

- Bebida láctea: Tem menos substâncias de origem láctea, o que justifica sua consistência mais líquida, e possui uma quantidade menor de bactérias benéficas e menor valor nutritivo, pois contêm amido, frutas, corantes, fermentos lácteos, entre outros. Toda bebida láctea é obrigada a ser apresentada como tal no rótulo, mesmo que isso não tenha destaque no rótulo.

Diferenças nas doses de gordura
Nesse quesito os iogurtes são divididos em integral, semidesnatado e desnatado, em ordem decrescente de acordo com a quantidade dessa substância presente na formulação.

  • Integral: possui no mínimo de 3 g de gordura a cada 100 g;
  • Semidesnatado: entre 0,6 e 2,9 g de gorduras totais a cada 100 g de produto;
  • Desnatado: devem apresentar no máximo 0,5 g de gorduras totais a casa 100 g de alimento.

O desnatado pode chegar a ter menos da metade de gorduras e calorias do integral. Por isso, o último é uma boa opção para quem quer restringir a ingestão desse tipo de nutriente, mas é importante lembrar que, no caso do leite, apesar da gordura ser do tipo saturada, fazendo parte de uma dieta equilibrada ela não aumenta o risco de doenças cardiovasculares e está associada a um menor risco de obesidade, de acordo com estudos.

E os lights?
Esse termo indica que algum dos componentes do alimento teve uma redução de pelo menos 25% em algum ingrediente em comparação ao convencional. Normalmente ela diz respeito à gordura, ao sódio ou ao açúcar. Lembrando que um produto com menor quantidade de gordura, por exemplo, não é necessariamente pobre em outros ingredientes, como o açúcar, ou que seja menos calórico. Por isso, sempre vale a pena conferir o rótulo.

Opção com probióticos
Nesse caso eles recebem uma dose extra de lactobacilos e bifidobactérias, micro-organismos que são ativos no dentro do corpo humano e trazem uma série de benefícios, principalmente para o intestino. Algumas pesquisas ainda indicam que eles melhoram a imunidade, ajudam a reduzir o colesterol e combater o diabetes. Mas nem todo iogurte é probiótico, pois muitos são produzidos com um tipo que não sobrevive no estômago, e, por essa razão, não tem essa ação. Por isso, se não tiverem lactobacilos e bifidobactérias no rótulo, não confie.

Versão grega
O iogurte grego ou tipo grego ainda não aparece em uma especificação legal no Brasil, mas na literatura científica internacional está na categoria dos iogurtes concentrados, com maiores teores de proteínas e gorduras em relação ao tradicional. Normalmente, eles costumam ter até 10% mais de proteínas e até 30% mais de gorduras, o que faz com que ele tenha uma consistência mais firme e cremosa, obtida através da retirada do soro do leite. Por aqui, no entanto, eles também costumam receber doses de espessantes como gelatina ou goma, ou creme de leite, amido ou gorduras para apresentarem essa consistência, deixando-os mais longe de ser um iogurte de verdade. Mas também pode ser produzido com e sem adição de açúcar, com probióticos, com ou sem adição de polpas ou preparados de frutas, entre outras variações. Mais uma vez ler o rótulo é muito importante.

Vale a pena investir no sem lactose?
Esse açúcar presente no leite tem sido encarado como um vilão, por isso muita gente prefere optar pelo tipo de produto livre dessa substância. Entretanto, ele é fabricado para pessoas que de fato tenham alguma intolerância. Na dúvida, converse com seu médico ou nutricionista.

Como o produto se apresenta é muito importante
No final das contas, o item vendido como iogurte pode ser uma bebida láctea ou um leite fermentado, mas nem reparamos. Por isso, sempre leia na frente do rótulo como o produto se denomina: essa informação às vezes aparece em letras menores na parte inferior ou nas laterais do rótulo, próximo ao peso da embalagem. Dica: se está escrito que o alimento é "sabor iogurte" ou "tipo iogurte", então ele não é!

Tem bactérias do bem? Veja bem quais são
Normalmente os produtos com adição de bactérias divulgam quais são elas no rótulo. Observe com atenção se essas bactérias são lactobacilos ou bifidobactérias, já que outros tipos podem não sobreviver até a chegada ao estômago.

Não se deixe enganar
Alguns iogurtes têm quantidades muito grandes de açúcar, substância que nem sempre está descrita na lista de ingredientes dessa forma. Ele também pode aparecer com outros nomes, como xarope de malte, glicose, sacarose, açúcar invertido, maltose, dextrose, maltodextrina, glucose de milho, entre outros. E é importante levar em consideração que eles aparecem em ordem decrescente, ou seja, quanto mais perto do início da relação eles estiverem, maior a quantidade.

Gostinho especial
Os iogurtes podem ser diferenciados ainda pelo fato de terem pedaços de frutas, aromatizantes ou saborizantes. Nesse caso é importante observarmos se as frutas e os outros ingredientes que fornecem o sabor e a cor são naturais e se o produto tem muito açúcar, corantes, conservantes, amido ou componentes industriais que não são saudáveis.

Informações extras
O rótulo também mostra se o alimento é enriquecido com fibras, minerais ou vitaminas, tem um teor mais alto de proteínas, entre outros. Mas antes de acreditar em tudo isso, vale a pena comparar as suas informações nutricionais com as de outros produtos e checar se de fato há diferença.

Confira o invólucro
Ele não pode estar danificado, estufado ou quente ou armazenado em local sem boa refrigeração, características que podem indicar que ele está impróprio para o consumo. Outro cuidado importante é manter o alimento na embalagem original em casa para garantir a sua segurança.

Informação nutricional

Iogurte integral natural

  • Porção 170 gramas (1 pote)
  • Valor energético: 100 kcal
  • Carboidratos: 10 gramas
  • Proteínas: 6,8 gramas
  • Gorduras totais: 3,6 gramas
  • Gorduras saturadas: 2,1 gramas
  • Cálcio: 254 miligramas

Iogurte desnatado natural

  • Porção 170 gramas (1 pote)
  • Valor energético: 75 kcal
  • Carboidratos: 11 gramas
  • Proteínas: 7,2 gramas
  • Gorduras totais e saturadas: não contém quantidades significativas
  • Cálcio: 255 miligramas

Iogurte grego regular

  • Porção 100 gramas (1 pote)
  • Valor energético: 250 kcal
  • Carboidratos: 25 gramas
  • Proteínas: 9 gramas
  • Gorduras totais: 12 gramas
  • Gorduras saturadas: 8,5 gramas
  • Cálcio: 300 miligramas

Bebida láctea

  • Porção 170 gramas (1 pote)
  • Valor energético: 150 kcal
  • Carboidratos: 0,1 gramas
  • Proteínas: 2,8 gramas
  • Gorduras totais: 3,2 gramas
  • Gorduras saturadas: 1,8 gramas
  • Cálcio: 100 miligramas

Leite fermentado

  • Porção 170 gramas (2 potes em média)
  • Valor energético: 93 kcal
  • Carboidratos: 18 gramas
  • Proteínas: 3,6 gramas
  • Gorduras totais e saturadas: não contém quantidades significativas
  • Cálcio: 149 miligramas

Fontes: Patrícia Blumer Zacarchenco, pesquisadora do Tecnolat (Centro de Tecnologia de Laticínios) do Ital (Instituto de Tecnologia de Alimentos), vinculado à Apta (Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo; Débora Palos, nutricionista clínica da Clínica Dra. Maria Fernanda Barca, em São Paulo; e Karina Hatano, nutróloga, fisiologista e médica do espore do Instituto Cohen

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