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Como escolher o melhor azeite de oliva para sua saúde

Marcia Albuquerque/VivaBem
Imagem: Marcia Albuquerque/VivaBem

Lúcia Helena de Oliveira

Colaboração para o VivaBem

09/04/2018 04h00

Só de janeiro ao finalzinho de 2017, foram nada menos do que 649 novas pesquisas publicadas mundo afora atestando os benefícios do azeite: ele protege o coração, previne tumores e doenças inflamatórias, é um aliado contra a osteoporose, diminui o risco de acumular gordura na barriga... Cada brasileiro consome, em média, 0,4 litro por ano --enquanto um grego usa cerca de 16 litros. E, apesar de estarmos litros atrás dos gregos, não faltam opções nas gôndolas dos supermercados. Na dúvida sobre qual é o melhor? Siga essas orientações infalíveis:

Vá de lata ou vidro escuro sempre
Quatro fatores podem acabar com a qualidade de um azeite antes mesmo de ele ser consumido, deixando o sabor rançoso e destruindo os componentes que fazem bem à saúde: a umidade, o calor excessivo, o oxigênio do ar e a luminosidade. Por causa desta última, fica fácil entender que um bom azeite é aquele guardado no escurinho.

Entre a lata e a garrafa de vidro?
Se o vidro é escuro, realmente tanto faz. Use o critério da economia e aproveite.

Azeite temperado no vidro transparente não é bem azeite
A garrafa, no caso, não é transparente à toa. O fabricante quer que você enxergue o alho, as ervas, a pimenta, a casquinha de limão, o que estiver lá dentro. Só que não se engane: esse tipo de produto é registrado como um condimento aromatizado à base de azeite. E não passa disso.

Fuja de embalagens PET
Elas são encontradas em produtos mais baratos. Só que não vale a pena levá-los, mesmo que o plástico seja escuro. Esse material é ligeiramente poroso. Ou seja, o azeite acaba entrando em contato com o oxigênio do ar antes de ser aberto.

Você encontra dois tipos no mercado brasileiro: o azeite extravirgem, que por convenção costuma ser vendido em latas ou vidros com rótulos verdes; e o que é simplesmente chamado de azeite de oliva, onde predomina o tom vermelho.

Extravirgem ou normal? Para saúde do coração, tanto faz
Mais de 80% da composição de ambos é uma gordura monoinsaturada, o ácido oleico. Ele ajuda o organismo a formar o HDL, o colesterol bom, que evita placas nas artérias. E a dupla ainda apresenta outras gorduras benéficas da família dos ômegas. Portanto, pode levar o mais barato. Que, inclusive é mais barato porque é refinado, e perde o aroma e sabor. Para não ficar com gosto de nada, leva uma pitada do extravirgem. É uma boa opção para ser usada no fogão.

Para proteção contra mais doenças, escolha o extravirgem
Agora, se quer o pacote completo dos benefícios alardeados, como a ação antioxidante das vitaminas E, A e D, além do efeito protetor dos polifenóis contra o câncer e outras doenças, então invista no extravirgem sem pestanejar. Ele deve ter apenas de 0,2 a 0,8% de ácidos graxos livres, o que é chamado de acidez do azeite. E não passa de mito aquela história de que quanto menor esse índice, melhor o sabor.

Picância é sinal de qualidade
Para um paladar atento, o que entrega que um extravirgem tem uma maior concentração de polifenóis bons para a saúde do que outro é o que os especialistas chamam de picância: um azeite mais carregado dessas moléculas benfeitoras arde na garganta e, às vezes, ao prová-lo puro, a pessoa chega a tossir. Mas, claro, você pode preferir algo mais suave.

Decore marcas, não países
A cor e o sabor do azeite irão variar conforme uma série de fatores, como a época em que a azeitona foi colhida e principalmente a sua variedade. E aí é que são elas: só a Itália possui mais de 500 azeitonas diferentes. E os fabricantes às vezes criam blends, isto é, misturas de azeitonas diferentes. Portanto, grave as marcas mais do que os países de origem.

Quanto mais jovem o seu azeite, melhor
Qualquer azeite vai perdendo suas propriedades com o tempo. Então, entre dois produtos dentro da validade, aquele que foi envasado mais recentemente será a melhor escolha. Outro detalhe: note se ele foi produzido e envasado no mesmo país, o que é uma garantia a mais. O ideal é que não sofra com o transporte por longas distâncias.

Não caia em expressões como "extraído a frio" e "primeira prensagem"
Isso é coisa do passado, quando a polpa das azeitonas era prensada em telas, que viraram peças de museu. Hoje existem maquinários bem mais eficientes. Portanto, alegar que um azeite é de "primeira prensagem" ou "extraído a frio" para supostamente indicar que é bom só indica que foi produzido sem a tecnologia capaz de tirar da azeitona tudo o que ela pode oferecer para a sua saúde.

Mapa do rótulo

  • Nome do produto: se é azeite de oliva ou azeite de oliva extravirgem, você saberá logo abaixo da marca.
  • País de origem.
  • Algumas marcas começam a dar indicadores de intensidade, mas não há padronização. Existem produtores com uma escala de 1 a 3 gotas e outros com escala de 1 a 5 gotas (intensidade é sabor da azeitona).

No contra-rótulo:

  • Acidez: no extravirgem, sempre menor do que 0,8. Não significa sabor ácido, mas uma concentração de moléculas de ácidos graxos.
  • Índice de peróxidos: sempre menor do que 20.

Informação nutricional

  • Porção de 13 ml (colher de sopa)
  • Valor energético: 108 kcal
  • Carboidratos: zero
  • Gorduras totais: 12 gramas, sempre
  • Gorduras saturadas: 1,9 gramas de saturadas (ou não seria azeite)
  • Monoinsaturadas: 9,3 g
  • Poliinsaturadas: 0,8 g
  • Fibra: zero
  • Sódio: zero

Verifique a data do envasilhamento (acima da data de validade) e o país (nas letras médias).


Fonte ouvida pelo VivaBem: Paulo Freitas, engenheiro de alimentos pela Universidade Estadual de Campinas, no interior paulista, que é somellier de azeite com curso de especialização na Itália, palestrante e consultor de diversas empresas do setor.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do informado no tópico "Contra-rótulo" desta matéria, o azeite extravirgem tem acidez menor do que 0,8, e não 0,5. A informação já foi corrigida.

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