Paulo Chaccur

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Opinião

Sabe o que é 'pé diabético'? De um simples corte a uma questão séria

O diabetes é uma doença crônica que afeta a capacidade do corpo em regular os níveis de glicose —ou açúcar —no sangue. O problema ocorre devido a falhas na secreção ou ação da insulina, hormônio liberado pelo pâncreas, responsável justamente por esse controle glicêmico.

Um quadro de diabetes com níveis altos de açúcar circulando por um período prolongado pode levar ao que chamamos de "pé diabético", termo que se refere a uma série de alterações e complicações que acometem os membros inferiores.

Quem sofre com a condição pode apresentar a neuropatia diabética (danos nos nervos) ou a doença vascular periférica (danos nos vasos sanguíneos) dessa região.

Como consequência, infecções e problemas na circulação estão entre as mais comuns. A perda de sensibilidade nos pés e pernas, sensação de dormência, formigamento ou dor são alguns dos sintomas. Há indivíduos, porém, que não apresentam qualquer indício.

O "pé diabético" acomete, em especial, quem tem o tipo 1 da doença (perda da capacidade do pâncreas em produzir insulina, que em falta faz com que a glicose não entre nas células e se acumule na corrente sanguínea) ou o tipo 2 (as células não conseguem aproveitar o hormônio liberado pelo pâncreas e a glicose passa a ser utilizada de modo ineficaz).

Os riscos da perda de sensibilidade

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Imagem: Getty Images

A dor é uma maneira do corpo nos dizer que algo não está bem. Quando há perda de sensibilidade e a pessoa passa a não sentir os pés, talvez não perceba, por exemplo, um arranhão, bolha ou machucado. Pequenos problemas que em alguns casos se tornam questões sérias.

Indivíduos com "pé diabético" podem não sentir o desconforto em áreas onde feridas, cortes ou irritações se desenvolvem. Além disso, quando os vasos sanguíneos são danificados, prejudicam o fluxo para o local.

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A má circulação dificulta assim a cicatrização, prolongando o tempo de recuperação. Desta forma, essas lesões, quando não cuidadas e devidamente tratadas, têm a probabilidade de evoluírem para infecções graves e até úlceras.

E as ameaças não param por aí: o quadro pode chegar à morte dos tecidos, um estado conhecido como gangrena. Cenário extremamente perigoso, com possível necessidade de amputações parciais ou totais de dedos do pé, do pé todo ou de parte da perna para evitar que a infecção se espalhe por outras partes do corpo, colocando a vida em risco.

Pontos de atenção

Alguns sinais nos pés e pernas podem servir de alerta, em especial se acontecem de forma recorrente. A indicação é procurar avaliação médica caso perceba:

  • cortes, bolhas ou hematomas que demoram a cicatrizar
  • pele avermelhada, quente ou dolorida na região
  • calos com sangue seco em seu interior
  • machucados que infeccionam e ficam pretos e/ou com mau cheiro
  • sensação de dormência, formigamento, queimação ou dor constante e sem justificativa aparente nos membros inferiores
  • dor ou cãibras nas nádegas, coxas ou panturrilhas durante atividades físicas
  • perda da capacidade de sentir calor ou frio
  • inchaços ou mudanças no formato dos pés
  • pele seca e rachada
  • queda dos pelos dos pés e na parte inferior das pernas
  • unha encravada ou unhas dos pés espessas e amarelas

Todo indivíduo com diabetes apresenta a condição?

Qualquer pessoa com diabetes tem risco de ter "pé diabético", mas alguns fatores elevam a probabilidade, entre elas: ter o diagnóstico de diabetes há muito tempo, especialmente se o nível de glicose no sangue for frequentemente mais alto do que o recomendado ou sem controle; estar gordo; ser sedentário; ter mais de 40 anos; apresentar níveis de pressão arterial ou colesterol altos.

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Tem como prevenir o pé diabético?

A melhor maneira de prevenção para evitar danos aos nervos, vasos sanguíneos e circulação —ou impedir a piora de quadros de "pé diabético"— envolve principalmente manter um controle rigoroso dos níveis de açúcar no sangue.

Também é importante adotar alguns cuidados, como manter os pés sempre limpos, secos e hidratados, usar sapatos adequados e confortáveis, bem como examinar com frequência toda a região dos pés e pernas em busca de cortes, machucados, vermelhidão, calos e outras alterações na pele e nas unhas dos pés (inclusive verrugas ou pontos em que calçados possam causar irritação). O tratamento precoce reduz muito o risco de complicações.

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Imagem: iStock

Outros hábitos também podem ajudar: não fume (o cigarro reduz o fluxo sanguíneo para os membros inferiores), mantenha uma alimentação equilibrada e saudável, pratique atividades físicas regulares e siga corretamente as orientações de tratamento indicadas por seu médico.

Um agravante no caso do diabetes é que é possível conviver com a doença por meses ou anos até que os sintomas se tornem evidentes ou que as alterações nos níveis de glicose sejam detectadas em exames de rotina.

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Entretanto, a falha no início do tratamento pode ter consequências sérias e irreversíveis, como vimos. Por isso, esteja sempre atento e com seu check-up de saúde em dia.

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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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