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Você sabe quais são as vitaminas mais importantes para o coração?

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Imagem: Getty Images
Paulo Chaccur

Diretor da Cirurgia Cardiovascular no Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, é formado pela Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo e possui mais de 40 anos de experiência.Na década de 90, Chaccur passou a liderar a própria equipe de cardiologia e cirurgias cardíacas no HCor (Hospital do Coração).

Colunista do UOL

12/04/2020 04h00

Mais do que nunca, a saúde virou nossa prioridade número um desde o surgimento do coronavírus. Muito tem se falado em manter cuidados e bons hábitos alimentares para garantir o corpo em equilíbrio e nossa imunidade em alta. E não temos como pensar em saúde sem considerar o coração, órgão essencial para o funcionamento do organismo.

Se antes adotar uma dieta equilibrada era um dos grandes desafios por conta das horas perdidas em congestionamentos, maratonas de reuniões e compromissos, almoços de trabalho e tantas outras exigências da vida cotidiana, agora, com as mudanças na rotina que nos foi imposta pela covid-19 e muito mais gente em casa, talvez seja um bom momento para aproveitar a oportunidade e estabelecer uma rotina de refeições balanceadas com as vitaminas e nutrientes imprescindíveis para uma boa saúde.

Cuidar do coração é algo que precisa estar entre as nossas principais metas de vida —não só neste período, mas sempre! As doenças cardiovasculares ainda são a principal causa de morte do mundo, de acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde).

A boa notícia é que grande parte dessas ameaças podem ser evitadas ou minimizadas com mudanças de hábito simples, como controle do peso, alimentação equilibrada e prática regular de exercícios.

Essenciais ao coração

O coração é responsável por bombear o sangue para os pulmões e para o corpo todo, bem como distribuir os nutrientes necessários aos órgãos e tecidos. Para tanto, precisa estar sempre forte, em pleno funcionamento, ou então pode acarretar em problemas sérios.

Por isso, a ingestão de alimentos que contenham vitaminas capazes de contribuir para a saúde do órgão, como B, C, D, E e K, são de extrema importância, uma vez que elas possuem um papel indispensável na prevenção e tratamento de doenças cardiovasculares.

Outro ponto a favor: diferente das proteínas, carboidratos e lipídeos, as vitaminas não necessitam ser "quebradas" para que o organismo possa aproveitá-las. São um tipo de nutriente encontrado nos alimentos e facilmente absorvido pelo corpo no processo de digestão.

Complexo B

As vitaminas do complexo B, de modo geral, contribuem para a proteção e o desenvolvimento de neurônios, formação das hemácias (células vermelhas do sangue), além de auxiliar com a absorção e ativação de outros nutrientes. No coração, elas têm papel importante na prevenção e no tratamento de doenças.

A B1, por exemplo, ajuda a proteger o músculo cardíaco. Já a B3 contribui na redução dos níveis de colesterol ruim (LDL) e nas taxas de triglicerídeos, fatores de risco para desenvolvimento da doença arterial coronária. Também é uma importante aliada para aqueles que têm diabetes. No caso da B6, ela atua como protetora cardiovascular. As vitaminas B9 e B12, por sua vez, auxiliam na remoção de moléculas presentes no sangue que causam danos às artérias.

E aí você deve estar se perguntando: onde eu encontro todas essas vitaminas? Vamos lá! A B1 está presente, principalmente, nas leguminosas, banana, verduras, nozes e ovo. A B3 em peixes, aves, fígado bovino, germe de trigo, tomate e amendoim. A B6 na carne de frango, peixes e abacate. A B9 no feijão e em vegetais de folhas verdes escuras. A B12 nas carnes bovina e suína, assim como no leite.

Vitamina C

Essencial para o bom funcionamento do organismo, a vitamina C contribui para manter elevadas nossa imunidade e nossa energia, a absorção de ferro dos alimentos, a saúde do sistema nervoso e a regeneração vascular.

Também é um poderoso antioxidante e atua na proteção das células do coração contra o envelhecimento precoce. A vitamina C mantém ainda as concentrações de colágeno e elastina, que em boas quantidades evitam a ruptura de coágulos e a formação de placas nas artérias.

Uma vez que o organismo não é capaz de produzir vitamina C, é fundamental obtê-la a partir dos alimentos, entre frutas, como laranja, limão, goiaba e acerola, e verduras, como a couve e o brócolis.

Vitamina D

Em época de quarentena por conta da pandemia da covid-19 muito tem se falado e pesquisado sobre a importância desta vitamina, que tem papel fundamental na modulação do sistema imunológico e efeito anti-inflamatório.

Especialistas explicam que apesar de ser chamada de vitamina, a substância é, na verdade, um pró-hormônio, ou seja, dá origem a vários hormônios essenciais ao corpo.

A vitamina D regula a quantidade de cálcio e fósforo no organismo e aumenta a absorção desses sais minerais no intestino. Esses sais têm papel importante na contração de todos os tipos de músculo, inclusive o coração.

Segundo pesquisadores da Universidade de Bergen, na Noruega, manter taxas regulares de vitamina D no corpo pode reduzir em até 30% o risco de morte em decorrência de um evento cardiovascular (como infarto e insuficiência cardíaca).

Fontes de vitamina D: a principal fonte de produção é o sol (estima-se que cerca de 80%), mas também pode ser encontrada em alguns alimentos, como peixes gordurosos, óleos de fígado e cogumelos; além de leite, ovos e fígado bovino —os três últimos em menor quantidade.

Vitamina E

A vitamina E tem como principal função no organismo a sua forte ação antioxidante, que combate os radicais livres, ajuda a prevenir o envelhecimento precoce e tem função cardioprotetora. Estudos apontam que ela ainda pode melhorar a função cardíaca por promover o relaxamento dos vasos sanguíneos e assim diminuir a formação de placas de gordura nas artérias coronárias.

A vitamina E pode ser encontrada no azeite e em óleos vegetais (gérmen de trigo, girassol e cártamo), nozes, amendoim, avelã, amêndoa, sementes de girassol e vegetais de folhas verdes.

Vitamina K

A vitamina K é um nutriente lipossolúvel (ou seja, solúvel em gorduras) que contribui para a saúde cardiovascular e dos ossos. Desempenha assim papel importante na ativação de proteínas que atuam na coagulação sanguínea e na fixação do cálcio no organismo.

Segundo a Food and Nutrition Board, entidade americana que estabelece recomendações alimentares internacionalmente, a orientação é que homens com mais de 19 anos consumam 120 mcg de vitamina K, enquanto as mulheres (na mesma faixa etária) ingiram 90 mcg da substância. O Ministério da Saúde brasileiro indica o consumo de 65 mcg, independente do gênero.

A vitamina K é encontrada em vegetais verdes (alface, couve, brócolis e aspargos), leite, fígado, produtos fermentados, além de ser produzida por bactérias saudáveis no intestino. No entanto, por estar presente em alimentos de diferentes grupos, com uma alimentação equilibrada e variada, geralmente já é possível atingir essas quantidades diárias.

E as vitaminas de farmácia, funcionam?

Estudos alertam que o reforço vitamínico exagerado e sem orientação pode, ao invés de ajudar, causar danos ao corpo. É importante que fique claro que o excesso de algumas substâncias também pode ser prejudicial.

Um estudo divulgado por especialistas da Suíça revela, por exemplo, que os suplementos de cálcio podem aumentar o risco de ataque cardíaco, efeito parecido, inclusive, com o causado pelo excesso de vitamina D.

Apenas após uma boa avaliação clínica ou com cardiologista é possível checar a verdadeira situação do organismo e a real necessidade da suplementação de uma ou mais vitaminas.

Portanto, antes de iniciar qualquer reposição de complementos vitamínicos, procure um especialista, faça exames e siga as orientações passadas pelo médico.