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Edmo Atique Gabriel

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Por que os números influenciam nossa saúde? 5 dicas para enfrentá-los

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Edmo Atique Gabriel

Professor livre-docente na Unilago (União das Faculdades dos Grandes Lagos), palestrante, especialista em cirurgia cardiovascular com aprimoramento em centros como Harvard Medical School e Cleveland Clinic e pós-graduado em nutrologia médica pela Abran (Associação Brasileira de Nutrologia).

Colunista do UOL

13/03/2021 04h00

Pare um pouco para pensar. Nós, seres humanos, somos extremamente frágeis diante dos números; os números podem nos fazer chorar como também sorrir. Os números são elementos matemáticos muito objetivos, diretos e concretos, mas nossa saúde é algo um tanto quanto instável e impreciso.

Algumas vezes dizemos que estamos bem, mas convivendo com um pouco de dor de cabeça, um certo cansaço e alguma dificuldade para dormir.

Em certo momento, decidimos aferir nossa pressão arterial —aí a questão numérica impacta inexoravelmente para o lado da saúde ou para o lado da instabilidade. Estamos teoricamente muito bem e, ao adentrar um supermercado, somos convidados a medir a temperatura —um susto quando o aparelho acusa que estamos com febre.

Temperatura alta em tempos de pandemia é igual a...? Desespero, apreensão? Sim, inevitavelmente. Caso não tivéssemos medido a temperatura, teríamos tido a mesma reação de pânico? Obviamente não.

Ligamos a televisão —mais de 2.000 mortes num único dia por covid-19 no Brasil. O coração já começa a palpitar, você pensa em seus familiares, amigos e logicamente em você próprio. "Quando isto acabará?" é a pergunta por trás dos números e o combustível da ansiedade e das arritmias cardíacas.

O jornal do dia chega em sua casa ou você acessa as informações digitalmente. Manchete do dia: O Brasil não tem número de leitos de UTI para todos os contaminados pelo coronavírus. Qual sua reação imediata? Difícil não sentir mal-estar, começar a transpirar, ficar inquieto e irritado —os números afligem.

Você precisa se deslocar de uma cidade para outra devido às demandas de seu trabalho. Liga o rádio do carro para receber as notícias do dia: "ações da bolsa de valores caem e o câmbio do dólar sobe", "acidente de ônibus com 50 vítimas em Minas Gerais", "previsão de chuvas fortes por 5 dias com risco de inundações".

Perceberam que não é possível manter a saúde estável, especialmente a saúde cardiovascular, em meio a tantos números desfavoráveis? Quase impossível não perder o sono, ficar irritado, "explodir" com os mais próximos, entrar em pânico. Quase impossível não estar sujeito a um infarto do coração, uma arritmia, um acidente vascular cerebral por picos de pressão arterial.

O que fazer então? Quero pedir que, ao final da leitura, vocês se manifestem também. O que vocês fariam? Desligar a televisão e o rádio para não ficar sabendo de nada? Esquecer os números e seguir a vida? Assimilar a realidade dos números e buscar ajuda para não perder o equilíbrio? Ter fé e esperança em melhores momentos num futuro breve?

Confesso para vocês que todas as respostas serão válidas e poderão ser aplicadas de acordo com a individualidade de cada pessoa. No entanto, o cerne de todas as atitudes diante dos números deveria ser o equilíbrio.

Você pode conseguir este equilíbrio, seja desligando a televisão e o rádio, seja esquecendo dos números (não ignorar, é claro!) por um tempo, seja assimilando os números com algum tipo de suporte externo ou mantendo seus princípios de fé e esperança.

As doenças cardiovasculares lamentavelmente não resistem ao poder dos números. Assim, cada um de nós precisa fazer uma autocrítica e encontrar mecanismos para balancear os números com um padrão pleno de saúde.

Números elevados relativos a notícias alarmantes elevam o nível de estresse, favorecem o descontrole da pressão arterial, prejudicam o sono, são determinantes em provocar rixas e discussões entre as pessoas.

Números serão sempre números, em diferentes circunstâncias. Números não têm sentimentos, não poupam o sofrimento e não aliviam a dor. Assim, seria prudente sabermos conviver com os números, ter paciência, perseverança e buscar motivação de alguma forma quanto a um futuro melhor.

Do ponto de vista médico, sobretudo no âmbito cardiovascular, quero deixar para vocês algumas dicas que podem ajudar neste difícil processo de assimilação da realidade dos números.

Dica 1 - Não queira salvar o mundo sozinho(a)

Mãos dadas, consolo - iStock - iStock
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Em meio às dificuldades da vida, não podemos resolver os problemas sem ajuda dos outros. Não se trata de ter ou não capacidade para isso, mas, sim, uma questão de considerar o trabalho em equipe, saber delegar funções e ter paciência para esperar o melhor resultado.

Dica 2 - "Basta a cada dia o seu mal"

Respeitando todas as crenças religiosas e também a ausência de crenças, tomo a liberdade de citar este trecho bíblico, cujo teor de sabedoria é robusto e impactante. Para enfrentarmos os problemas e tentar também minimizar as repercussões cardiovasculares dos mesmos, seria prudente priorizar nossas ações. Uma ou duas coisas de cada vez, cada coisa com seu grau de dificuldade e com seus desafios intrínsecos. Somente assim poderemos superar cada etapa do problema e conseguir a vitória ao final.

Dica 3 - Não subestime os números, mas acredite em você

Há 1 ano estamos vivenciando uma realidade inimaginável, difícil de mensurar. Número de contaminados, número de óbitos, número de leitos de UTI... Por outro lado, acreditar na vida e na cura tem encorajado os cientistas a buscar soluções.

Conseguimos a vacina num tempo espetacularmente rápido. Não desacreditamos de lutar, nem de viver. Acreditar em você implica em acreditar que, juntos, cada qual com sua pequena contribuição, poderemos suplantar esta fase complicada.

Dica 4 - Não fiquem parados(as), a vida segue seu curso

Os números ferem a saúde e as finanças. Estamos muito abalados com tudo que está ocorrendo no Brasil e no mundo. No entanto, os dias e as noites continuam se replicando infalivelmente; nossas necessidades físicas não mudaram, precisamos cuidar da saúde por meio de uma boa alimentação e as outras doenças não deixaram de tomar assento em nossas vidas.

Temos a covid-19, mas também o câncer, a insuficiência cardíaca, as infecções pelo escasso saneamento básico, a busca desenfreada por doações de órgãos para transplante. Mesmo que existam as rochas no meio dos oceanos, nada inibe totalmente o curso das águas.

Dica 5 - Sua saúde é seu maior patrimônio

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Imagem: Getty Images

Quem gosta mais de você do que você mesmo(a)? Ainda que os números sejam fortes e tenebrosos, precisamos fazer nossa parte e manter nossa saúde em ordem.

Para isso, não descuidem de sua alimentação, evitando excesso de doces e gorduras; controlem seu peso para evitar as complicações da obesidade; evitem automedicação; façam exames preventivos periodicamente; façam atividades físicas (sempre respeitando as normas definidas pelas autoridades sanitárias) e busquem orientação para melhor controle do estresse.

A letra da canção de Erasmo e Roberto Carlos, eternizada pelos Titãs, sinteriza o que deveríamos fazer em meio aos números e nosso desejo de preservar a saúde: "É preciso saber viver". Não temos outra alternativa neste momento —precisamos conviver com os números, enfrentá-los com sabedoria, ter união, suplantar as diferenças pessoais e continuar caminhando pelo curso de nossas vidas.

Quanto as doenças cardiovasculares, estas podem até sucumbir aos números, porém, os números podem sucumbir também a nossa postura correta de hábitos e determinação. Precisamos crer nisso.

Para saber mais sobre a saúde do coração, me acompanhe no Instagram: @edmoagabriel.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do que dizia o texto, a letra da música "É preciso saber viver" foi composta por Eramos e Roberto Carlos, e interpretada pelos Titãs. A informação já foi ajustada.