PUBLICIDADE

Topo

O coração da mulher moderna é muito mais exigido no tempo atual

iStock
Imagem: iStock
Edmo Atique Gabriel

Professor livre-docente na Unilago (União das Faculdades dos Grandes Lagos), conselheiro de Comissão Nacional de Residência Médica do MEC (Ministério da Educação), especialista em cirurgia cardiovascular, com aprimoramento em centros como Harvard Medical School e Cleveland Clinic, e pós graduado em nutrologia médica pela ABRAN (Associação Brasileira de Nutrologia)

Colunista do UOL

08/03/2020 04h00

O talento de uma mulher para exercer, de forma tão versátil, quantidade inimaginável de funções, transcende a normalidade. Em diferentes sociedades, a mulher, quando não cerceada, mostrou-se extremamente eficiente em conciliar os afazeres maternais com as responsabilidades profissionais e empresariais.

Naturalmente, devido ao perfil de personalidade, a mulher tende a ser mais emotiva e mais sensível aos acontecimentos. Isso não significa, em hipótese alguma, que a mulher seja mais frágil; ao contrário, por ser mais sensível torna-se um ser humano mais forte, com maior capacidade de não ceder ao descompasso agudo do imprevisível.

Na manifestação bruta dos sintomas cardiovasculares, fundamenta-se o limite de tolerância do coração feminino. O efeito cumulativo de tantas atividades consubstancia o grau excessivo de estresse cardiovascular feminino. Não há como não descompensar em alguns momentos, apresentando sintomas como angina, palpitações, tontura e falta de ar, já que os hormônios femininos variam tanto ao longo da vida e as tensões e responsabilidades não cessam de acumular.

Os princípios da saúde cardiovascular salutar baseiam-se em evitar sedentarismo, não fumar, manter alimentação equilibrada e praticar atividade física regularmente. Em outras palavras, um sistema de condutas que se enfraquece diante das exigências maternais e profissionais de uma mulher moderna.

Lamentavelmente, a saúde cardiovascular feminina tem sucumbido, nas últimas décadas, aos agravos como infarto, derrame, trombose e arritmias. Cada vez mais mulheres de todas as idades, surpreendentemente as mais jovens inclusive, têm sido vítimas de eventos cardiovasculares fatais. Como se pode imaginar, tudo isto orbitando em torno do complexo e incontrolável estresse cardiovascular.

Ser moderno não implica necessariamente em ter melhor qualidade. O nível de estresse cardiovascular feminino tem sido inversamente proporcional às perspectivas preconizadas para uma mulher moderna saudável. Isso não pode continuar.

Não somente a conscientização individual é importante, como também o desenvolvimento de protocolos de prevenção de agravos cardiovasculares femininos e até políticas de saúde pública, que contemplem, em longo prazo, a redução de mortalidade cardiovascular feminina.

Não existe sintonia entre a modernidade do mundo e das funções empresariais e a deterioração da saúde cardiovascular feminina. O coração da mulher moderna precisa ser longevo, bater por bastante tempo, mas sempre ostentando vitalidade.