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OPINIÃO

Como dieta e suplementos me ajudaram na recuperação da covid-19

Imagem: Getty Images/iStockphoto
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Silvia Ruiz

Colunista do UOL

28/01/2022 04h00

Na última semana, fui mais um dos milhões de brasileiros sendo infectados pelo Coronavírus. Além da ajuda imprescindível das vacinas (tive a sorte de já ter tomado as três doses), minha dúvida foi: o que comer para ajudar o corpo na batalha contra o vírus? E depois que a doença passar? Como voltar a ter força e energia? Devemos tomar vitaminas? Chás? Afinal, do que precisamos para atravessar essa guerra interna do sistema imunológico contra os invasores? Quem está com mais de 50, como é o meu caso, sabe que, se a recuperação de uma ressaca ou uma simples noite mal dormida já é difícil, imagine de um ataque como a Covid.

"Comer bem é importante, pois seu corpo precisa de energia, proteínas, vitaminas e minerais para ajudá-lo a se recuperar. Ter uma boa ingestão de alimentos ricos em proteínas e energia ajuda reconstruir os músculos, manter seu sistema imunológico e aumentar seus níveis de energia para permitir que você retome suas atividades", diz Lázaro Medeiros, nutricionista clínico e especialista em genômica nutricional. "Muitas pessoas experimentam perda de apetite, do paladar, e a redução da ingestão de alimentos quando não estão bem com Covid. Mas é importante dar atenção à dieta e algumas estratégias de suplementação que ajudam muito."

Afinal, temos dificuldades em fazer compras, preparar alimentos e comer as porções normais. Podemos nos sentir cansados ou fracos, com dor de garganta, além de possíveis alterações de olfato e paladar, náusea e constipação ou diarreia. Ou seja, quem vai conseguir comer direito assim?

A solução? "Em primeiro lugar, mude a dieta para algo mais fácil de mastigar, com coisas mais macias, além de sucos, sopas e caldos. Nada de alimentos secos, que vão irritar ainda mais a garganta", diz o nutricionista. "A melhor coisa a fazer é dar ao corpo os nutrientes que ele precisa, facilitar a digestão e evitar alimentos que causam mais inflamação, como o açúcar e alimentos processados e industrializados. Outra coisa importante: comer pouco, várias vezes ao dia, distribuindo assim os nutrientes ao longo do dia." E, depois que a doença passar, vale investir nessa dieta por mais 15 dias para dar um reforço da recuperação total do corpo.

Sucos de vegetais com frutas

Uma maneira mais fácil de ingerir os nutrientes que precisamos, além de hidratar, é com sucos misturando algumas frutas e vegetais. Lázaro sugere duas opções, que podem ser usadas alternadamente: Abacaxi, laranja, couve e hortelã (para um apoio extra ao sistema imune, pode colocar um pedacinho de gengibre também). A segunda combina beterraba e melancia (essas frutas vermelhas tem poder anti-inflamatório).

Sopas de vegetais

Outra maneira de repor nutrientes para quem está indisposto é com sopas de vegetais. Uma boa combinação de vegetais variados, cebola, alho e bata tudo para ficar mais fácil de engolir se estiver com dor de garganta.

Chás

Algumas plantas têm substâncias que ajudam na imunidade e na redução da inflamação. Boas escolhas são o gengibre (é só ferver alguns pedaços sem casca e deixar descansar por dez minutos antes de coar), a hortelã e a espinheira santa.

Água

Lázaro recomenda que a gente aumente a ingestão diária de água. "O ideal é subir dos dois litros normalmente indicados para três, sendo que chás entram nessa conta", diz ele. A hidratação é fundamental para ajudar o corpo a desinflamar, e também para manter o sangue mais viscoso, o que ajuda na prevenção da formação de coágulos, uma complicação comum da Covid. Também podemos incluir a água de coco nesse pacote.

Própolis e Mel

Dois potentes anti-inflamatórios. Inclua dez gotas de própolis por dia no chá ou com água, mais uma colher de chá de mel.

Maçã e Pera

As duas frutas ajudam a reduzir a irritação da garganta.

Dieta Mediterrânea

Essa é uma dieta saudável em qualquer momento da vida, mas, especialmente durante e pós-Covid, é certamente a melhor opção. Alimentos integrais (arroz, por exemplo), muitos vegetais variados, proteínas de fontes magras, como peixe ou frango, frutas e uma boa quantidade de azeite extravirgem.

Suplementos

A dieta pode fornecer os nutrientes que precisamos, mas nem sempre na quantidade necessária, ainda mais quando estamos doentes e comendo pouco. O que Lazaro recomenda como suplementação:

- Vitamina C e Zinco (facilmente encontrados naquelas pastilhas efervescentes em farmácias). Nos primeiros sete dias, a recomendação seriam duas pastilhas por dia, para ajudar o sistema imunológico.

- Vitamina D (importante para o sistema imunológico e para ajudar na perda muscular causada pela Covid) e quem está em isolamento dificilmente vai tomar o sol necessário para produzir a vitamina.

- NAC (N-acetilcisteína) de 200 a 600 mg por dia. Ajuda a combater a inflamação, a expectoração (para quem produz muco) e também a reduzir a fadiga (há várias marcas disponíveis em farmácias).

- Selênio - comer três castanhas do Pará por dia é uma forma de obter a quantidade necessária, do contrário vale ingerir um suplemento.

Evite açúcar, carne vermelha e lácteos e corte o álcool

Além de não ajudar, alguns alimentos podem atrapalhar o corpo. Açúcar é inflamatório, portanto vale deixar de lado neste momento. Os lácteos podem aumentar a produção de muco em algumas pessoas, por isso, se for o seu caso, vale reduzir principalmente nos primeiros sete dias dos sintomas. Carne vermelha é de digestão mais lenta e mais difícil, por isso vale evitar neste momento. Já o álcool é um grande vilão. Lázaro recomenda ficar longe dele por pelo menos 15 dias.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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